domingo, 26 de maio de 2013

A arte como expressão


Viajante sobre um Mar de Névoa (1818), C.D. Friedrich

Sebenta de Filosofia ver aqui

A arte é uma atividade humana que consiste nisto: um homem comunica conscientemente a outros, por meio de certos sinais externos, os sentimentos de que teve experiência, e outras pessoas são contaminadas por estes sentimentos e também deles têm experiência.
                                                                                           Tolstoi, O que é a Arte?

quarta-feira, 22 de maio de 2013

O problema da definição da "obra de arte"


Veemeer, A Leiteira  (1688)

O que é a arte? Três teorias sobre um problema central da estética - Crítica

TEORIA DA ARTE COMO IMITAÇÃO

Esta é uma das mais antigas teorias da arte. Foi, aliás, durante muito tempo aceite pelos próprios artistas como inquestionável. A definição que constitui a sua tese central é a seguinte:

Uma obra é arte se, e só se, é produzida pelo homem e imita algo.

A característica própria desta teoria não reside no facto de defender que uma obra de arte tem de ser produzida pelo homem, o que é comum a outras teorias, mas na ideia de que para ser arte essa obra tem de imitar algo. Daí que seja conhecida como teoria da arte como imitação.

Vários foram os filósofos que se referiram à arte como imitação. Alguns desprezavam-na por isso mesmo, como acontecia com o conhecido filósofo grego Platão que, ao considerar que as obras de arte imitavam os objectos naturais, via essas obras como imagens imperfeitas dos seus originais. Ainda por cima quando, no seu ponto de vista, os próprios objectos naturais eram por sua vez cópias de outros seres mais perfeitos. Já o seu contemporâneo Aristóteles, mantendo embora a ideia de arte como imitação, tinha uma opinião mais favorável à arte, uma vez que os objectos que a arte imita não são, segundo ele, cópias de nada.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O juízo estético em Kant



Naufrágio, Turner

"Esta tempestade no mar é sublime", não é uma opinião pessoal.



O primeiro lugar-comum do gosto está contido na proposição com a qual cada pessoa sem gosto pensa precaver-se contra a censura: cada urna tem o seu próprio gosto. Isto equivale dizer que o princípio determinante deste juízo é simplesmente subjectivo (deleite ou dor) e que o juízo não tem nenhum direito ao necessário assentimento dos outros. O Segundo lugar-comum do gosto, que também é usado até por aqueles que concedem ao juízo de gosto o direito de expressar-se validamente por qualquer um, é: não se pode disputar sobre o gosto. O que equivale dizer que o princípio determinante de um juízo de gosto na verdade pode ser também objectivo, mas que ele não se deixa conduzir a conceitos determinados; por conseguinte, nada pode ser decidido sobre o próprio juízo através de provas, conquanto se possa perfeitamente e com direito discutir a esse respeito. 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

O Padrão do Gosto





O problema da justificação dos juízos estéticos - aqui


O sentimento está sempre certo – porque o sentimento não tem outro referente senão ele mesmo e é sempre real, quando alguém tem consciência dele. Mas nem todas as determinações do entendimento são certas, porque têm como referente algumas coisas para além delas mesmas, a saber, os factos reais e nem sempre são conformes a esse padrão. Entre mil e uma opiniões que pessoas diferentes podem ter a respeito do mesmo assunto, há uma e apenas uma que é justa e verdadeira e a única dificuldade é encontrá-la e confirmá-la. Pelo contrário, os mil e um sentimentos despertados pelo mesmo objecto são todos certos, porque nenhum sentimento representa o que realmente está no objeto. Ele limita-se a observar uma certa conformidade ou relação entre o objecto e os órgãos ou faculdades do espírito e, se essa conformidade realmente não existisse, o sentimento jamais poderia ter ocorrido. A beleza não é uma qualidade das próprias coisas, existe apenas no espírito que a contempla e cada espírito percebe uma beleza diferente. É possível até uma pessoa encontrar deformidade onde uma outra vê apenas beleza e qualquer indivíduo deve concordar com o seu próprio sentimento, sem ter a pretensão de regular o dos outros.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A mistura de fatores objetivos e subjetivos na escolha das teorias




 (…) Mas devemos ir além da lista de critérios partilhados para as características dos indivíduos que fizeram a escolha. Quer dizer, há que lidar com características que variam de um cientista para outro sem com isso arriscar minimamente a sua aderência aos cânones que tornam científica a ciência. Embora tais cânones existam e devam ser descobertos (sem dúvida, os critérios de escolha com que comecei estão entre eles), não são por si suficientes para determinar as decisões dos cientistas individuais. Para esse propósito, os cânones partilhados devem estudar-se de maneiras que diferem de um indivíduo para outro.

