terça-feira, 5 de novembro de 2013

Causalidade natural e causalidade intencional





Temos conhecimento de dois tipos de explicação de acontecimentos, duas maneiras diferentes de os objetos causarem acontecimentos. Há a causalidade inanimada e a causalidade intencional. Quando a dinamite produz uma explosão particular, fá-lo porque tem, como uma das suas propriedades, o poder e a possibilidade de exercer esse poder sob certas condições – quando é inflamada à temperatura e pressão adequadas. A dinamite tem de dar origem a uma explosão sob essas condições; não tem opção e não há nada de deliberado nisso.  

domingo, 3 de novembro de 2013

Sunday Morning

A sugestão musical para este domingo "Sunday Morning", homenageando Lou Reed e os Velvet Underground (uma das melhores bandas de sempre). Este é também um album memorável.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

As pessoas serão responsáveis pelo que fazem?



Edward Hopper

Em 1924, dois adolescentes de Chicago, Richard Loeb e Nathan Leopold, raptaram e assassinaram um rapaz chamado Bobby Franks apenas para provar que conseguiam fazê-lo. O crime impressionou o público. Apesar da brutalidade do seu acto, Leopold e Loeb não pareciam especialmente perversos. Provinham de famílias ricas e eram ambos estudantes excelentes. Aos dezoito anos, Leopold era o licenciado mais jovem na história da Universidade de Chicago, e, aos dezanove anos, Loeb era a pessoa mais nova que se tinha licenciado na Universidade de Michigan. Leopold estava prestes a entrar na Escola de Direito de Harvard. Como era possível que tivessem cometido um assassinato absurdo? O seu julgamento iria receber o mesmo tipo de atenção que o de O. J. Simpson, setenta anos mais tarde.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Lógica e Amizade



Edward Hopper

A lógica é muitas vezes encarada como uma atividade fria, cerebral e oposta às vivências humanas mais cândidas, entre as quais se contam a amizade. Penso que esta perspetiva das coisas trai uma incompreensão tanto da lógica como da amizade. É o que tentarei mostrar nestas linhas.

Dança Macabra



O Halloween apenas como pretexto…

domingo, 27 de outubro de 2013

Acontecimentos e Ações


Edward Hopper
Suponhamos que apanhei o comboio e paguei o meu respectivo bilhete. Durante o  percurso vou distraído, pensando nas minhas coisas, sem me dar conta de que brinco  com o pedacito do cartão, enrolo-o e desenrolo-o, até que finalmente o atiro descuidadamente pela janela aberta. Nessa altura aparece-me o cobrador e pede-me o bilhete: desespero e provavelmente a multa. Posso apenas murmurar para me desculpar: " Atirei-o da janela...sem me aperceber." O revisor, que é também um pouco filósofo, comenta: "Bom, se não se apercebeu do que estava do que estava a fazer, não pode dizer que o tenha atirado pela janela. É como ele tivesse caído".

sábado, 26 de outubro de 2013

A ação humana





Vou contar-te um caso dramático. Já ouviste falar das térmitas, essas formigas brancas que, em África, constroem formigueiros impressionantes, com vários metros de altura e duros como pedras? Uma vez que o corpo das térmitas é mole, por não ter a couraça de quitina que protege outros insetos, o formigueiro serve-lhes de carapaça coletiva contra certas formigas inimigas, mais bem armadas do que elas. Mas por vezes um dos formigueiros é derrubado, por causa de uma cheia ou de um elefante (os elefantes, que havemos nós de fazer, gostam de coçar os flancos nas termiteiras).

Bach, Arte da Fuga - Glenn Gould




Sugestão musical para um fim de semana a estudar para o teste de filosofia


Glenn Gould , um dos maiores e mais geniais pianistas do nosso século.
(…) a conceção da ARTE DA FUGA com que J. S. Bach ocupou os seus últimos tempos de vida, verdadeiro exercício de solidão em busca de uma perfeição abstrata (pois nem mesmo estipulou quais os instrumentos que deveriam alguma vez ocupar-se dessa música simultaneamente mística e matemática).
                                                          António Vitorino de Almeida, O que é a Música

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

domingo, 20 de outubro de 2013

Aprender Filosofias ou Aprender a Filosofar?




