Devemos procurar o valor da filosofia, de
facto, em grande medida na sua própria incerteza. O homem sem rudimentos de
filosofia caminha pela vida preso a preconceitos derivados do senso comum, das
crenças costumeiras da sua época ou da sua nação, e das convicções que
cresceram na sua mente sem a cooperação ou o consentimento da sua razão
deliberativa. Para tal homem, o mundo tende a tornar-se definido, finito, óbvio;
domingo, 29 de setembro de 2013
As três paixões de Bertrand Russel
Clica na imagem para leres o interessante texto de Bertrand de Russel, no site Sebenta de Filosofia
Poderás encontrar no mesmo site outros artigos sobre o Sentido da Vida
sábado, 28 de setembro de 2013
O que é a filosofia?
A filosofia é o que acontece quando se começa a pensar pela própria
cabeça.
Pode-se acrescentar
um pouco mais. Assim que nos libertamos dos hábitos das crenças recebidas, as
que por acaso se adquiriu mesmo acerca de questões básicas, e começamos
realmente a pensar acerca daquilo em que devemos acreditar, à luz da razão
(argumentos) e indícios, começámos a fazer filosofia. A "tradição" de
se apoiar antes em "autoridades" e "textos sagrados" é o
estado normal das coisas e não a excepção na história — para muitos é ainda a
maneira natural de viver. Além disso, pensar por si próprio não é algo que se
leve a cabo facilmente por mero capricho, mas antes algo que é preciso reforçar
como a um músculo, através de bons hábitos mentais. A filosofia é um modo de
vida, que se constrói ao longo dos anos; o pensamento filosófico é um estado de
espírito que se torna parte da própria natureza de uma pessoa.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Porquê estudar filosofia?
Porquê estudar filosofia
Defende-se por vezes que não vale a pena
estudar filosofia uma vez que tudo o que os filósofos fazem é discutir sofisticamente
o significado das palavras; nunca parecem atingir quaisquer conclusões de
qualquer importância e a sua contribuição para a sociedade é virtualmente nula.
Continuam a discutir acerca dos mesmos problemas que cativaram a atenção dos
gregos. Parece que a filosofia não muda nada; a filosofia deixa tudo tal e
qual.
Qual é afinal a importância de estudar
filosofia? Começar a questionar as bases fundamentais da nossa vida pode até
ser perigoso: podemos acabar por nos sentir incapazes de fazer o que quer que
seja, paralisados por fazer demasiadas perguntas. Na verdade, a caricatura do
filósofo é geralmente a de alguém que é brilhante a lidar com pensamentos
altamente abstractos no conforto de um sofá, numa sala de Oxford ou Cambridge,
mas incapaz de lidar com as coisas práticas da vida: alguém que consegue
explicar as mais complicadas passagens da filosofia de Hegel, mas que não
consegue cozer um ovo.
terça-feira, 24 de setembro de 2013
O que é a filosofia?
A filosofia é uma
atividade: é uma forma de pensar acerca de certas questões. A sua
característica mais marcante é o uso de argumentos lógicos. A atividade dos
filósofos é, tipicamente, argumentativa: ou inventam argumentos, ou criticam os
argumentos de outras pessoas ou fazem as duas coisas. Os filósofos também
analisam e clarificam conceitos. A palavra «filosofia» é muitas vezes usada num
sentido muito mais lato do que este, para referir uma perspetiva geral da vida
ou para referir algumas formas de misticismo. Não irei usar a palavra neste
sentido lato: o meu objectivo é lançar alguma luz sobre algumas das áreas
centrais de discussão da tradição que começou com os gregos antigos e que tem
prosperado no século XX, sobretudo na Europa e na América.