Características de uma boa teoria científica



Começarei por perguntar: quais são as características de uma boa teoria científica? Entre muitas das respostas usuais, seleccionei cinco, não porque sejam exaustivas, mas porque são individualmente importantes e em conjunto suficientemente variadas para indicar o que está em jogo. Em primeiro lugar, uma teoria deve ser exacta: quer dizer, no seu domínio, as consequências deduzíveis de uma teoria devem estar em concordância demonstrada com os resultados das experimentações e observações existentes. Em segundo lugar, uma teoria deve ser consistente, não só internamente ou com ela própria, mas também com outras teorias correntemente aceites e aplicáveis a aspectos relacionados da natureza. Terceiro, deve ter um longo alcance: em particular, as consequências de uma teoria devem estender-se muito para além das observações, leis ou subteorias particulares, para as quais ela estava projectada em princípio. Quarto, e relacionado de perto com o anterior, deve ser simples, ordenando fenómenos que, sem ela, seriam individualmente isolados e, em conjunto, seriam confusos. Quinto - uma rubrica um tanto ou quanto menos padronizada, mas de especial importância para decisões científicas reais -, uma teoria deve ser fecunda quanto a novas descobertas de investigação: deve desvendar novos fenómenos ou relações anteriormente não verificadas entre fenómenos já conhecidos.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

A incomensurabilidade dos paradigmas



À semelhança da escolha entre instituições políticas rivais, a que se verifica entre paradigmas rivais revela ser uma escolha entre modos de vida comunitária incompatíveis. Devido a este caráter, a escolha não é, nem pode ser, determinada meramente pelos procedimentos de avaliação característicos da ciência normal, pois estes dependem, em parte, de um paradigma específico, e esse paradigma está em causa. Quando os paradigmas são incluídos, como devem, num debate de escolha entre paradigmas, o seu papel é necessariamente circular. Cada grupo utiliza o seu próprio paradigma para argumentar em defesa do próprio.
                                                                Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas


domingo, 12 de maio de 2013

O desenvolvimento descontinuísta da ciência




A ciência normal, a atividade em que, inevitavelmente, a maioria dos cientistas consome quase todo o seu tempo, constitui-se na suposição de que a comunidade científica sabe como é o mundo. Grande parte do êxito da pesquisa deve-se ao facto da comunidade se encontrar disposta a defender essa suposição, mesmo que seja necessário pagar um preço elevado. A ciência normal, por exemplo, suprime frequentemente inovações fundamentais, devido a permanecerem demasiado subversivas relativamente às suas crenças habituais.

Ciência e verdade






A esta altura, percebe-se claramente a diferença entre verdade e corroboração. Apreciar um enunciado dando-o como corroborado, é também uma apreciação lógica e, portanto, intemporal; assevera que certa relação lógica está em vigor entre um sistema teorético e um sistema qualquer de enunciados básicos aceites. Entretanto, nunca podemos dizer que um enunciado, como tal, está por si mesmo “corroborado” (no sentido em que podemos dizer que é verdadeiro). Só podemos dizer que está corroborado com respeito a algum sistema de enunciados básicos – sistema aceite num determinado tempo. A corroboração que uma teoria recebeu ontem não é idêntica à corroboração que uma teoria recebeu hoje. (…)

segunda-feira, 6 de maio de 2013

A atitude estética - características





A atitude estética, ou a «forma estética de contemplar o mundo», é geralmente contraposta à atitude prática, na qual só interessa a utilidade do objecto em questão. O verdadeiro negociante de terrenos que contempla uma paisagem só a pensar no possível valor monetário do que vê não está a contemplar esteticamente a paisagem. Para a contemplar dessa maneira teria de «a observar por observar», sem qualquer outra intenção — teria de saborear a experiência de observar a própria paisagem, tomando atenção aos seus detalhes, em vez de utilizar o objecto observado como um meio para atingir um certo fim.

terça-feira, 30 de abril de 2013

O problema da demarcação




As teorias científicas estão formuladas em termos precisos, e por isso conduzem a previsões definidas. As leis de Newton, por exemplo, dizem-nos exactamente onde certos planetas aparecerão em certos momentos. Popper chama a isto o "problema da demarcação" — qual é a diferença entre a ciência e outras formas de crença? A sua resposta é que a ciência, ao contrário da superstição, pelo menos é falsificável, mesmo que não possa ser provada. E isto significa que, se tais previsões fracassarem, poderemos ter a certeza de que a teoria que está por detrás delas é falsa. Pelo contrário, os sistemas de crenças como a astrologia são irremediavelmente vagos, de tal maneira que se torna impossível mostrar que estão claramente errados. A astrologia pode prever que os escorpiões irão prosperar nas suas relações pessoais à quinta-feira, mas, quando são confrontados com um escorpião cuja mulher o abandonou numa quinta-feira, é natural que os defensores da astrologia respondam que, considerando todas as coisas, o fim do casamento provavelmente acabou por ser melhor. Por causa disto, nada forçará alguma vez os astrólogos a admitir que a sua teoria está errada. A teoria apresenta-se em termos tão imprecisos que nenhumas observações actuais poderão falsificá-la.

