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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O Utilitarismo de Mill


O princípio da maior felicidade  (texto/ esquema-síntese/ questões)- aqui


O hedonismo qualitativo de Mill (texto/ esquema-síntese)- aqui


Críticas ao utilitarismo (texto/ esquema-síntese)aqui


 Princípios secundários (texto/ esquema-síntese)aqui


O utilitarismo é um tipo de consequencialismo (texto)aqui


O utilitarismo - uma ética consequencialista (texto)aqui 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Utilitarismo - o princípio da maior felicidade


Matisse

Críticas ao utilitarismo - aqui
O princípio da maior felicidade - aqui
 Princípios secundários - aqui
O utilitarismo é um tipo de consequencialismo - aqui
O utilitarismo - uma ética consequencialista - aqui 

O credo que aceita a utilidade, ou o Princípio Moral da maior Felicidade, como fundamento da moralidade, defende que as ações estão certas na medida em que tendem a promover a felicidade, erradas na medida em que tendem a reproduzir o inverso da felicidade. Por felicidade entende-se o prazer e a ausência de dor; por infelicidade, a dor e a privação de prazer.

O hedonismo qualitativo de Mill


Matisse



                     Texto: O hedonismo qualitativo de Mill



 Se me perguntarem o que entendo pela natureza qualitativa dos prazeres, ou por aquilo que torna um prazer mais valioso que outro, simplesmente enquanto prazer e não por ser maior em quantidade, só há uma resposta possível. De dois prazeres, se houver um ao qual todos ou quase todos aqueles que tiveram a experiência de ambos darem uma preferência decidida, independentemente de sentirem qualquer obrigação moral para o preferis, então será esse o prazer mais desejável. (…)
Ora, é um facto inquestionável que aqueles que estão igualmente familiarizados com ambos, e que são igualmente capazes de os apreciar e de se deleitar com eles, dão uma preferência muitíssimo marcada ao modo de existência que emprega as suas faculdades superiores. Poucas criaturas humanas consentiriam em ser transformadas em qualquer dos animais inferiores perante a promessa de plena fruição dos prazeres de uma besta, nenhum ser humano inteligente consentiria tornar-se tolo, nenhuma pessoa instruída se tornaria ignorante, nenhuma pessoa de sentimento e consciência se tornaria egoísta e vil, mesmo que a persuadissem de que o tolo, o asno e o velhaco estão mais satisfeitos com a sua sorte do que ela com a sua (…) Quem supõe que esta preferência implica um sacrifício da felicidade – que, em igualdade de circunstâncias, o ser superior não é mais feliz do que o inferior – confunde as ideias muito diferentes de felicidade e de contentamento. (...) É melhor ser um ser humano insatisfeito do que um porco satisfeito; é melhor ser Sócrates insatisfeito do que um tolo satisfeito. E se o tolo ou o porco têm uma opinião diferente é porque só conhecem o seu próprio lado da questão. A outra parte da comparação conhece ambos os lados.
                                                                       Stuart Mill, Utilitarismo

                 Questões:

                   1. Distinga o hedonismo qualitativo de Mill do hedonismo quantitativo de Bentham.
                   2. O que são, segundo Mill, prazeres superiores e inferiores?
                  3. Como sabemos que os prazeres intelectuais são superiores aos prazeres de comer e                                                    dormir?