Waking Life
Filme: Acordar para a Vida
Título original: Waking Life
Realizador: Richard Linklater
Argumento: Richard Linklater
Ano: 2001
Duração: 99 minutos
À procura de respostas para algumas perguntas filosóficas
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
António Ramos Rosa
António Ramos Rosa, 17/10/1924 - 23/09/2013
Nada sabemos de quase tudo. A vastidão
é inapreensível. A simultaneidade
é inapreensível. A disparidade
é inapreensível. E há um mutismo
no mundo e em nós que não se quebra nunca.
domingo, 22 de setembro de 2013
O sono da razão produz monstros
Uma das séries de
sátiras gravadas pelo pintor espanhol Goya tem por título “O Sono da Razão
Produz Monstros”. Goya pensava que muitas das loucuras da humanidade resultavam
do “sono da razão”. Há sempre pessoas prontas a dizer-nos o que queremos, a
explicar-nos como nos vão dar essas coisas e a mostrar-nos no que devemos
acreditar. As convicções são contagiosas, e é possível convencer as pessoas de
praticamente tudo. Geralmente, estamos dispostos a pensar que os nossos hábitos,
as nossas convicções, a nossa religião e os nossos políticos
são melhores do que os deles, ou que os nossos direitos dados
por Deus anulam os direitos deles, ou que os nossos interesses
exigem ataques defensivos ou dissuasivos contra eles. Em última análise,
trata-se de ideias que fazem as pessoas matarem-se umas às outras. É por causa
de ideias sobre o que os outros são, ou quem somos, ou o que os nossos
interesses ou direitos exigem que fazemos guerras ou oprimimos os outros de
consciência tranquila, ou até aceitamos por vezes ser oprimidos. Quando estas
convicções implicam o sono da razão, o despertar crítico é o antídoto. A
reflexão permite-nos recuar, ver que talvez a nossa perspectiva sobre uma dada
situação esteja distorcida ou seja cega, ou pelo menos ver se há argumentos a
favor dos nossos hábitos, ou se é tudo meramente subjetivo. Fazer isto bem é
pôr em prática mais alguma engenharia conceptual.
Sócrates
Ménone - Eu tinha já ouvido dizer, Sócrates, antes de conversar contigo, que só sabias duvidar de tudo, e fazer duvidar os outros; e agora verifico que me fascinas o espírito com os teus sortilégios e malefícios, e me enfeitiçaste de tal modo que estou cheio de dúvidas. Se me permites o gracejo, dir-te-ei que te assemelhas à tremelga, que deixa, como que entorpecido, quem lhe toca (…)
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Validade: o que se segue do quê?
Mondrian
A maioria das
pessoas gosta de pensar que é lógica. Dizer a alguém "Não estás a ser
lógico" é uma normalmente uma forma de crítica. Ser ilógico é ser confuso,
desordenado, irracional. Mas o que é a lógica? (…) Todos nós raciocinamos.
Tentamos descobrir como as coisas são raciocinando com base naquilo que já
sabemos. Tentamos persuadir os outros de que algo é de determinada maneira
dando-lhes razões. A lógica é o estudo do que conta como uma boa razão para o
quê, e porquê. Temos no entanto de compreender esta afirmação de um certo modo.
Aqui estão dois trechos de raciocínio — os lógicos chamam-lhes inferências:
1. Roma é a capital da Itália, e este avião aterra
em Roma; logo, o avião aterra na Itália.
2. Moscovo é a capital dos EUA; logo, não podemos
ir a Moscovo sem ir aos EUA.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
O que é a Filosofia?
A filosofia é diferente da ciência e da
matemática. Ao contrário da ciência, não assenta em experimentações nem na
observação, mas apenas no pensamento. E ao contrário da matemática não tem
métodos formais de prova. A filosofia faz-se colocando questões, argumentando,
ensaiando ideias e pensando em argumentos possíveis contra elas, e procurando
saber como funcionam realmente os nossos conceitos.
Lógica
As partes relevantes
de um argumento são, em primeiro lugar as suas premissas. As premissas são o
ponto de partida, ou o que se aceita ou presume, no que respeita ao argumento.