Como procede o cientista para conhecer a realidade?




O salmão prateado nasce nas correntes frias do noroeste do Oceano Pacífico. O pequeno peixe nada até ao Pacífico Sul, onde poderá passar até cinco anos para atingir a maturidade física e sexual. Em seguida, em resposta a algum estímulo desconhecido, volta às correntes frias para desovar. Acompanhando o roteiro do peixe, descobre-se um facto curioso. Ele volta, quase sempre, precisamente ao seu local de origem. Eis aqui um facto-problema que pede explicação. Como é possível que o peixe identifique exactamente o lugar onde nasceu, depois de tantos anos e de percorrer tão longa distância?
Uma das hipóteses sugeridas para explicar o retorno foi a de que o salmão descobre o caminho de volta reconhecendo objectos que identificou durante a primeira viagem. Se esta hipótese estivesse correcta, então, vendando os olhos do salmão, ele não conseguiria voltar. Daí temos:
H1: o salmão utiliza apenas os estímulos visuais para encontrar o seu caminho de volta.
Consequência preditiva: o salmão x, com os olhos vendados, não será capaz de voltar.

 Suponha-se que o salmão x, com os olhos vendados, encontre o seu caminho de volta. O resultado dessa experiência falseia a hipótese. Por outro lado, suponha-se que o peixe com os olhos vendados não encontre o caminho de volta. Este resultado seria capaz de verificar, assegurar a verdade da hipótese do estímulo visual? Não. Apenas podemos afirmar que o resultado experimental apoiou a hipótese.(...)
As experiências realizadas para testar a predição da hipótese acima revelaram que todos os salmões com os olhos vendados conseguiram voltar ao seu lugar de origem, o que desconfirma a hipótese.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Falsificacionismo: Conjetura e Refutação



Perspetiva falsificacionista aqui
O problema da demarcação aqui

Outra saída para o problema da indução, pelo menos tal como ele afeta o tema do método científico, é negar que a indução seja a base do método científico. O falsificacionismo, a filosofia da ciência desenvolvida por Karl Popper (1902-1994), entre outros, faz isso mesmo. Os falsificacionistas defendem que a perspetiva simples da ciência está errada. Os cientistas não começam por fazer observações, começam por uma teoria. As teorias científicas e as chamadas leis da natureza não pretendem à verdade: ao invés, são tentativas especulativas de oferecer uma análise de vários aspetos da natureza. São conjeturas: suposições bem informadas, concebidas para serem melhores do que as teorias anteriores.

Tentativas de solução ao problema da indução



"Não podemos ter a certeza que o sol irá nascer amanhã, mas podemos, com base na indução, achar que isso é altamente provável"


Parece funcionar
Uma resposta ao problema da indução é fazer notar que a confiança na indução não é apenas generalizada, mas também razoavelmente frutuosa; a maior parte das vezes é uma forma bastante útil de descobrir irregularidades na natureza e de descobrir o seu comportamento futuro.

domingo, 21 de abril de 2013

O problema da indução



Alguém pode dizer: "De facto, não podemos deduzir validamente proposições sobre o futuro de proposições sobre o passado; isso seria uma dedução e nós não a temos neste caso. Mas os indícios aqui são indutivos: a indução dá-nos probabilidades, não certezas, mas diz-nos que se as pedras sempre caíram há a probalidade, não a certeza, de que cairão amanhã." Mas isto, claro, é o que Hume põe em questão: a aceitabilidade dos argumentos indutivos. Dizer que há evidência indutiva de que a indução continuará a ser fiável é assumir o que está em questão:

Do senso comum à ciência




Uma característica notável de muita da informação que adquirimos através da experiência comum é que, embora ela possa ser suficientemente precisa dentro de certos limites, raramente é acompanhada por qualquer explicação que nos diga por que se deram certos factos alegados. Deste modo, as sociedades que descobriram os usos da roda habitualmente nada sabiam sobre forças de fricção, nem sobre as razões que fazem que os bens colocados em veículos com rodas possam ser transportados com mais facilidade do que os bens arrastados pelo chão. Muitas pessoas aprenderam que era aconselhável estrumar os seus campos agrícolas, mas poucas se preocuparam com as razões para agir assim. As propriedades medicinais das plantas como a dedaleira foram reconhecidas há séculos, embora habitualmente não se tenha oferecido qualquer explicação das suas propriedades benéficas. Além disso, quando o “senso comum” tenta dar explicações para os seus factos – como quando se explica o valor da dedaleira como estimulante cardíaco através da semelhança entre a forma da flor e o coração humano – muitas vezes não há testes da relevância das explicações para os factos.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Teste intermédio de filosofia



Teste Intermédio de Filosofia 

VERSÃO 1 - aqui

VERSÃO 2 - aqui

Critérios de correção - aqui


O teste intermédio integra os conteúdos relevantes de uma forma equilibrada (melhor que o de 2012). 

