segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O problema do livre arbítrio


Edward Hopper

O Problema do livre arbítrio - aqui



Supõe que estás na bicha de uma cantina e que, quando chegas às sobremesas, hesitas entre um pêssego e uma grande fatia de bolo de chocolate com uma cremosa cobertura de natas. O bolo tem bom aspecto, mas sabes que engorda. Ainda assim, tiras o bolo e come-lo com prazer. No dia seguinte vês-te ao espelho, ou pesas-te, e pensas: «Quem me dera não ter comido o bolo de chocolate. Podia ter comido antes o pêssego.»
«Podia ter comido antes o pêssego.» Que quer isto dizer? E será verdade?

Havia pêssegos quando estavas na bicha na cantina: tiveste a oportunidade de ter tirado antes um pêssego. Mas não é apenas isso que queres dizer. Queres dizer que podias ter tirado o pêssego em vez do bolo. Podias ter feito algo diferente daquilo que realmente fizeste. Antes de teres decidido, estava em aberto se havias de tirar fruta ou bolo, e apenas a tua escolha que decidiu qual dos dois havias de comer. (…)
Esta é uma ideia de «pode» ou «poderia» que aplicamos só às pessoas (e talvez a alguns animais). Quando dizemos «o carro podia ter chegado ao cimo da colina», queremos dizer que o carro podia e tinha potência suficiente para chegar ao cimo da colina se alguém o tivesse conduzido até lá. Não queremos dizer que numa certa ocasião, quando se encontrava estacionado no vale, o carro poderia simplesmente ter começado a andar e chegado ao topo, em vez de permanecer estacionado onde estava. (…)
Parte do que quer dizer pode ser o seguinte: até ao momento em que escolhes nada determina irrevogavelmente qual será a tua escolha. Escolher o pêssego continua a ser para ti uma possibilidade em aberto até ao momento em que de facto escolhes bolo de chocolate. A tua escolha não está determinada à partida.
Algumas coisas que acontecem estão determinadas à partida. Por exemplo, parece estar determinado à partida que o Sol se levantará amanhã a uma certa hora. O Sol não se levantar amanhã e continuar a noite não é uma possibilidade em aberto. (…) Se não existe qualquer possibilidade de a Terra parar ou de o Sol não estar lá, não há qualquer possibilidade de o Sol não se levantar amanhã.
Quando dizes que podias ter comido um pêssego em vez de bolo de chocolate, parte do que queres dizer pode ser que aquilo que ias fazer não estava determinado à partida, tal como está determinado à partida que o Sol se levantará amanhã. Não havia processos ou forças a operarem antes de fazeres a tua escolha que tenham tornado inevitável o facto de teres escolhido bolo de chocolate. (…)
Algumas pessoas pensam que nunca é possível fazermos qualquer coisa diferente daquilo que de facto fazemos neste sentido absoluto. Reconhecem que aquilo que fazemos depende das nossas escolhas, decisões e desejos e que fazemos escolhas diferentes em circunstâncias diferentes: não somos como a Terra, que roda no seu eixo com monótona regularidade. Mas afirmam que, em cada caso, as circunstâncias que existem antes de agirmos determinam as nossas ações e tornam-nas inevitáveis. (…)
Podes zangar-te muito com alguém que vai a uma festa a tua casa e rouba todos os teus discos de Glenn Gould, mas supõe que acreditavas que a sua acção estava determinada à partida pela sua natureza e pela situação. (…) Poderias ainda achar que era responsável por um comportamento tão baixo? Ou seria mais razoável encará-lo como uma espécie de desastre natural – como se os teus discos tivessem sido devorados por térmitas?
                                                                                                                                                           NAGEL, Que quer dizer tudo isto?



TEORIAS
TESE/ ARGUMENTOS
OBJEÇÕES
INCOMPATIBILISMO

Argumento:

Se o determinismo é verdadeiro, então não podemos agir de outra forma

Se temos livre arbítrio, então podemos agir de outra forma

Logo, se o determinismo é verdadeiro, então não temos livre arbítrio


DETERMINISMO RADICAL



Se o determinismo é verdadeiro, então não temos livre arbítrio

O determinismo é verdadeiro

Logo, não temos livre arbítrio


Todos os acontecimentos, incluindo as ações  humanas são efeitos de acontecimentos anteriores

O livre arbítrio é uma ilusão

As ações resultam de crenças e desejos que são determinados por fatores biológicos e culturais

Se ninguém age livremente, ninguém é moralmente responsável pelo que faz

A experiência do livre arbítrio é muito forte


LIBERTISMO


Se o determinismo é verdadeiro, então não temos livre arbítrio

Temos livre arbítrio

Logo, o determinismo não é verdadeiro

A segunda premissa é defendida
As ações humanas não estão sujeitas à causalidade natural 

O ser humano é composto por alma/ mente e corpo

O corpo está sujeito à causalidade natural, mas a alma não está sujeita às leis da natureza

A alma não está sujeita às leis da natureza mas está sujeita às leis da própria alma, e, nesse caso não há livre arbítrio


As deliberações e escolhas podem ser determinadas por crenças e desejos


COMPATIBILISMO

Mesmo que o determinismo seja verdadeiro temos o poder de agir de outra forma

DETERMINISMO
MODERADO

Todas as ações têm uma causa

As ações são livres se não existem constrangimentos

O determinismo é compatível com s liberdade

O facto de não nos sentirmos constrangidos não quer dizer que pudéssemos ter escolhido outra coisa além do que escolhemos

Teorias Filosóficas
A crença no livre arbítrio é verdadeira
A crença no determinismo é verdadeira
O determinismo é compatível com a liberdade
DETERMINISMO
RADICAL
Não
Sim
Não
DETERMINISMO MODERADO
Sim
Sim
Sim
LIBERTISMO
Sim
Não
Não



DETERMINISMO
RADICAL
LIBERTISMO
DETERMINISMO MODERADO
Todos os acontecimentos são determinados por causas anteriores
Aceita
Rejeita
Aceita
Não há ações livres
Aceita
Rejeita
Rejeita
Ninguém é responsável pelas suas ações
Aceita
Rejeita
Rejeita









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