(…) Em suma, o entendimento não deve aprender pensamentos mas a pensar. Deve ser conduzido, se assim nos quisermos exprimir, mas não levado em ombros, de maneira a que no futuro seja capaz de caminhar por si, e sem tropeçar.
A natureza peculiar da própria filosofia exige um método de ensino assim. Mas visto que a filosofia é, estritamente falando, uma ocupação apenas para aqueles que já atingiram a maturidade, não é de espantar que se levantem dificuldades quando se tenta adaptá-la às capacidades menos exercitadas dos jovens. O jovem que completou a sua instrução escolar habituou-se a aprender. Agora pensa que vai aprender filosofia. Mas isso é impossível, pois agora deve aprender a filosofar.

sábado, 19 de outubro de 2013

October - Autumn Song




Uma sugestão musical para um fim de semana de outubro

Doze Homens e uma Sentença

Doze Homens e uma Sentença - 1957
Direção: Sidney Lumet
Duração: 96 minutos
Autor: Reginald Rose

Provas muito convincentes contra um adolescente acusado de matar o pai levam onze jurados a considerar que o réu é culpado do crime de homicídio. O décimo segundo não tem dúvida sobre a sua inocência. Como poderá este homem fazer com que os outros cheguem à mesma conclusão? Argumentando…

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A atividade crítica da filosofia



 Magritte
O que significa especificamente, dizer que a filosofia faz a 'crítica das nossas crenças'? Para começar admitamos que a maior parte das nossas crenças sobre questões vitais como a religião e a moralidade são manifestamente acríticas. Faz uma pausa para avaliar as tuas crenças sobre estas questões, perguntando-te por que razão vieste a ter as crenças que tens. Na maior parte dos casos, podemos afirmar com segurança, irás descobrir que 'não vieste a ter' tais crenças como resultado de uma reflexão prolongada e séria sobre elas. Pelo contrário, aceitaste-as com base em alguma autoridade, isto é, um indivíduo qualquer, ou instituição, que te transmitiu essas crenças. A autoridade pode ser os teus pais, professores, Igreja ou amigos. Muitas das nossas crenças são impostas pelo que chamamos vagamente 'sociedade' ou 'opinião pública'. Estas autoridades, regra geral, não te impõem as suas convicções. Ao invés, absorveste essas crenças a partir do 'clima de opinião' no qual te desenvolveste. Assim, a maior a maior parte das tuas crenças sobre questões como a existência de Deus ou sobre se por vezes é correcto mentir são artigos intelectuais em 'segunda mão'.

domingo, 13 de outubro de 2013

Conselhos para avaliar argumentos



Os lógicos (…) distinguem a validade da solidez. Diz-se que um argumento é válido se a conclusão se segue das premissas. No entanto, para que seja sólido, um argumento tem de ser válido e as premissas têm de ser verdadeiras.
Importa fazer outra observação. O grau com que as premissas apoiam a conclusão pode variar. Por vezes as premissas não aprovam absolutamente que a conclusão seja verdadeira, mas proporcionam dados que tornam muito provável que a conclusão seja verdadeira.

sábado, 12 de outubro de 2013

Avaliar argumentos



Formular e testar argumentos é importante em qualquer área, mas é especialmente decisivo quando lidamos com grandes decisões abstratas, já que não temos outra forma de as compreender. Uma teoria filosófica é apenas tão boa como os argumentos que a apoiam.
Alguns argumentos são sólidos, alguns não o são, e precisamos saber como os distinguir. Seria bom se houvesse uma maneira simples de o fazer. Infelizmente, não há. Os argumentos são muito diversos e podem estar errados de inúmeras formas. Porém, podemos atender a alguns princípios gerais.