Desobediência civil




Algumas pessoas argumentam que a violação da lei nunca pode justificar-se: se não estamos satisfeitos com a lei devemos tentar mudá-la através dos meios legais, como as campanhas, a redacção de cartas, etc. Mas há muitos casos em que tais protestos legais são completamente inúteis. Há uma tradição de violação da lei em tais circunstâncias conhecida por desobediência civil. A ocasião para a desobediência civil emerge quando as pessoas descobrem que lhes é pedido que obedeçam a leis ou a políticas governamentais que consideram injustas.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O papel de Deus no sistema cartesiano





Mas desde que reconheci que existe um Deus, ao mesmo tempo compreendi também que tudo o resto depende dele e que ele não é enganador, e daí concluí que tudo o que concebo clara e distintamente é necessariamente verdadeiro, mesmo que não atente nas razões pelas quais julguei que isso era verdadeiro, mas apenas me recorde de o ter visto clara e distintamente. 

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Retórica e filosofia



Retórica como manipulação aqui
Sofistas e Platão aqui
Retórica e democracia aqui

Pode-se dizer que os sofistas criaram a retórica como arte do discurso persuasivo, objeto de um ensino sistemático e global que se fundava numa visão do mundo. (…) Deve-se a eles a ideia de que a verdade nunca passa do acordo entre interlocutores, acordo final que resulta da discussão, acordo inicial também, sem o qual a discussão não seria possível. (…)

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O problema da justiça



Consulta no blog - Sebenta de Filosofia - Os problemas da Filosofia Política

Justiça
Retributiva – refere-se ao modo apropriado com que o Estado pune e castiga quem comete infrações
Distributiva – refere-se ao modo adequado como são distribuídos os bens e os encargos

O problema da Justiça:
Como se deve fazer a distribuição? Qual deve ser o critério para cada um receber o que lhe é devido?

Todos devem receber o mesmo?
Devem receber mais os que têm mais mérito?
Devem receber segundo a maior utilidade geral?

O Problema da justificação do Estado



Consulta no blog Sebenta de Filosofia - Problemas da Filosofia Política


Problema da justificação do Estado

O que legitima a autoridade do Estado?
Qual o fundamento da autoridade do Estado?
Temos sempre o dever de obedecer ao Estado? Haverá situações em que é legítimo desobedecer?

Ver aqui


Teorias Contratualistas

Teorias que explicam a origem e legitimidade do Estado mediante um pacto segundo o qual os indivíduos admitem ser governados por um poder e autoridade soberanos em troca da garantia da ordem e paz social.


Teorias de T. Hobbes e J. Locke

Ver aqui

quarta-feira, 27 de março de 2013

O problema da previsão das consequências





Os defensores da utilidade também são frequentemente chamados a responder a objeções como esta – que antes da ação, não há tempo para calcular e pesar os efeitos de qualquer linha de conduta na felicidade geral. Isto é exactamente como se alguém dissesse que é impossível guiqr a nossa conduta pelo cristianismo, já que sempre que tenho de fazer alguma coisa, não há tempo para ler todo o Antigo e o Novo Testamento. A resposta à objeção é que tem havido muito tempo, nomeadamente todo o passado da espécie humana. Ao longo desse tempo, a humanidade tem vindo a descobrir as tendências das ações através da experiência, dependendo dessa experiência toda a prudência, bem como toda a moralidade da vida. As pessoas falam como se o começo desse curso de experiência tivesse sido posto de parte até aqui, e como se, no momento em que o homem se sente tentado a intrometer-se na propriedade ou na vida do outro, tivesse de começar a considerar pela primeira vez se o assassínio ou o roubo são prejudiciais para a felicidade humana. Penso que mesmo nesse caso ele não consideraria a questão muito enigmática, mas, seja como for, a questão hoje chegar-lhe-ia resolvida às mãos. É realmente estranho que, se os seres humanos tivessem concordado quanto a considerar a utilidade como o teste da moralidade, permaneceriam sem qualquer acordo sobre aquilo que é útil e não tomariam quaisquer medidas para que as suas noções sobre o assunto fossem ensinadas aos jovens e inculcadas pela lei e pela opinião.(…)

terça-feira, 26 de março de 2013

Teste Intermédio de Filosofia



Aproxima-se o teste intermédio de Filosofia...

A adesão ao teste intermédio de Filosofia não é consensual.

