sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O teste da universalização


Edward Hopper

Uma pessoa vê-se pressionada pela necessidade de pedir dinheiro emprestado. Ela sabe muito bem que não será capaz de pagar a dívida, mas também vê que nada lhe será emprestado a menos que prometa solenemente pagar a dívida num determinado prazo. Sente-se tentado a prometer; mas ainda lhe sobra suficiente consciência para se perguntar se não será  contrário ao dever deitar mão de tal recurso?

Suponha-se que ela se decidia a fazê-lo; a máxima da sua ação seria a seguinte: quando creio estar a precisar de dinheiro, vou pedi-lo emprestado, prometendo pagá-lo, ainda que saiba que isso nunca acontecerá. Ora, este princípio de amor-próprio, ou do nosso próprio benefício, talvez seja consistente com todo o meu bem-estar futuro, mas a questão agora é saber se é correto. Consequentemente, transformo a imposição de amor-próprio numa lei universal, e formulo a pergunta como se segue: como seriam as coisas se a minha máxima se tornasse uma lei universal? Ora, vejo então imediatamente que nunca poderia ser uma lei universal da natureza, em harmonia consigo mesma, tendo antes necessariamente de se contradizer. Pois a universalidade de uma lei segundo a qual todas as pessoas que se vejam em necessidades poderiam prometer fosse o que fosse com a intenção de não cumprir, tornaria impossível a promessa e a finalidade que podemos ter em vista ao prometer, dado que ninguém acreditaria que lhe estavam a prometer algo, antes rindo perante tal elocução, por ser mentira.


                                                   Kant, Fundamentação da metafísica dos Costumes



Aplicação do Imperativo categórico



Age apenas segundo uma máxima tal que possas querer ao mesmo tempo que se torne lei universal”


Uma ação é moralmente correta se a sua máxima (regra de ação que nos indica o motivo por que fazemos algo) puder ser universalizada, se se pode tornar um princípio universal de ação.

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