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sábado, 15 de novembro de 2014

Os sofistas e o mau uso da retórica



Os sofistas propunham-se, mediante um pagamento, ganhar qualquer discussão, especialmente em tribunal, por quaisquer meios de que dispusessem.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A retórica como manipulação




No diálogo Górgias, o tema central é a retórica, ligada à democracia e à educação dos jovens. Surge aqui a oposição entre os sofistas e os filósofos a propósito deste tema.

Com base no método dialético que consiste em colocar questões ao interlocutor para que, a partir da definição dos assuntos que investiga, se aproxime da verdade, Sócrates que reconhece a sua ignorância, interroga Górgias — um mestre da Retórica — sobre a importância e o poder da retórica.
Sócrates procura, mediante a definição de arte/techné, clarificar os conceito conhecimento e opinião, e adulação e verdade.
O título do diálogo deve-se ao facto de ter sido Górgias que introduziu a Retórica em Atenas, tendo sido considerado o primeiro responsável pela sua prática demagógica.


SÓCRATES: Dizias há pouco que até em questão de saúde o orador é mais persuasivo do que o médico.
GÓRGIAS: Sim, perante uma multidão.
SÓCRATES: Perante uma multidão quer dizer, certamente, perante aqueles que não sabem, porque, perante aqueles que sabem, o orador não pode ser mais persuasivo do que o médico.
GÓRGIAS: Dizes bem.
SÓCRATES: Nesse caso, se ele for mais persuasivo do que o médico, será mais persuasivo do que aquele que sabe.
GÓRGIAS: Sem dúvida.
 SÓCRATES: E isto sem ser médico, não é verdade?
GÓRGIAS: Sim.
SÓCRATES: Mas aquele que não é médico não é ignorante nas matérias em que o médico é entendido?
 GÓRGIAS: Claro que é.
SÓCRATES: Nesse caso, se ele formais persuasivo do que o médico, é um ignorante a ser mais persuasivo do que um entendido perante uma multidão de ignorantes. É realmente isto que sucede ou é outra coisa?

GÓRGIAS: No caso presente é o que sucede.
SÓCRATES: E não estão o orador e a retórica na mesma situação relativamente a todas as outras artes? Não precisa a retórica de conhecer a natureza das coisas, mas tão-somente de encontrar um meio qualquer de persuasão que a faça aparecer aos olhos dos ignorantes como mais entendidos do que os entendidos.
                                                                                             (PLATÃO, Górgias)


MANIPULAÇÃO
Tira partido das limitações do auditório
Recorre a argumentos falaciosos
Não se dirige ao pensamento do auditório mas à emoção
Trata o auditório como instrumento (meio para atingir os seus interesses)
PERSUASÃO RECIONAL
Persuasão racional do auditório
Dirige-se à inteligência do auditório para que este compreenda os seus argumentos



Platão  
O objectivo dos filósofos é a procura da verdade
Distinção entre aparência e realidade, conhecimento sensível e conhecimento racional
Só o verdadeiro conhecimento merece ser defendido
Sofistas
A verdade é um ponto de vista, toda a verdade é relativa
Qualquer opinião é defensável
A verdade é a tese do orador que vence a discussão (com melhor desempenho argumentativo)



De que forma se opõe Platão à retórica?
Retórica e Filosofia
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