Um argumento pode ter uma ou várias premissas. A partir das premissas, os
argumentos derivam uma conclusão. Se estamos a refletir sobre um argumento,
talvez por termos relutância em aceitar a sua conclusão, temos duas opções. Em
primeiro lugar, podemos rejeitar uma ou mais das suas premissas. Em segundo
lugar, podemos também rejeitar o modo como a conclusão é extraída das
premissas. A primeira reação é que uma das premissas não é verdadeira. A
segunda é que o raciocínio não é válido. É claro que o mesmo argumento pode
estar sujeito a ambas as críticas: as premissas não são verdadeiras e o
raciocínio aplicado é inválido. Mas as duas críticas são distintas ( e as duas
expressões, «não é verdadeira» e «não é válido» marcam bem a diferença.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Lógica
LÓGICA FORMAL
O estudo da
argumentação válida que depende exclusivamente da forma lógica. Por exemplo, a
validade do seguinte argumento depende inteiramente da sua forma lógica:
"Alguns homens são mortais; logo, alguns mortais são homens". A forma
lógica deste argumento é a seguinte: Alguns A são B; logo, alguns B são A. Não
é difícil ver que qualquer argumento que tenha esta forma lógica é válido. Não
se deve pensar que só a LÓGICA CLÁSSICA é formal; a LÓGICA
ARISTOTÉLICA é igualmente formal, apesar de em geral se usar menos
símbolos. Os argumentos cuja validade não depende inteiramente da sua forma
lógica são o objecto de estudo da LÓGICA INFORMAL
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Perguntas da Filosofia
Eis algumas perguntas que qualquer um de nós pode fazer sobre nós próprios: O que sou eu? O que é a consciência? Será que eu poderia sobreviver à morte do meu corpo? Será que posso ter a certeza de que as experiências e sensações das outras pessoas são como as minhas? Se eu não posso partilhar as experiências das outras pessoas, será que posso comunicar com elas? Será que agimos sempre em função do nosso interesse próprio? Será que sou apenas uma espécie de fantoche, programado para fazer as coisas que penso fazer em função do meu livre-arbítrio?
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Bem Vindos à Filosofia
Bem vindo à Filosofia. Para alguns de
vocês, será a disciplina mais prática que irão estudar na escola.
Porquê dizer tal coisa? Não tem a
filosofia a reputação de não ser prática? Não é abstrata e teórica –
precisamente o oposto de prático?
A filosofia pode ser abstrata e teórica.
Mas o estudo da filosofia pode ser prático, na medida em que afeta o que
fazemos com a nossa vida. Isto porque as abstrações ou teorias dizem respeito
aos conceitos e valores básicos com os quais enfrentamos a experiência.
domingo, 15 de setembro de 2013
Atividades diagnósticas
Supõe que trabalhas numa biblioteca,
verificando os livros que as pessoas requisitam, e um amigo te pede para o
deixares roubar uma obra de referência difícil de encontrar que quer possuir.
Podes hesitar em concordar por diversas razões. Podes
recear que ele seja apanhado e que, assim, tanto ele como tu arranjem
problemas. Ou podes querer que o livro fique na biblioteca para que tu próprio
possas consultá-lo.
Mas também podes pensar que aquilo que ele propõe está
errado – que ele não deve fazê-lo e que tu não deves ajudá-lo. Se pensas assim,
o que quer isso dizer, o que torna isso verdadeiro, se é que há algo que o
torne verdadeiro?
sábado, 14 de setembro de 2013
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Os animais têm direitos?
O que significa
perguntar se os animais têm direitos? Quais as principais perspetivas sobre
esta questão? Clica na imagem.
sábado, 10 de agosto de 2013
Sob o Signo de Amadeo
Para te informares, clica aqui
A comemorar os 30 anos da abertura do Centro de Arte Moderna, está aberta ao público, de 25 de Julho a 19 de Janeiro de 2014, uma exposição que apresenta a totalidade do acervo de Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918).
