(...) A ideia de
uma distinção entre uma vida com sentido e uma vida sem sentido não é
equivalente à diferença mais óbvia e incontroversa entre uma vida que é
subjetivamente satisfatória ou enriquecedora e outra que não o é. Quando
perguntamos se as nossas vidas têm sentido não estamos a fazer algo totalmente
introspetivo, e quando procuramos uma forma de dar sentido às nossas vidas,
não estamos à procura do comprimido da felicidade.
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segunda-feira, 14 de abril de 2014
O absurdo
Magritte, A Condição Humana
Muitos filósofos defendem que
se Deus não existe, a vida humana é um absurdo. Segundo eles, a condição humana
conteria assim uma desarmonia fundamental e imutável. Albert Camus
concentrou-se sobre o conflito entre a nossa exigência de que o mundo seja
razoável, ordeiro e atento a nós e a realidade do mundo, isto é, o facto de o
mundo ser mudo, inexpressivo e indiferente. Thomas Nagel acentua a discrepância
entre a insignificância objetiva das nossas vidas e dos nossos projectos e a
seriedade e a energia que lhes dedicamos. Como devemos então reagir?O sentido da vida - A relevância da morte
Magritte, O Além
O sentimento de que estamos
perante um problema quando pomos a questão do sentido da vida é frequentemente
induzido pela contemplação da morte. Na verdade, muitas vezes pensa-se — como
Schopenhauer (1851) e Tolstoi (1886) — que a questão emerge precisamente do
facto de as nossas vidas acabarem com a morte.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Camus: O Absurdo e a Finitude
CAMUS: O ABSURDO E A FINITUDE
“ A Filosofia de Camus é uma Filosofia do Absurdo, e o absurdo, para ele, nasce da relação entre o homem e o mundo, entre as exigências racionais do homem e a irracionalidade do mundo”. Sartre
A vida humana pode não ter sentido, mas também ser absurda. O mundo é constituído por despropósitos onde não parece existir finalidade e valor.
Para Camus a vida é absurda, não tem sentido. A inutilidade do sofrimento e a inevitabilidade da morte confirma a sua posição.
A Peste é um romance fascinante que nos leva a reflectir sobre a finitude do homem e a morte eminente. Aqui o homem está perante uma situação limite.
Em O Estrangeiro, é tratado o absurdo da existência. O homem sente-se um estrangeiro entre os homens, um exilado do mundo para o qual não encontra um sentido. A personagem vive o absurdo, opta pelo fracasso ou pela desistência da vida.
Em O Estrangeiro Camus o absurdo centra-se no indivíduo, em A Peste o absurdo é colectivo. Nos dois casos a gratuidade da vida, da morte, dos acontecimentos e a irracionalidade do mundo.
Heidegger define o homem como um “ser-para-a-morte”; a morte não é apenas um fim inevitável, pertence à estrutura íntima do homem.
Para os existencialistas, a morte é exterioridade, é a negação do homem e, por isso absurda.
Trata-se de um romance que coloca o homem frente à situação-limite que mais o assusta: a morte, não como resultado do ciclo da existência, o que é natural, mas trágica, dolorosa, com sofrimento. E mais: gratuita, um capricho cruel que surge repentinamente, impondo um fim gradual e pavoroso. Dada sua omnipresença e força simbólica, a morte é uma personagem nesse livro da separação e da esperança.
Através do Mito de Sísifo, ensaio sobre o absurdo, Camus procura mostrar como o esforço humano é inútil, como a existência tem uma natureza absurda.
O mito de Sísifo é um mito grego onde Sísifo, rei de Corinto, por ter desafiado os Deuses, contando os seus segredos aos mortais, foi condenado a empurrar uma pedra enorme, sem descanso, até ao cume de uma montanha. Mas, assim que chegava ao topo, a pedra resvalava e era preciso começar de novo, eternamente. Esta imagem traduz a existência humana, onde as tarefas se iniciam num ciclo sem fim.
O Absurdo significa o sem sentido do que não está de acordo com as leis da lógica.
Jean Paul Sartre escreveu no Prefácio de “O Mito de Sísifo” “ A Filosofia de Camus é uma Filosofia do Absurdo, e o absurdo, para ele, nasce da relação entre o homem e o mundo, entre as exigências racionais do homem e a irracionalidade do mundo”.
Efectivamente, o sentimento de absurdo nasce do confronto inconsequente e doloroso entre o homem e o mundo. O homem procura a inteligibilidade do mundo e da vida mas a realidade apresenta-se irracional.
Mas é a estranheza que se revela na existência; os outros e nós mesmos revelam-se estranhos. Queremos promover valores mas a existência afirma-se nua e crua com um sofrimento inadmissível.
Mas o que fazer, face ao absurdo?
Não podemos fugir à condição humana. A resposta deve ser a revolta. A recusa em cooperar com a injustiça, com a desonestidade
João MB, 11º ano
segunda-feira, 7 de maio de 2012
O problema do sentido da vida

O sentido da vida é uma questão existencial, filosófica por excelência. Ainda que não seja uma questão central na filosofia, ela não deixa de estar na sua base, de forma mais ou menos implícita. A questão do sentido da vida não é alheia à necessidade de compreender a realidade, de construir sentidos; ela está presente nas questões éticas.
A questão do sentido da vida é existencial mas também metafísica. Ela coloca-se na consciência que o homem tem da sua existência, da inquietação perante a sua finitude, o absurdo da morte.
É um tema que nos fascina porque nos leva a problematizar a nossa existência, confronta-nos com a estranheza e com o absurdo da vida, abrindo-nos, simultaneamente, perspectivas de esperança e de construção de sentidos.
Importa formular o problema existencial: o sentido da vida e clarificar as questões relativas à condição humana, a finitude e a temporalidade.
Algumas perspectivas de interesse: o existencialismo e o absurdo; o transcendente e a perspectiva ética.
Em que consiste o problema do sentido da vida?
E em que perspectivas se pode colocar esta questão? De um ponto de vista subjectivo ou objectivo? Coloca-se esta questão no sentido daquele que vive a sua vida e se sente ou não feliz?
O problema do sentido da vida consiste em perguntar se a vida tem uma finalidade última, se tem valor e significado. A pergunta sobre o sentido liga-se à questão do valor. Qual o valor da nossa vida? Vale a pena viver? Ou será que tudo é inútil e desprovido de interesse?
Esta questão emerge da inquietação da existência humana. Da consciência da sua temporalidade e finitude. A inevitabilidade da morte é central nesta questão. Radica aqui o tema do absurdo.
O problema é a vida acabar com a morte? Se não houvesse a morte, a vida passaria a ter sentido? A existência de deus e a promessa de vida eterna resolveria a questão?
Perguntar pelo sentido da vida é interrogar sobre o valor da finalidade última da vida como um todo, independentemente das circunstâncias e interesses particulares.
No mito de Sísifo há uma finalidade, colocar a pedra no cimo da montanha. A falta de sentido não está na ausência de finalidade mas do facto de nunca atingir essa finalidade? Mas a questão não estará aqui mas no facto da finalidade não ter valor.
João MB, 11º ano
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