A oposição ao teste intermédio integra, entre outros, argumentos relativos à natureza dos exames e às limitações didáticas e pedagógicas decorrentes da existência de avaliação externa: os exames não são essenciais à aprendizagem e nem sempre constituem os instrumentos mais adequados e/ ou fiáveis para avaliar as competências adquiridas pelos alunos; o ensino da filosofia não pode limitar-se à preparação/ treino dos alunos para a realização de um exame; podemos motivar os alunos e desenvolver um bom trabalho sem a perspetiva de exame; o problema da fiabilidade intercorretores pode por (põe) em causa os seus resultados; o teste intermédio não é essencial para preparar os alunos para exame (sempre se fizeram exames sem testes intermédios); os testes intermédios constituem um limite ao exercício da autonomia científica e pedagógica dos professores/ grupos disciplinares nas escolas…
Ora, eu defendo claramente a existência do teste intermédio na sequência da existência do exame nacional (exame que deveria ser obrigatório). Integrado no processo de preparação para exame parece-me importante, tanto do ponto de vista do aluno, como do professor (há benefício para os alunos e para o professor experimentarem uma prova externa que antecipa o exame).
Mas a questão que me parece fundamental é que avaliação externa tem um papel importante, regulador da qualidade de ensino; ela supõe que se estabeleçam conteúdos programáticos, que se definam competências a desenvolver e a avaliar, para todos os alunos, independentemente da escola que frequentam ou do professor que lhes “calha”. O programa aberto aos percursos, perspetivas, opções e preferências de cada um propiciou uma ampla liberdade para dar as aulas ao “critério de cada um”. E este “ficar ao critério de cada um”, como sabemos, pode dar para o melhor ou para o pior...
A filosofia enquanto disciplina do ensino secundário precisa de se reabilitar, de ser reconhecida a sua importância curricular (com um estatuto equiparado às outras disciplinas consideradas estruturantes), enquanto disciplina que permite desenvolver a capacidade de argumentar e pensar criticamente.
É claro que o ensino da filosofia não se deve centrar/ esgotar na preparação dos alunos para o exame, daí a importância da concordância entre a seleção de conteúdos relevantes e das competências a desenvolver e a avaliar nas aulas e aquelas que são objeto dos exames.
.                                                                                            H.B.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Conhecimentos de facto e a relação de causalidade




Todos os raciocínios relativos aos factos parecem fundar-se na relação de causa e efeito. Só mediante esta relação podemos ir além do testemunho da nossa memória e dos nossos sentidos. Se perguntássemos a um homem porque acredita ele em alguma questão de facto  que está ausente, por exemplo, que o seu amigo está no campo ou na França, fornecer-nos-ia uma razão e esta razão seria algum outro facto, como uma carta dele recebida ou o conhecimento das suas antigas resoluções e promessas. Um homem que encontrasse um relógio ou qualquer outra máquina numa ilha deserta concluiria que noutros tempos estiveram homens nessa ilha. Todos os nossos raciocínios acerca de factos são da mesma natureza. E aqui supõe-se constantemente que existe uma conexão entre o facto presente e aquele que dele é inferido. Se nada houvesse a ligá-los, a inferência seria inteiramente precária. A audição de uma voz articulada e de discurso racional na escuridão certifica-nos da presença de alguma pessoa. Porquê? Porque são efeitos da maneira de ser e da estrutura humanas, e intimamente a elas adstritos. Se analisamos todos os outros raciocínios desta natureza, veremos que se baseiam na relação de causa e efeito, e que esta relação é próxima ou remota, directa ou colateral. O calor e a luz são efeitos colaterais do fogo, e um efeito pode ser adequadamente inferido a partir do outro.
                                                              David Hume, Investigação Sobre o Entendimento Humano



Não há nenhuma impressão sensível da qual derive a ideia de causa

Mas observamos:

-        A SUCESSÃO TEMPORAL

-       A CONJUNÇÃO CONSTANTE ENTRE DOIS FENÓMENOS E CHAMAMOS CAUSA AO QUE PRECEDE E EFEITO AO QUE SUCEDE

Ao observar que um acontecimento A tem até agora sido sempre seguido do acontecimento B, acreditamos que, da próxima vez que ocorrer A, sucederá B.

-  A OBSERVAÇÃO DESTA CONSTANTE CONJUGAÇÃO, LEVA-NOS A FORMAR A IDEIA DE CAUSA.

-      A IDEIA DE CAUSA NÃO DERIVA DA OBSERVAÇÃO DE UM FENÓMENO MAS DO COSTUME, DO HÁBITO DE ESPERAR QUE B ACONTEÇA MAL VEMOS A ACONTECER.


sexta-feira, 15 de março de 2013

Relações entre ideias e conhecimentos de facto







    Todos os objectos da razão ou investigação humanas podem naturalmente dividir-se em duas classes, a saber, Relações de Ideias e Questões de Facto. Do primeiro tipo são as ciências da Geometria, Álgebra e Aritmética e, em suma, toda a afirmação que é intuitiva ou demonstrativamente certa. Que o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos dois lados é uma proposição que exprime uma relação entre estas figuras. Que três vezes cinco é igual à metade de trinta expressa uma relação entre estes números. Proposições deste tipo podem descobrir-se pela simples operação do pensamento, sem dependência do que existe em alguma parte no universo. Ainda que nunca tivesse havido um círculo ou um triângulo na natureza, as verdades demonstradas por Euclides conservariam para sempre a sua certeza e evidência.
    As questões de facto, que constituem os segundos objectos da razão humana, não são indagadas da mesma maneira, nem a nossa evidência da sua verdade, por maior que seja, é de natureza semelhante à precedente. O contrário de toda a questão de facto é ainda possível, porque jamais pode implicar uma contradição, e é concebido pela mente com a mesma facilidade e nitidez, como se fosse idêntico à realidade. Que o Sol não se há-de levantar amanhã não é uma proposição menos inteligível e não implica maior contradição do que a afirmação de que ele se levantará. Por conseguinte, em vão tentaríamos demonstrar a sua falsidade.
                  David Hume, Investigação Sobre o Entendimento Humano