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
A entrada das mulheres na filosofia do séc. XX
Momentos antes de
morrer, Sócrates despede-se dos amigos, dos filhos e da família. O relato
tocante que Platão nos deixa no Fédon é por demais conhecido. No
entanto, há nele uma breve referência que passa despercebida à maior parte dos
leitores: a ordem dada pelo filósofo para que as mulheres se retirem. Ausentes
em todo o diálogo preparatório da morte, são mandadas sair quando esta vai
concretamente ocorrer, como se só os discípulos, homens todos eles, pudessem
assistir ao suicídio forçado do filósofo, do mesmo modo que só eles
acompanharam as suas diatribes oratórias na cidade.
Fotografia e pintura
Willy Ronis, O Nu Provençal, 1949
A fotografia e a pintura sempre tiveram destinos paralelos,
conflituosos e complementares.
Muitas vezes, os
primeiros fotógrafos são pintores reconvertidos, que manterão na sua prática os
ensinamentos estéticos que receberam.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Para começar, a morte
Lembro-me muito bem
da primeira vez que percebi de verdade que mais cedo ou mais tarde tinha de morrer. Devia andar pelos dez
anos, talvez nove, eram quase onze horas de uma noite qualquer e já estava
deitado. Os meus irmãos, que dormiam comigo no mesmo quarto, ressonavam
agradavelmente. No quarto ao lado, meus pais conversavam em voz baixa enquanto
se despiam e minha mãe tinha posto o rádio que deixava a tocar até tarde, para
evitar os meus terrores nocturnos. De repente sentei-me na cama às escuras: eu também ia morrer! Era o que me
tocava, o que irremediavelmente me calhava!, não havia escapatória! Não só
teria que suportar a morte das minhas duas avós e do meu querido avô, bem como
dos meus pais, como também eu, eu próprio, não teria outro remédio senão
morrer. Que coisa tão estranha e terrível, tão perigosa, tão incompreensível,
mas sobretudo, que coisa tão irremediavelmente pessoal!
domingo, 4 de agosto de 2013
Quais serão as tarefas atuais da ética?
Quais serão as
tarefas atuais da ética? Há tarefas inéditas, sem dúvida, que se referem à
resolução de problemas diferentes dos tradicionais ou ao controlo de
possibilidades de ambíguo alcance e que se não conheciam antes. As ameaças ao
meio ambiente, por exemplo, o uso de técnicas cirúrgicas, ou genéticas que
podem favorecer perversas instrumentalizações da nossa corporalidade. Nestes
campos, é urgente não dar nada como fatalmente irremediável e manter um aberto
debate crítico em que muitas são as vozes que devem, sem dúvida, ser escutadas.
Como nem tudo o que pode tecnicamente
ser feito deve ser irremediavelmente
feito, seria bom colaborar o mais possível na reinvenção dessa virtude
aristotélica que se adequa à natureza trágica da peripécia humana: a prudência.
E talvez também a solicitude para com os outros, esse aspeto distintivo da atividade moral feminina que estudiosas como Carol Gillogan opõem à rígida e por vezes impiedosa frialdade do imperativo categórico.
E talvez também a solicitude para com os outros, esse aspeto distintivo da atividade moral feminina que estudiosas como Carol Gillogan opõem à rígida e por vezes impiedosa frialdade do imperativo categórico.
sábado, 3 de agosto de 2013
É possível a ética?
É possível a ética? Se
a entendemos como arte de viver, como projecto racional para harmonizar as
exigências sociais da liberdade, como consciência de uma autonomia responsável,
como reflexão crítica dos valores institucionalizados, negar a possibilidade da
ética equivaleria a negar-nos a nós próprios como sujeitos não já civis mas civilizados. O preço pela demissão moral
baseada em supostos argumentos históricos, científicos ou políticos – é a
consagração desesperada do pior dos niilismos: das suas consequências, tanto
individuais como colectivas já tivemos, neste século, os mais arrepiantes
exemplos.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Viveremos tempos especialmente inóspitos para a ética?