            A objeção ao hedonismo: a máquina de experiências


Esta objeção foi formulada pelo filósofo Robert Nozick. Imagina que tens à tua disposição um computador capaz de te fornecer todas as experiências que mais desejas. Passarás a ser uma pessoa absolutamente feliz e não alguém que ora sente alegria e entusiasmo pela vida, ora tristeza e tédio. A tua felicidade não terá interrupções. Mas tens de escolher entre ligar-te à máquina de experiências ou prosseguir a vida que já tens. Lembra-te que, se o fizeres, poderás viver a ilusão de seres, por exemplo, um ídolo pop, um revolucionário que transforma o mundo num lugar perfeito ou até um jogador de futebol milionário, informado e com gosto. Qual é a tua escolha?
Se o utilitarismo de Mill for verdadeiro, a escolha certa é estabelecer a ligação à máquina. Mas muito provavelmente não vais ser capaz de esquecer o valor que tem o facto de viveres uma vida real e dar o salto para a doce ilusão. Parece claro que fazer certas coisas tem valor para além do sentimento de felicidade que produz em ti. Não queres perder a autonomia e a realidade de fazer as coisas. Isto é eticamente crucial e está acima da felicidade.
                                       Faustino Vaz, A máquina de experiências in crítica
               
                Questões:
                1. O que mostra a objeção da máquina de experiências?



Jeremy Bentham

Hedonismo quantitativo

O valor intrínseco de um prazer depende apenas da sua duração e intensidade




Stuart Mill

Hedonismo qualitativo

O valor intrínseco de um prazer depende da sua qualidade




Hedonismo quantitativo
(Jeremy Bentham)
Hedonismo qualitativo
(Stuart Mill)


O valor intrínseco de um prazer depende apenas da sua duração e intensidade

O valor intrínseco de um prazer depende sobretudo da sua qualidade.

Distinção entre prazeres inferiores (comuns aos animais) e prazeres superiores, (resultantes das capacidades intelectuais)



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

O problema da previsão das consequências





Os defensores da utilidade também são frequentemente chamados a responder a objeções como esta – que antes da ação, não há tempo para calcular e pesar os efeitos de qualquer linha de conduta na felicidade geral. Isto é exactamente como se alguém dissesse que é impossível guiar a nossa conduta pelo cristianismo, já que sempre que tenho de fazer alguma coisa, não há tempo para ler todo o Antigo e o Novo Testamento. A resposta à objeção é que tem havido muito tempo, nomeadamente todo o passado da espécie humana.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Críticas ao Utilitarismo








               Texto: Objeções ao utilitarismo de Mill



 Dificuldades de cálculo

Apesar dos princípios utilitaristas parecerem apelativos, há muitas dificuldades que se levantam quando tentamos coloca-los em prática.
É extremamente difícil medir a felicidade de pessoas diferentes. Quem decidirá se o enorme prazer do sádico ultrapassa ou não o sofrimento da sua vítima? Ou como se compara o prazer que um entusiasta de futebol tem quando a sua equipa marca um golo brilhante com as deleitosas vibrações de um devoto da ópera que ouve uma ária favorita? E como se comparam estes tipos de prazer com sensações de caráter mais físico, tais como as que se obtêm com o sexo e a alimentação?

Casos problemáticos

Outra objeção ao utilitarismo defende que este pode justificar muitas ações que habitualmente são consideradas imorais. Por exemplo, se pudesse mostrar-se que enforcar publicamente um inocente teria o efeito benéfico direto de reduzir os crimes violentos, por atuar como um fator de dissuasão, causando assim, no cômputo geral, mais prazer que dor, então o utilitarista seria obrigado a dizer que enforcar o inocente era a coisa moralmente correta a fazer (...).

                                   Nigel Warburton, Elementos Básicos de Filosofia

                Questões:
                1. Quais as objeções ao utilitarismo que o texto refere?
             