TIPOS DE CONHECIMENTO

  - As relações de ideias conhecimentos apriori que resultam da análise dos elementos de uma proposição     e do estabelecimento de relações entre as ideias que ela contém.

  A verdade das proposições que exprimem relações de ideias constituem conhecimentos que não dependem do confronto com a experiência

As relações de ideias são verdades necessárias: não é logicamente possível a sua negação

-  Os conhecimentos de questões de facto são a posteriori e a verdade destas proposições tem de ser testada pela experiência.

Impressões e ideias



Todos admitirão prontamente que há uma diferença considerável entre as percepções da mente quando uma pessoa sente a dor de um calor excessivo ou o prazer de uma tepidez moderada, e quando mais tarde traz à memória essa sensação ou a antecipa pela sua imaginação. Essas faculdades podem imitar ou copiar as perceções dos sentidos, mas jamais podem atingir toda a força e vivacidade do sentimento original. (…) Todas as cores da poesia, por mais esplêndidas que sejam, jamais serão capazes de retractar os objetos naturais de modo tal que se tome a descrição por uma paisagem real. O mais vivido pensamento será sempre inferior à mais ténue das sensações.



Podemos aqui, portanto, dividir todas as percepções da mente em duas classes ou espécies, que se distinguem pelos seus diferentes graus de força e vivacidade. As que são menos fortes e vividas são geralmente chamadas pensamentos ou ideias. A outra espécie carece de nome na nossa língua, bem como na maioria das outras, e suponho que isto acontece porque nunca foi necessário para qualquer finalidade, com exceção das de caráter filosófico, designá-las por qualquer termo ou denominação geral. Permitamo-nos portanto uma certa liberdade e chamemos-lhes impressões, empregando esta palavra num sentido um pouco diferente do habitual. Entendo pelo termo impressão, assim, todas as nossas impressões mais vividas, sempre que ouvimos, ou vemos, ou sentimos, ou amamos, ou odiamos, ou desejamos ou queremos. E as impressões são distintas das ideias, que são as percepções menos vividas de que temos consciência, quando reflectimos sobre qualquer das sensações ou movimentos acima mencionados.


A primeira vista, nada pode parecer mais ilimitado do que o pensamento humano, que não apenas escapa a toda autoridade e a todo poder do homem, mas também nem sempre é reprimido dentro dos limites da natureza e da realidade. Inventar monstros e juntar as mais incongruentes formas e aparências não custa à imaginação mais esforço do que conceber os  objetos mais naturais e familiares. E enquanto o corpo está confinado a um só planeta, sobre  o qual se arrasta com dor e dificuldade, o pensamento pode-nos transportar num instante às mais distantes regiões do universo, ou mesmo para além do universo, até ao caos ilimitado, onde se supõe que a Natureza jaz em total confusão. Aquilo que nunca se viu, ou de que nunca se ouviu falar,  pode ainda ser concebido; e nada há que fique fora do alcance do pensamento, exceto o que implicar absoluta contradição.

Mas embora o nosso pensamento pareça possuir essa liberdade ilimitada, vemos como um exame mais atento nos mostrará que ele realmente está confinado a limites muito estreitos, e que todo este poder criador da mente não é mais do que a capacidade compor, transpor, aumentar e diminuir os materiais que nos são fornecidos pelos sentidos e pela experiência. Quando pensamos numa montanha de ouro, estamos apenas a juntar duas ideias consistentes, a de ouro e a de montanha, as quais já conhecíamos anteriormente. Podemos conceber um cavalo virtuoso porque a partir dos nossos próprios sentimentos, podemos conceber a virtude, e depois uni-la à forma e à figura de um cavalo, animal que nos é familiar. Em suma, todos os materiais do pensamento derivam de nossas sensações externas ou internas. Apenas a mistura e composição deles compete à mente e à vontade. Ou, para me expressar em linguagem filosófica, todas as nossas ideias ou percepções mais fracas são cópias de nossas impressões ou percepções mais vivas.