Picasso, Guernica
Os que o afirmam
baseiam-se num estudo superficial da fisionomia do século que está a acabar:
duas terríveis guerras de alcance mundial com milhões de vítimas, secundadas
por centenas de conflitos menores, mais localizados mas não menos destrutivos;
a concretização de totalitarismos ideológicos que justificaram com inumana
eficácia o extermínio de camadas sociais da população civil e mesmo de etnias
inteiras; também se patentearam os campos de concentração, armas de destruição
maciça com um alcance nunca antes sonhado na bem nutrida história da
criminalidade política; apesar do desenvolvimento industrial e tecnológico, um
terço da população mundial padece de fome, em muitos países latino-americanos é
tristemente comum o abandono e assassínio de crianças, e inclusive nas nações
mais desenvolvidas há grandes bolsas de miséria urbana e as agressões ao nosso
meio ecológico fazem recear graves perigos para a vida humana no futuro
próximo; se a tudo isto se acrescentaria os frequentes casos de corrupção
política e económica que envilecem as democracias, a barbárie dos confrontos
nacionalistas ou das perseguições xenófobas, etc., é inevitável concluir que o
século XX, como assegura o famoso tango, “é um prodígio de maldade insolente” e
que nele as invocações éticas parecem tão pouco adequadas como as gargalhadas
num funeral.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Arte e religião
A arte e a religião
são dois caminhos pelos quais o homem escapa das circunstâncias para o êxtase.
Entre o arrebatamento estético e o arrebatamento religioso há um laço familiar.
Arte e religião são meios para estados de espírito semelhantes. E, se
estivermos autorizados a por de lado a ciência e a estética e, seguindo as
nossas emoções e o seu objeto, considerarmos o que está na mente do artista,
podemos dizer, com um certo à vontade, que a arte é uma manifestação do sentido
religioso. Se for a expressão de uma emoção, como sou levado a pensar, é a
expressão de uma emoção que é a força vital presente em todas as religiões; ou,
pelo menos, expressão de uma emoção sentida por aquilo que é a essência de tudo.
Podemos dizer que tanto a arte como a religião são manifestações do sentido
religioso do homem, se por “sentido religioso do homem” entendermos a sua noção
de realidade última. O que não podemos dizer é que a arte é a expressão de
qualquer religião particular; fazê-lo seria confundir o espírito religioso com
os canais através dos quais flui; seria confundir o vinho com a garrafa. A arte
pode ter muito a ver com aquela emoção universal que encontrou uma expressão
corrupta e vacilante em mil credos diferentes mas não tem nada a ver com factos
históricos ou enfeites metafísicos. Certamente que muitas pinturas descritivas
são manifestos e exibições dessa natureza. (…) Mas, se uma pintura é uma obra
de arte, tem tanto a ver com dogmas e doutrinas como tem a ver com os
interesses e emoções da vida quotidiana.
Clive Bell, Arte
terça-feira, 16 de julho de 2013
sábado, 6 de julho de 2013
O Crítico como Artista
Van Gogh
ERNEST A mais alta
crítica é então mais criativa que a criação, e o fim principal do crítico é ver
o objeto em si como na realidade não é; parece-me ser esta a tua teoria.
Partie d’échecs
Vieira da Silva, Partie d'échecs
Para quem gosta de
se interrogar sobre a arte, a Partie d’échecs adquire valor
exemplar.
Primeiro o quadro fascina-nos,
no sentido em que o nosso olhar é irresistivelmente atraído pelo tabuleiro em
si, mesmo ao meio, real e exato. Mas mal mergulhamos nele que, do centro da sua
teia, a feiticeira nos retem num universo que lhe é próprio. A partir do
tabuleiro, com minuciosas construções, ou como temas que, em música,
prosseguissem incansavelmente a mesma toada, os quadrados escapam, devoram os
personagens entrevistos, cobrem infinitamente todo o horizonte.
sábado, 29 de junho de 2013
Podem as emoções funcionar cognitivamente na interpretação da obra de arte?