                A objeção da máquina de experiências


Esta objeção foi formulada pelo filósofo Robert Nozick. Imagina que tens à tua disposição um computador capaz de te fornecer todas as experiências que mais desejas. Passarás a ser uma pessoa absolutamente feliz e não alguém que ora sente alegria e entusiasmo pela vida, ora tristeza e tédio. A tua felicidade não terá interrupções. Mas tens de escolher entre ligar-te à máquina de experiências ou prosseguir a vida que já tens. Lembra-te que, se o fizeres, poderás viver a ilusão de seres, por exemplo, um ídolo pop, um revolucionário que transforma o mundo num lugar perfeito ou até um jogador de futebol milionário, informado e com gosto. Qual é a tua escolha?
Se o utilitarismo de Mill for verdadeiro, a escolha certa é estabelecer a ligação à máquina. Mas muito provavelmente não vais ser capaz de esquecer o valor que tem o facto de viveres uma vida real e dar o salto para a doce ilusão. Parece claro que fazer certas coisas tem valor para além do sentimento de felicidade que produz em ti. Não queres perder a autonomia e a realidade de fazer as coisas. Isto é eticamente crucial e está acima da felicidade.
                                       Faustino Vaz, A máquina de experiências in crítica
               
                Questões:
                1. O que mostra a objeção da máquina de experiências?

                



1. 
Exigências excessivas

  • Toda a ética se resume à beneficência – devemos fazer tudo para promover a felicidade geral.
  • Viveríamos quase em função do interesse dos outros.
  • É aceitável dedicarmo-nos a atividades e projetos que não contribuem para o bem-estar geral (ir ao cinema, tirar um curso…).

Dificuldades de cálculo
  • É muito difícil medir a felicidade de pessoas diferentes.
  • Como se comparam prazeres como assistir a um jogo de futebol ou assistir a uma ópera num conjunto de pessoas diferentes?
Consequências moralmente indesejáveis
  • Mesmo agindo de modo a produzir mais prazer que dor geral, há atos que são sempre moralmente indesejáveis e nunca podem ser considerados moralmente corretos (matar um inocente).









domingo, 8 de fevereiro de 2015

Princípios secundários


Klee




       

              Texto: Princípios Secundários



Os defensores da utilidade são frequentemente chamados a responder a objeções como esta – que antes da ação, não há tempo para calcular e pesar os efeitos de qualquer linha de conduta na felicidade geral. Isto é exatamente como se alguém dissesse que é impossível guiar a nossa conduta pelo cristianismo, já que, sempre que tenha de se fazer alguma coisa, não há tempo para ler todo o antigo testamento.
A resposta a esta objeção é que tem havido muito tempo, nomeadamente todo o passado da espécie humana. Ao longo de todo este tempo, a humanidade tem vindo a descobrir tendências das ações através da experiência, dependendo dessa experiência toda a prudência, bem como toda a moralidade da vida. As pessoas falam como se o começo deste curso de experiência tivesse sido posto de parte até aqui, e como se, no momento em que um homem se sente tentado a intrometer-se na propriedade ou na vida de outro, tivesse de começar a considerar pela primeira vez se o assassínio ou o roubo são prejudiciais para a felicidade humana. (…) É estranho pensar que um primeiro princípio é inconsistente com a aplicação de princípios secundários. Informar um viajante sobre o lugar do seu destino último não é proibir o uso de pontos de referência e de sinais pelo caminho. A proposição de que a felicidade é o fim e o objetivo da moralidade não significa que não se possa construir qualquer estrada para atingir esse objetivo, ou que as pessoas que seguem para lá não devam ser aconselhadas a seguir uma direção em vez de outra. (…) seja qual for o princípio que adotemos como princípio fundamental da moralidade, precisamos de princípios subordinados através dos quais possamos aplicá-los; a impossibilidade de passarmos sem eles, sendo comum a todos os sistemas, não pode proporcionar qualquer argumento contra um em particular (…)
                                                                       Stuart Mill, Utilitarismo

                 Questões:
                  1.  A que objeção ao utilitarismo se refere o texto?
                  2.  O que são princípios secundários?





                  Teremos de pensar sempre no princípio da maior felicidade antes de agirmos?
                  
                   Seria insensato e pouco prático:
                        -  Temos tendência para dar mais importância à nossa própria felicidade.
                        -  É muito difícil prever todas as consequências dos nossos atos.
                  Como sabemos, então, quando resulta da ação a maior felicidade geral?



