O
salmão prateado nasce nas correntes frias do noroeste do Oceano Pacífico. O
pequeno peixe nada até ao Pacífico Sul, onde poderá passar até cinco anos para
atingir a maturidade física e sexual. Em seguida, em resposta a algum estímulo
desconhecido, volta às correntes frias para desovar. Acompanhando o roteiro do
peixe, descobre-se um facto curioso. Ele volta, quase sempre, precisamente ao
seu local de origem. Eis aqui um facto-problema que pede explicação. Como é
possível que o peixe identifique exactamente o lugar onde nasceu, depois de
tantos anos e de percorrer tão longa distância?
Uma
das hipóteses sugeridas para explicar o retorno foi a de que o salmão descobre
o caminho de volta reconhecendo objectos que identificou durante a primeira
viagem. Se esta hipótese estivesse correcta, então, vendando os olhos do
salmão, ele não conseguiria voltar. Daí temos:
H1: o salmão
utiliza apenas os estímulos visuais para encontrar o seu caminho de volta.
Consequência preditiva: o salmão x, com os olhos vendados, não será capaz de voltar.
Suponha-se que o salmão x, com
os olhos vendados, encontre o seu caminho de volta. O resultado dessa
experiência falseia a hipótese. Por outro lado, suponha-se que o peixe com os
olhos vendados não encontre o caminho de volta. Este resultado seria capaz de
verificar, assegurar a verdade da hipótese do estímulo visual? Não. Apenas
podemos afirmar que o resultado experimental apoiou a hipótese.(...)
As
experiências realizadas para testar a predição da hipótese acima revelaram que
todos os salmões com os olhos vendados conseguiram voltar ao seu lugar de
origem, o que desconfirma a
hipótese.