Degas, Waiting
Num lado colocamos a
sensação, perceção, inferência, conjetura, toda a inspeção e investigação fria,
facto e verdade; no outro prazer, dor, interesse, satisfação, desapontamento,
toda a resposta afetiva tonta, gostar e detestar. De uma forma muitíssimo
eficiente, isto impede-nos de ver que na nossa experiencia estética as emoções
funcionam cognitivamente.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Why I am not a painter
Mike Goldberg, Sardines
I am not a painter, I am a poet.
Why? I think I would rather be
a painter, but I am not. Well,
quarta-feira, 26 de junho de 2013
O Belo, A Moda e a Felicidade
Esta é na verdade
uma bela ocasião para estabelecer uma teoria racional e histórica do belo, em
oposição à teoria do belo único e absoluto; para mostrar que o belo é sempre,
inevitavelmente, de dupla composição, se bem que a impressão que produz seja
una; porque a dificuldade de discernir os elementos variáveis do belo na
unidade da impressão em nada infirma a necessidade da variedade na sua
composição.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Exame Nacional de Filosofia - 2013 (1ª Fase)
sexta-feira, 14 de junho de 2013
"A cadeira amarela" de Van Gogh
No chão de tijoleira
rústica,
rusticamente empalhada,
e amarela sobre
a tijoleira recozida
e gasta.
No assento da
cadeira, um pouco de tabaco num papel
ou num lenço (tabaco
ou não?) e um cachimbo,
Toda a arte é completamente inútil
O artista é o criador de coisas
belas.
O objetivo da arte é revelar a
arte e ocultar o artista.
O crítico é aquele
que sabe traduzir de outro modo para um novo material a sua impressão das
coisas belas.
domingo, 9 de junho de 2013
A Vida imita a Arte muito mais do que a Arte imita a Vida
Um interessante
excerto de um diálogo: O Declínio da Mentira, da obra Intenções: Quatro Ensaios
sobre Arte de Oscar Wilde, com tradução de António M. Feijó
CYRIL (…) Mas a fim
de evitar qualquer erro, quero que me digas, em poucas palavras, as doutrinas
desta nova estética.
VIVIAN Ei-las, então, em poucas palavras. A Arte não é expressão de nada a não ser de
si mesma. Tem uma vida independente, tal como o Pensamento a tem, e
desenvolve-se estritamente por caminhos próprios. Não é necessariamente
realista numa época de realismo, nem espiritual numa época de fé. Longe de ser
uma criação do seu tempo, está normalmente em oposição frontal a ele, e a única
história que preserva para nós é a história da sua própria evolução. Por vezes,
retrocede sobre si mesma (…). Noutras alturas, antecipa por completo a sua
época, e produz num dado século oras que exigirão um outro século para serem
percebidas, apreciadas e fruídas. (…)
sábado, 8 de junho de 2013
Será que há critérios ou princípios críticos universais?
A avaliação da arte
A questão da
avaliação da arte diz respeito aos critérios usados pela crítica para
classificar uma dada obra como boa ou má, magnífica ou vulgar, bonita ou feia,
etc. Será que há critérios ou princípios críticos universais? Como se adivinha,
aqueles que defendem que o valor da arte é instrumental, encontram aí o
fundamento para um critério geral de avaliação. Por exemplo, quem defende o
cognitivismo tem como critério geral de avaliação a maior ou menor capacidade
de uma dada obra de arte para nos proporcionar conhecimento. Esta é uma
perspetiva universalista.