Noções de lógica silogística



Clica na imagem para acederes ao Site SEBENTA DE FILOSOFIA

Lógica silogística - exercícios



 FICHAS DE TRABALHO - EXERCÍCIOS
(…) Aristóteles serviu-se destas classificações para estabelecer regras para avaliar as inferências. Por exemplo, para que um silogismo seja válido é necessário que pelo menos uma premissa seja afirmativa e que pelo menos uma seja universal; se ambas as premissas forem negativas, a conclusão tem de ser negativa. Na sua totalidade, as regras de Aristóteles bastam para validar os silogismos válidos e para eliminar os inválidos. (…)

A Kenny, História Concisa da Filosofia Ocidental

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O que é a argumentação?



Paul Klee


Os argumentos são essenciais, em primeiro lugar, porque são uma forma de tentar descobrir quais os melhores pontos de vista. Nem todos os pontos de vista são iguais. Algumas conclusões podem ser apoiadas com boas razões; outras, com razões menos boas. Mas muitas vezes não sabemos quais são as melhores conclusões. Precisamos de apresentar argumentos para apoiar diferentes conclusões, e depois avaliar tais argumentos para ver se são realmente bons.

domingo, 29 de setembro de 2013

O valor da filosofia




Devemos procurar o valor da filosofia, de facto, em grande medida na sua própria incerteza. O homem sem rudimentos de filosofia caminha pela vida preso a preconceitos derivados do senso comum, das crenças costumeiras da sua época ou da sua nação, e das convicções que cresceram na sua mente sem a cooperação ou o consentimento da sua razão deliberativa. Para tal homem, o mundo tende a tornar-se definido, finito, óbvio;

As três paixões de Bertrand Russel





         Clica na imagem para leres o interessante texto de Bertrand de Russel, no site Sebenta de Filosofia


Poderás encontrar no mesmo site outros artigos sobre o Sentido da Vida

sábado, 28 de setembro de 2013

O que é a filosofia?




A filosofia é o que acontece quando se começa a pensar pela própria cabeça.

Pode-se acrescentar um pouco mais. Assim que nos libertamos dos hábitos das crenças recebidas, as que por acaso se adquiriu mesmo acerca de questões básicas, e começamos realmente a pensar acerca daquilo em que devemos acreditar, à luz da razão (argumentos) e indícios, começámos a fazer filosofia. A "tradição" de se apoiar antes em "autoridades" e "textos sagrados" é o estado normal das coisas e não a excepção na história — para muitos é ainda a maneira natural de viver. Além disso, pensar por si próprio não é algo que se leve a cabo facilmente por mero capricho, mas antes algo que é preciso reforçar como a um músculo, através de bons hábitos mentais. A filosofia é um modo de vida, que se constrói ao longo dos anos; o pensamento filosófico é um estado de espírito que se torna parte da própria natureza de uma pessoa.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Porquê estudar filosofia?



Porquê estudar filosofia
Defende-se por vezes que não vale a pena estudar filosofia uma vez que tudo o que os filósofos fazem é discutir sofisticamente o significado das palavras; nunca parecem atingir quaisquer conclusões de qualquer importância e a sua contribuição para a sociedade é virtualmente nula. Continuam a discutir acerca dos mesmos problemas que cativaram a atenção dos gregos. Parece que a filosofia não muda nada; a filosofia deixa tudo tal e qual.
Qual é afinal a importância de estudar filosofia? Começar a questionar as bases fundamentais da nossa vida pode até ser perigoso: podemos acabar por nos sentir incapazes de fazer o que quer que seja, paralisados por fazer demasiadas perguntas. Na verdade, a caricatura do filósofo é geralmente a de alguém que é brilhante a lidar com pensamentos altamente abstractos no conforto de um sofá, numa sala de Oxford ou Cambridge, mas incapaz de lidar com as coisas práticas da vida: alguém que consegue explicar as mais complicadas passagens da filosofia de Hegel, mas que não consegue cozer um ovo.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

O que é a filosofia?