Princípios secundários:
  • São princípios que, segundo o que a experiência tem mostrado, conduzem geralmente a boas consequências.
  • São bastante fáceis de aplicar.

Ex. Não devemos maltratar inocentes.





Utilitarismo


Renoir
Os utilitaristas sustentam que há um princípio que resume todos os nossos deveres morais. O princípio moral fundamental é o de que devemos fazer aquilo que produza os maiores benefícios possíveis para todos os que serão afectados pela nossa ação.

Este «princípio da utilidade» é enganosamente simples. Na verdade, é uma combinação de três ideias. 

Utilitarismo - uma ética consequencialista




O utilitarismo é o tipo mais bem conhecido de teoria ética consequencialista. Os seus mais famosos defensores foram Jeremy Bentham (1748-1832) e John Stuart Mill (1806-1873). O utilitarismo baseia-se no pressuposto de que o objetivo último de toda a atividade humana é (num certo sentido) a felicidade. Esta perspetiva é conhecida como hedonismo.

O Utilitarismo é um tipo de Consequencialismo




O Princípio da Maior Felicidade

O utilitarismo é um tipo de ética consequencialista. O seu princípio básico, conhecido como o Princípio da Utilidade ou da Maior Felicidade, é o seguinte: a acção moralmente certa é aquela que maximiza a felicidade para o maior número. E deve fazê-lo de uma forma imparcial: a tua felicidade não conta mais do que a felicidade de qualquer outra pessoa.

Utilitarismo


Matisse
O credo que aceita a utilidade, ou o Princípio Moral da maior Felicidade, como fundamento da moralidade, defende que as ações estão certas na medida em que tendem a promover a felicidade, erradas na medida em que tendem a reproduzir o inverso da felicidade. Por felicidade entende-se o prazer e a ausência de dor; por infelicidade, a dor e a privação de prazer.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O hedonismo qualitativo de Stuart Mill


Matisse

Se me perguntarem o que entendo pela natureza qualitativa dos prazeres, ou por aquilo que torna um prazer mais valioso que outro, simplesmente enquanto prazer e não por ser maior em quantidade, só há uma resposta possível. De dois prazeres, se houver um ao qual todos ou quase todos aqueles que tiveram a experiência de ambos darem uma preferência decidida, independentemente de sentirem qualquer obrigação moral para o preferis, então será esse o prazer mais desejável.(…)

A ética deontológica de Kant




sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O teste da universalização


Edward Hopper

Uma pessoa vê-se pressionada pela necessidade de pedir dinheiro emprestado. Ela sabe muito bem que não será capaz de pagar a dívida, mas também vê que nada lhe será emprestado a menos que prometa solenemente pagar a dívida num determinado prazo. Sente-se tentado a prometer; mas ainda lhe sobra suficiente consciência para se perguntar se não será  contrário ao dever deitar mão de tal recurso?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Boa Vontade


Neste mundo e até também fora dele, nada é possível pensar que possa ser considerado como bom sem limitação a não ser uma só coisa: uma Boa Vontade. Discernimento, argúcia de espírito, capacidade de julgar e como quer que possam chamar-se os demais talentos do espírito, ou ainda coragem, decisão, constância de propósito, como qualidades do temperamento, são sem dúvida a muitos respeitos coisas boas a desejáveis; mas também podem tornar-se extremamente más e prejudiciais se a Vontade, que haja de fazer uso destes dons naturais e cuja constituição particular por isso se chama carácter não for Boa.

segunda-feira, 3 de março de 2014

A relação entre o dever e a lei moral


Klee

(…) Dever é a necessidade de uma ação por respeito à lei (…)
Mas que lei pode ser então essa, cuja representação, mesmo sem tomar em consideração o efeito que dela se espera, tem de determinar a vontade para que esta se possa chamar boa, absolutamente e sem restrição?
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