O valor da arte
Centrando-nos apenas
no problema do valor da arte, é possível encontrar dois grupos de teorias: as
instrumentalistas e as não instrumentalistas. As instrumentalistas defendem que
a arte é valiosa por ser um meio para certos fins que consideramos importantes
e valiosos. (…) As não instrumentalistas defendem que a arte tem valor autónomo,
isto é, o seu valor intrínseco, dado ser independente de quaisquer fins.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
"50 Lições de Filosofia" e "Razões de Ser"
Coloquei os manuais “50 lições de Filosofia” e “Razões de Ser” em 1º e 2º
lugar, respetivamente, na escolha do manual a
adotar. Tive a oportunidade de os analisar comparativamente com outros (desta
vez os manuais chegaram às escolas com tempo para uma análise cuidada) e de os
utilizar/ experimentar em alguns temas com os alunos (em situação de lecionação
e de revisão de temas/ problemas para preparação de exame), o que funcionou
muito bem (sendo também esta a opinião dos alunos).
domingo, 2 de junho de 2013
Uma falácia que Popper não cometeu
Um interessante post para os alunos, no blog 50 Lições de Filosofia.
Depois um interessante e divertido diálogo sobre o falsificacionismo de Popper aquidomingo, 26 de maio de 2013
A arte como expressão
Viajante sobre um Mar de Névoa (1818), C.D. Friedrich
Sebenta de Filosofia ver aqui
A arte é uma atividade humana que consiste nisto: um homem comunica conscientemente a outros, por meio de certos sinais externos, os sentimentos de que teve experiência, e outras pessoas são contaminadas por estes sentimentos e também deles têm experiência.
Tolstoi, O que é a Arte?
sábado, 25 de maio de 2013
quarta-feira, 22 de maio de 2013
O problema da definição da "obra de arte"
Veemeer, A Leiteira (1688)
O que é a arte? Três teorias sobre um problema central da estética - Crítica
TEORIA DA ARTE COMO IMITAÇÃO
Esta é uma das mais antigas teorias da arte. Foi, aliás, durante muito tempo aceite pelos próprios artistas como inquestionável. A definição que constitui a sua tese central é a seguinte:
Uma obra é arte se, e só se, é produzida pelo homem e imita algo.
A característica própria desta teoria não reside no facto de defender que uma obra de arte tem de ser produzida pelo homem, o que é comum a outras teorias, mas na ideia de que para ser arte essa obra tem de imitar algo. Daí que seja conhecida como teoria da arte como imitação.
Vários foram os filósofos que se referiram à arte como imitação. Alguns desprezavam-na por isso mesmo, como acontecia com o conhecido filósofo grego Platão que, ao considerar que as obras de arte imitavam os objectos naturais, via essas obras como imagens imperfeitas dos seus originais. Ainda por cima quando, no seu ponto de vista, os próprios objectos naturais eram por sua vez cópias de outros seres mais perfeitos. Já o seu contemporâneo Aristóteles, mantendo embora a ideia de arte como imitação, tinha uma opinião mais favorável à arte, uma vez que os objectos que a arte imita não são, segundo ele, cópias de nada.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
O juízo estético em Kant
Naufrágio, Turner
"Esta tempestade no mar é sublime", não é uma opinião pessoal.
O primeiro
lugar-comum do gosto está contido na proposição com a qual cada pessoa sem
gosto pensa precaver-se contra a censura: cada urna tem o seu próprio gosto.