A filosofia é uma atividade: é uma forma de pensar acerca de certas questões. A sua característica mais marcante é o uso de argumentos lógicos. A atividade dos filósofos é, tipicamente, argumentativa: ou inventam argumentos, ou criticam os argumentos de outras pessoas ou fazem as duas coisas. Os filósofos também analisam e clarificam conceitos. A palavra «filosofia» é muitas vezes usada num sentido muito mais lato do que este, para referir uma perspetiva geral da vida ou para referir algumas formas de misticismo. Não irei usar a palavra neste sentido lato: o meu objectivo é lançar alguma luz sobre algumas das áreas centrais de discussão da tradição que começou com os gregos antigos e que tem prosperado no século XX, sobretudo na Europa e na América.

Waking Life





Filme: Acordar para a Vida

Título original: Waking Life
Realizador: Richard Linklater
Argumento: Richard Linklater
Ano: 2001
Duração: 99 minutos

À procura de respostas para algumas perguntas filosóficas

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

António Ramos Rosa




António Ramos Rosa, 17/10/1924 - 23/09/2013

Nada sabemos de quase tudo. A vastidão
é inapreensível. A simultaneidade
é inapreensível. A disparidade
é inapreensível. E há um mutismo
no mundo e em nós que não se quebra nunca.

domingo, 22 de setembro de 2013

O sono da razão produz monstros




Uma das séries de sátiras gravadas pelo pintor espanhol Goya tem por título “O Sono da Razão Produz Monstros”. Goya pensava que muitas das loucuras da humanidade resultavam do “sono da razão”. Há sempre pessoas prontas a dizer-nos o que queremos, a explicar-nos como nos vão dar essas coisas e a mostrar-nos no que devemos acreditar. As convicções são contagiosas, e é possível convencer as pessoas de praticamente tudo. Geralmente, estamos dispostos a pensar que os nossos hábitos, as nossas convicções, a nossa religião e os nossos políticos são melhores do que os deles, ou que os nossos direitos dados por Deus anulam os direitos deles, ou que os nossos interesses exigem ataques defensivos ou dissuasivos contra eles. Em última análise, trata-se de ideias que fazem as pessoas matarem-se umas às outras. É por causa de ideias sobre o que os outros são, ou quem somos, ou o que os nossos interesses ou direitos exigem que fazemos guerras ou oprimimos os outros de consciência tranquila, ou até aceitamos por vezes ser oprimidos. Quando estas convicções implicam o sono da razão, o despertar crítico é o antídoto. A reflexão permite-nos recuar, ver que talvez a nossa perspectiva sobre uma dada situação esteja distorcida ou seja cega, ou pelo menos ver se há argumentos a favor dos nossos hábitos, ou se é tudo meramente subjetivo. Fazer isto bem é pôr em prática mais alguma engenharia conceptual.


Sócrates



Ménone - Eu tinha já ouvido dizer, Sócrates, antes de conversar contigo, que só sabias duvidar de tudo, e fazer duvidar os outros; e agora verifico que me fascinas o espírito com os teus sortilégios e malefícios, e me enfeitiçaste de tal modo que estou cheio de dúvidas. Se me permites o gracejo, dir-te-ei que te assemelhas à tremelga, que deixa, como que entorpecido, quem lhe toca (…)

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Validade: o que se segue do quê?


Mondrian

A maioria das pessoas gosta de pensar que é lógica. Dizer a alguém "Não estás a ser lógico" é uma normalmente uma forma de crítica. Ser ilógico é ser confuso, desordenado, irracional. Mas o que é a lógica? (…) Todos nós raciocinamos. Tentamos descobrir como as coisas são raciocinando com base naquilo que já sabemos. Tentamos persuadir os outros de que algo é de determinada maneira dando-lhes razões. A lógica é o estudo do que conta como uma boa razão para o quê, e porquê. Temos no entanto de compreender esta afirmação de um certo modo. Aqui estão dois trechos de raciocínio — os lógicos chamam-lhes inferências:

1.  Roma é a capital da Itália, e este avião aterra em Roma; logo, o avião aterra na Itália.
2.   Moscovo é a capital dos EUA; logo, não podemos ir a Moscovo sem ir aos EUA.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O que é a Filosofia?