                                             David Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano

Conteúdos do Pensamento

          Os conteúdos da mente são as impressões e as ideias
          As impressões correspondem aos dados da experiência, referem-se às nossas sensações externas e aos nossos sentimentos.
          As ideias são as representações ou imagens debilitadas, enfraquecidas, das impressões.
          A diferença entre as impressões e as ideias é de grau e não de natureza; as ideias são cópias das impressões sensíveis.
          Para Hume não há ideias inatas 


segunda-feira, 11 de março de 2013

A escolha de Sofia






Uma mulher polaca, com os seus dois filhos é presa num campo de concentração de Auschwitz. Os nazis colocam-na perante um terrível dilema: um dos filhos pode ser poupado à câmara de gaz mas tem de ser ela a escolher. Obrigada, acaba por escolher.

A teoria utilitarista de Stuart Mill




"Assim, entre a felicidade pessoal e a felicidade dos outros, o Utilitarismo exige que o indivíduo que seja tão rigoroso e imparcial como um espectador desinteressado e de boa fé (...) fazer o que desejaríamos que nos fizessem, amar e respeitar o próximo como a nós mesmos, é isto que constitui a perfeição ideal da moral utilitarista."
                                                                          Stuart Mill, O Utilitarismo


A ética utilitarista de Stuart Mill é uma forma de consequencialismo.

As éticas consequencialistas consideram que as ações são moralmente corretas ou moralmente incorretas consoante as suas consequências. A ação deve escolher-se tendo em consideração as melhores consequências.

Para a teoria utilitarista de Stuart Mill, a felicidade é a finalidade última das ações humanas.

 O critério de moralidade é o princípio de utilidade: as ações são moralmente corretas se promoverem a felicidade ou o bem estar para o maior número de pessoas envolvidas.

Ao escolher uma ação deve ponderar-se as suas consequências de felicidade ou bem estar das pessoas afectadas. A felicidade é perspectivada de uma forma imparcial para todos os envolvidos (na escolha entre a felicidade do agente e a felicidade geral.


domingo, 10 de março de 2013

Imperativo categórico


Como muitos outros filósofos, Kant pensava que a moralidade pode resumir-se num princípio fundamental, a partir do qual se derivam todos os nossos deveres e obrigações. Chamou a este princípio «imperativo categórico». Na Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785) exprimiu-o desta forma:

Age apenas segundo aquela máxima que possas ao mesmo tempo desejar que se torne lei universal.
No entanto, Kant deu igualmente outra formulação do imperativo categórico. Mais adiante, na mesma obra, afirmou que se pode considerar que o princípio moral essencial afirma o seguinte:


Age de tal forma que trates a humanidade, na tua pessoa ou na pessoa de outrem, sempre como um fim e nunca apenas como um meio.


Os estudiosos têm-se perguntado desde então por que razão pensava Kant que estas duas regras são equivalentes. Parecem exprimir conceções morais diferentes. Serão, como Kant pensava aparentemente, duas versões da mesma ideia básica, ou são simplesmente ideias diferentes? Não nos vamos deter nesta questão. Vamos, em vez disso, concentrar-nos na crença de Kant de que a moralidade exige que tratemos as pessoas «sempre como um fim e nunca apenas como um meio». O que significa exatamente isto, e que razão há para pensar que é verdade?


Quando Kant afirmou que o valor dos seres humanos «está acima de qualquer preço» não tinha em mente apenas um efeito retórico, mas sim um juízo objetivo sobre o lugar dos seres humanos na ordem das coisas. Há dois factos importantes sobre as pessoas que apoiam, do seu ponto de vista, este juízo.


Primeiro, uma vez que as pessoas têm desejos e objetivos, as outras coisas têm valor para elas em relação aos seus projetos. As meras «coisas» (e isto inclui os animais que não são humanos, considerados por Kant incapazes de desejos e objetivos conscientes) têm valor apenas como meios para fins, sendo os fins humanos que lhes dão valor. Assim, se quisermos tornar-nos melhores jogadores de xadrez, um manual de xadrez terá valor para nós; mas para lá de tais objetivos o livro não tem valor. Ou, se quisermos viajar, um carro terá valor para nós; mas além de tal desejo o carro não tem valor.
Segundo, e ainda mais importante, os seres humanos têm «um valor intrínseco, isto é, dignidade», porque são agentes racionais, ou seja, agentes livres com capacidade para tomar as suas próprias decisões, estabelecer os seus próprios objetivos e guiar a sua conduta pela razão. Uma vez que a lei moral é a lei da razão, os seres racionais são a encarnação da lei moral em si. A única forma de a bondade moral poder existir é as criaturas racionais apreenderem o que devem fazer e, agindo a partir de um sentido de dever, fazê-lo. Isto, pensava Kant, é a única coisa com «valor moral». Assim, se não existissem seres racionais a dimensão moral do mundo simplesmente desapareceria.


Não faz sentido, portanto, encarar os seres racionais apenas como um tipo de coisa valiosa entre outras. Eles são os seres para quem as meras «coisa» têm valor, e são os seres cujas ações conscientes têm valor moral. Kant conclui, pois, que o seu valor tem de ser absoluto, e não comparável com o valor de qualquer outra coisa.