Isto equivale dizer que o princípio determinante deste juízo é simplesmente
subjectivo (deleite ou dor) e que o juízo não tem nenhum direito ao necessário
assentimento dos outros. O Segundo lugar-comum do gosto, que também é usado até
por aqueles que concedem ao juízo de gosto o direito de expressar-se
validamente por qualquer um, é: não se pode disputar sobre o gosto. O que
equivale dizer que o princípio determinante de um juízo de gosto na verdade
pode ser também objectivo, mas que ele não se deixa conduzir a conceitos
determinados; por conseguinte, nada pode ser decidido sobre o próprio juízo
através de provas, conquanto se possa perfeitamente e com direito discutir a
esse respeito.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
O Padrão do Gosto
O sentimento está sempre certo – porque o sentimento não tem
outro referente senão ele mesmo e é sempre real, quando alguém tem consciência
dele. Mas nem todas as determinações do entendimento são certas, porque têm
como referente algumas coisas para além delas mesmas, a saber, os factos reais
e nem sempre são conformes a esse padrão. Entre mil e uma opiniões que pessoas
diferentes podem ter a respeito do mesmo assunto, há uma e apenas uma que é
justa e verdadeira e a única dificuldade é encontrá-la e confirmá-la. Pelo
contrário, os mil e um sentimentos despertados pelo mesmo objecto são todos
certos, porque nenhum sentimento representa o que realmente está no objeto. Ele
limita-se a observar uma certa conformidade ou relação entre o objecto e os
órgãos ou faculdades do espírito e, se essa conformidade realmente não
existisse, o sentimento jamais poderia ter ocorrido. A beleza não é uma
qualidade das próprias coisas, existe apenas no espírito que a contempla e cada
espírito percebe uma beleza diferente. É possível até uma pessoa encontrar
deformidade onde uma outra vê apenas beleza e qualquer indivíduo deve concordar
com o seu próprio sentimento, sem ter a pretensão de regular o dos outros.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
A mistura de fatores objetivos e subjetivos na escolha das teorias
(…) Mas devemos ir além da lista de critérios partilhados
para as características dos indivíduos que fizeram a escolha. Quer dizer, há
que lidar com características que variam de um cientista para outro sem com
isso arriscar minimamente a sua aderência aos cânones que tornam científica a
ciência. Embora tais cânones existam e devam ser descobertos (sem dúvida, os
critérios de escolha com que comecei estão entre eles), não são por si
suficientes para determinar as decisões dos cientistas individuais. Para esse
propósito, os cânones partilhados devem estudar-se de maneiras que diferem de
um indivíduo para outro.
Características de uma boa teoria científica
Começarei por perguntar: quais são as características de
uma boa teoria científica? Entre muitas das respostas usuais, seleccionei
cinco, não porque sejam exaustivas, mas porque são individualmente importantes
e em conjunto suficientemente variadas para indicar o que está em jogo. Em
primeiro lugar, uma teoria deve ser exacta: quer dizer, no seu domínio, as
consequências deduzíveis de uma teoria devem estar em concordância demonstrada
com os resultados das experimentações e observações existentes. Em segundo
lugar, uma teoria deve ser consistente, não só internamente ou com ela própria,
mas também com outras teorias correntemente aceites e aplicáveis a aspectos
relacionados da natureza. Terceiro, deve ter um longo alcance: em particular,
as consequências de uma teoria devem estender-se muito para além das
observações, leis ou subteorias particulares, para as quais ela estava
projectada em princípio. Quarto, e relacionado de perto com o anterior, deve
ser simples, ordenando fenómenos que, sem ela, seriam individualmente isolados
e, em conjunto, seriam confusos. Quinto - uma rubrica um tanto ou quanto menos
padronizada, mas de especial importância para decisões científicas reais -, uma
teoria deve ser fecunda quanto a novas descobertas de investigação: deve
desvendar novos fenómenos ou relações anteriormente não verificadas entre
fenómenos já conhecidos.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
A incomensurabilidade dos paradigmas
À semelhança da
escolha entre instituições políticas rivais, a que se verifica entre paradigmas
rivais revela ser uma escolha entre modos de vida comunitária incompatíveis.
Devido a este caráter, a escolha não é, nem pode ser, determinada meramente
pelos procedimentos de avaliação característicos da ciência normal, pois estes
dependem, em parte, de um paradigma específico, e esse paradigma está em causa.
Quando os paradigmas são incluídos, como devem, num debate de escolha entre
paradigmas, o seu papel é necessariamente circular. Cada grupo utiliza o seu
próprio paradigma para argumentar em defesa do próprio.
Kuhn, A Estrutura das Revoluções
Científicas
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