A filosofia é diferente da ciência e da matemática. Ao contrário da ciência, não assenta em experimentações nem na observação, mas apenas no pensamento. E ao contrário da matemática não tem métodos formais de prova. A filosofia faz-se colocando questões, argumentando, ensaiando ideias e pensando em argumentos possíveis contra elas, e procurando saber como funcionam realmente os nossos conceitos.

Lógica




As partes relevantes de um argumento são, em primeiro lugar as suas premissas. As premissas são o ponto de partida, ou o que se aceita ou presume, no que respeita ao argumento. Um argumento pode ter uma ou várias premissas. A partir das premissas, os argumentos derivam uma conclusão. Se estamos a refletir sobre um argumento, talvez por termos relutância em aceitar a sua conclusão, temos duas opções. Em primeiro lugar, podemos rejeitar uma ou mais das suas premissas. Em segundo lugar, podemos também rejeitar o modo como a conclusão é extraída das premissas. A primeira reação é que uma das premissas não é verdadeira. A segunda é que o raciocínio não é válido. É claro que o mesmo argumento pode estar sujeito a ambas as críticas: as premissas não são verdadeiras e o raciocínio aplicado é inválido. Mas as duas críticas são distintas ( e as duas expressões, «não é verdadeira» e «não é válido» marcam bem a diferença.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Lógica



LÓGICA FORMAL

O estudo da argumentação válida que depende exclusivamente da forma lógica. Por exemplo, a validade do seguinte argumento depende inteiramente da sua forma lógica: "Alguns homens são mortais; logo, alguns mortais são homens". A forma lógica deste argumento é a seguinte: Alguns A são B; logo, alguns B são A. Não é difícil ver que qualquer argumento que tenha esta forma lógica é válido. Não se deve pensar que só a LÓGICA CLÁSSICA é formal; a LÓGICA ARISTOTÉLICA é igualmente formal, apesar de em geral se usar menos símbolos. Os argumentos cuja validade não depende inteiramente da sua forma lógica são o objecto de estudo da LÓGICA INFORMAL

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Perguntas da Filosofia


Eis algumas perguntas que qualquer um de nós pode fazer sobre nós próprios: O que sou eu? O que é a consciência? Será que eu poderia sobreviver à morte do meu corpo? Será que posso ter a certeza de que as experiências e sensações das outras pessoas são como as minhas? Se eu não posso partilhar as experiências das outras pessoas, será que posso comunicar com elas? Será que agimos sempre em função do nosso interesse próprio? Será que sou apenas uma espécie de fantoche, programado para fazer as coisas que penso fazer em função do meu livre-arbítrio?


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Bem Vindos à Filosofia




Bem vindo à Filosofia. Para alguns de vocês, será a disciplina mais prática que irão estudar na escola.
Porquê dizer tal coisa? Não tem a filosofia a reputação de não ser prática? Não é abstrata e teórica – precisamente o oposto de prático?

A filosofia pode ser abstrata e teórica. Mas o estudo da filosofia pode ser prático, na medida em que afeta o que fazemos com a nossa vida. Isto porque as abstrações ou teorias dizem respeito aos conceitos e valores básicos com os quais enfrentamos a experiência.

domingo, 15 de setembro de 2013

Atividades diagnósticas




Supõe que trabalhas numa biblioteca, verificando os livros que as pessoas requisitam, e um amigo te pede para o deixares roubar uma obra de referência difícil de encontrar que quer possuir.
Podes hesitar em concordar por diversas razões. Podes recear que ele seja apanhado e que, assim, tanto ele como tu arranjem problemas. Ou podes querer que o livro fique na biblioteca para que tu próprio possas consultá-lo.
Mas também podes pensar que aquilo que ele propõe está errado – que ele não deve fazê-lo e que tu não deves ajudá-lo. Se pensas assim, o que quer isso dizer, o que torna isso verdadeiro, se é que há algo que o torne verdadeiro? 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Os animais têm direitos?