Se o seu valor está «acima de qualquer preço», segue-se que os seres racionais têm de ser tratados «sempre como um fim e nunca apenas como um meio». Isto significa, a um nível muito superficial, que temos o dever estrito de beneficência relativamente às outras pessoas: temos de lutar para promover o seu bem-estar; temos de respeitar os seus direitos, evitar fazer-lhes mal, e, em geral, «empenhar-nos, tanto quanto possível, em promover a realização dos fins dos outros».
Mas a ideia de Kant tem também uma implicação um tanto ou quanto mais profunda. Os seres de que estamos a falar são racionais, e «tratá-los como fins em si» significa respeitar a sua racionalidade. Assim, nunca podemos manipular as pessoas, ou usá-las, para alcançar os nossos objectivos, por melhores que esses objectivos possam ser. Kant dá o seguinte exemplo, semelhante a outro que utiliza para ilustrar a primeira versão do seu imperativo categórico: suponha que precisa de dinheiro e quer um empréstimo, mas sabe que não será capaz de devolvê-lo. Em desespero, pondera fazer uma falsa promessa de pagamento de maneira a levar um amigo a emprestar-lhe o dinheiro. Poderá fazer isso? Talvez precise do dinheiro para um propósito meritório — tão bom, na verdade, que poderia convencer-se a si mesmo de que a mentira seria justificada. No entanto, se mentisse ao seu amigo, estaria apenas a manipulá-lo e a usá-lo «como um meio».
Por outro lado, como seria tratar o seu amigo «como um fim»? Suponha que dizia a verdade, que precisava do dinheiro para um certo objetivo mas não seria capaz de devolvê-lo. O seu amigo poderia, então, tomar uma decisão sobre o empréstimo. Poderia exercer os seus próprios poderes racionais, consultar os seus próprios valores e desejos, e fazer uma escolha livre e autónoma. Se decidisse de facto emprestar o dinheiro para o objetivo declarado, estaria a escolher fazer seu esse objetivo. Dessa forma, o leitor não estaria a usá-lo como um meio para alcançar o seu objetivo, pois seria agora igualmente o objetivo dele. É isto que Kant queria dizer quando afirmou que «os seres racionais […] têm sempre de ser estimados simultaneamente como fins, isto é, somente como seres que têm de poder conter em si a finalidade da ação».


A conceção kantiana da dignidade humana não é fácil de entender; é provavelmente a noção mais difícil discutida neste livro. Precisamos de encontrar uma forma de tornar a ideia mais clara. Para isso, analisaremos com algum detalhe uma das suas aplicações mais importantes. Isto pode ser bem melhor do que uma discussão teórica árida. Kant pensava que se tomarmos a sério a ideia da dignidade humana seremos capazes de entender a prática da punição de crimes de uma forma nova e reveladora. O resto deste capítulo será dedicado a um exame deste exemplo.



                                                             James Rachels, Elementos da Filosofia Moral


A Fórmula da Lei Universal “Age apenas segundo uma máxima tal que possas querer ao mesmo tempo que se torne lei universal”
Esta fórmula do imperativo categórico serve para testar a correção moral das nossas máximas; se a máxima da nossa ação se pode tornar uma norma moral universal.
A Fórmula da Humanidade “Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de outrem, sempre e simultaneamente como fim e nunca apenas como meio”
Os seres humanos racionais têm um valor intrínseco absoluto, incondicional e devem, por isso, ser tomados como fins em si (pessoas) e nunca como simples meio.


Respeitar as pessoas significa trata-las como fins em si e nunca como como meros instrumentos que nos sirvam para atingir os nossos objectivos.
Tratar alguém como meio não é moralmente incorreto desde que respeitemos a sua vontade (estamos simultaneamente a trata-la como fim não como mero meio).

- Em que medida se relacionam as duas fórmulas do imperativo categórico?
- Qual a diferença entre tratar alguém como meio e mero meio?


A FÓRMULA DA LEI UNIVERSAL
“Age apenas segundo uma máxima tal que possas querer ao mesmo tempo que se torne lei universal”

 Uma ação é moralmente correta se a sua máxima (regra de ação que nos indica o motivo por que fazemos algo) puder ser universalizada, se se pode tornar um princípio universal de ação

A FÓRMULA DA HUMANIDADE
–“Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de outrem, sempre e simultaneamente como fim e nunca apenas como meio”

       Cada ser humano é um fim em si e nunca um simples meio (é moralmente errado instrumentalizar os outros usando-os como meros meios para atingir um objectivo)
       Os seres humanos, enquanto seres racionais, têm valor intrínseco absoluto (dignidade)
           Nenhum ser humano vale mais do que outro (pela condição de ser racional)

          Esta fórmula não proíbe as pessoas de serem meios umas para as outras, desde que sejam tratadas com respeito  e não apenas como meios,  ou tratadas como instrumentos ou objectos.

O imperativo categórico da ética deontológica de Kant
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