O que significa perguntar se os animais têm direitos? Quais as principais perspetivas sobre esta questão? Clica na imagem.

sábado, 10 de agosto de 2013

Sob o Signo de Amadeo




Para te informares, clica aqui

A comemorar os 30 anos da abertura do Centro de Arte Moderna, está aberta ao público, de 25 de Julho a 19 de Janeiro de 2014, uma exposição que apresenta a totalidade do acervo de Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918).


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A entrada das mulheres na filosofia do séc. XX



Momentos antes de morrer, Sócrates despede-se dos amigos, dos filhos e da família. O relato tocante que Platão nos deixa no Fédon é por demais conhecido. No entanto, há nele uma breve referência que passa despercebida à maior parte dos leitores: a ordem dada pelo filósofo para que as mulheres se retirem. Ausentes em todo o diálogo preparatório da morte, são mandadas sair quando esta vai concretamente ocorrer, como se só os discípulos, homens todos eles, pudessem assistir ao suicídio forçado do filósofo, do mesmo modo que só eles acompanharam as suas diatribes oratórias na cidade.

Fotografia e pintura


Willy Ronis, O Nu Provençal, 1949

A fotografia e a pintura sempre tiveram destinos paralelos, conflituosos e complementares.
Muitas vezes, os primeiros fotógrafos são pintores reconvertidos, que manterão na sua prática os ensinamentos estéticos que receberam.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Para começar, a morte





Lembro-me muito bem da primeira vez que percebi de verdade que mais cedo ou mais tarde tinha de morrer. Devia andar pelos dez anos, talvez nove, eram quase onze horas de uma noite qualquer e já estava deitado. Os meus irmãos, que dormiam comigo no mesmo quarto, ressonavam agradavelmente. No quarto ao lado, meus pais conversavam em voz baixa enquanto se despiam e minha mãe tinha posto o rádio que deixava a tocar até tarde, para evitar os meus terrores nocturnos. De repente sentei-me na cama às escuras: eu também ia morrer! Era o que me tocava, o que irremediavelmente me calhava!, não havia escapatória! Não só teria que suportar a morte das minhas duas avós e do meu querido avô, bem como dos meus pais, como também eu, eu próprio, não teria outro remédio senão morrer. Que coisa tão estranha e terrível, tão perigosa, tão incompreensível, mas sobretudo, que coisa tão irremediavelmente pessoal!

domingo, 4 de agosto de 2013

Quais serão as tarefas atuais da ética?





Quais serão as tarefas atuais da ética? Há tarefas inéditas, sem dúvida, que se referem à resolução de problemas diferentes dos tradicionais ou ao controlo de possibilidades de ambíguo alcance e que se não conheciam antes. As ameaças ao meio ambiente, por exemplo, o uso de técnicas cirúrgicas, ou genéticas que podem favorecer perversas instrumentalizações da nossa corporalidade. Nestes campos, é urgente não dar nada como fatalmente irremediável e manter um aberto debate crítico em que muitas são as vozes que devem, sem dúvida, ser escutadas. Como nem tudo o que pode tecnicamente ser feito deve ser irremediavelmente feito, seria bom colaborar o mais possível na reinvenção dessa virtude aristotélica que se adequa à natureza trágica da peripécia humana: a prudência.
E talvez também a solicitude para com os outros, esse aspeto distintivo da atividade moral feminina que estudiosas como Carol Gillogan opõem à rígida e por vezes impiedosa frialdade do imperativo categórico.

sábado, 3 de agosto de 2013

É possível a ética?



É possível a ética? Se a entendemos como arte de viver, como projecto racional para harmonizar as exigências sociais da liberdade, como consciência de uma autonomia responsável, como reflexão crítica dos valores institucionalizados, negar a possibilidade da ética equivaleria a negar-nos a nós próprios como sujeitos não já civis mas civilizados. O preço pela demissão moral baseada em supostos argumentos históricos, científicos ou políticos – é a consagração desesperada do pior dos niilismos: das suas consequências, tanto individuais como colectivas já tivemos, neste século, os mais arrepiantes exemplos.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Viveremos tempos especialmente inóspitos para a ética?


Picasso, Guernica

Os que o afirmam baseiam-se num estudo superficial da fisionomia do século que está a acabar: duas terríveis guerras de alcance mundial com milhões de vítimas, secundadas por centenas de conflitos menores, mais localizados mas não menos destrutivos; a concretização de totalitarismos ideológicos que justificaram com inumana eficácia o extermínio de camadas sociais da população civil e mesmo de etnias inteiras; também se patentearam os campos de concentração, armas de destruição maciça com um alcance nunca antes sonhado na bem nutrida história da criminalidade política; apesar do desenvolvimento industrial e tecnológico, um terço da população mundial padece de fome, em muitos países latino-americanos é tristemente comum o abandono e assassínio de crianças, e inclusive nas nações mais desenvolvidas há grandes bolsas de miséria urbana e as agressões ao nosso meio ecológico fazem recear graves perigos para a vida humana no futuro próximo; se a tudo isto se acrescentaria os frequentes casos de corrupção política e económica que envilecem as democracias, a barbárie dos confrontos nacionalistas ou das perseguições xenófobas, etc., é inevitável concluir que o século XX, como assegura o famoso tango, “é um prodígio de maldade insolente” e que nele as invocações éticas parecem tão pouco adequadas como as gargalhadas num funeral.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Arte e religião






A arte e a religião são dois caminhos pelos quais o homem escapa das circunstâncias para o êxtase. Entre o arrebatamento estético e o arrebatamento religioso há um laço familiar. Arte e religião são meios para estados de espírito semelhantes. E, se estivermos autorizados a por de lado a ciência e a estética e, seguindo as nossas emoções e o seu objeto, considerarmos o que está na mente do artista, podemos dizer, com um certo à vontade, que a arte é uma manifestação do sentido religioso. Se for a expressão de uma emoção, como sou levado a pensar, é a expressão de uma emoção que é a força vital presente em todas as religiões; ou, pelo menos, expressão de uma emoção sentida por aquilo que é a essência de tudo. Podemos dizer que tanto a arte como a religião são manifestações do sentido religioso do homem, se por “sentido religioso do homem” entendermos a sua noção de realidade última. O que não podemos dizer é que a arte é a expressão de qualquer religião particular; fazê-lo seria confundir o espírito religioso com os canais através dos quais flui; seria confundir o vinho com a garrafa. A arte pode ter muito a ver com aquela emoção universal que encontrou uma expressão corrupta e vacilante em mil credos diferentes mas não tem nada a ver com factos históricos ou enfeites metafísicos. Certamente que muitas pinturas descritivas são manifestos e exibições dessa natureza. (…) Mas, se uma pintura é uma obra de arte, tem tanto a ver com dogmas e doutrinas como tem a ver com os interesses e emoções da vida quotidiana.
                                                                                                 Clive Bell, Arte


terça-feira, 16 de julho de 2013

sábado, 6 de julho de 2013

O Crítico como Artista



Van Gogh


ERNEST A mais alta crítica é então mais criativa que a criação, e o fim principal do crítico é ver o objeto em si como na realidade não é; parece-me ser esta a tua teoria.

Partie d’échecs


Vieira da Silva, Partie d'échecs

Para quem gosta de se interrogar sobre a arte, a Partie d’échecs adquire valor exemplar.
Primeiro o quadro fascina-nos, no sentido em que o nosso olhar é irresistivelmente atraído pelo tabuleiro em si, mesmo ao meio, real e exato. Mas mal mergulhamos nele que, do centro da sua teia, a feiticeira nos retem num universo que lhe é próprio. A partir do tabuleiro, com minuciosas construções, ou como temas que, em música, prosseguissem incansavelmente a mesma toada, os quadrados escapam, devoram os personagens entrevistos, cobrem infinitamente todo o horizonte.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...