quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Da dúvida ao cogito



(…) Mas agora que resolvi dedicar-me apenas à descoberta da verdade, pensei que era necessário proceder exactamente ao contrário, e rejeitar como falso tudo aquilo que pudesse suscitar a menor dúvida, para ver se depois disso algo restaria nas minhas opiniões que fosse absolutamente indubitável.

Assim, porque os nossos sentidos por vezes nos enganam, decidi supor que nos enganam sempre. E porque há pessoas que se enganam ao raciocinar, até nos aspectos mais simples da geometria, fazendo raciocínios incorrectos, rejeitei como falsas todas as razões que até então me tinham parecido aceitáveis, visto estar sujeito a enganar-me como qualquer outra pessoa. Por fim, considerando que os pensamentos que temos quando estamos acordados podem ocorrer também quando dormimos, não sendo neste caso verdadeiros, resolvi supor que tudo o que até então tinha acolhido no meu pensamento não era mais verdadeiro do que as ilusões dos meus sonhos. Mas, logo a seguir notei que enquanto assim queria pensar que tudo era falso, eu, que assim pensava, necessariamente era alguma coisa. E tendo notado que esta verdade eu penso logo existo era tão firme e tão certa que todas as extravagantes suposições dos cépticos seriam impotentes para a abalar, julguei que a poderia aceitar sem escrúpulo como primeiro princípio da filosofia que procurava.

Depois, examinei com atenção que coisa eu era, e vi que podia supor que não tinha corpo e que não havia qualquer mundo ou lugar onde existisse, mas que, apesar disso não podia imaginar que não existia. Pelo contrário, porque pensava, ao duvidar da verdade das outras coisas, tinha de admitir como muito evidente e muito certo que existia, ao passo que bastava que tivesse deixado de pensar para deixar de ter qualquer razão para acreditar que existia, mesmo que tudo o que tivesse imaginado fosse verdadeiro.

                                                                                                      Descartes, Discurso do Método




Enquanto estende a sua dúvida a tudo, Descartes descobre que se encontra a duvidar, a pensar e para pensar, tem de existir enquanto ser pensante.

Eu penso,
Logo, existo.


cogito (inferência eu penso, logo existo) é a primeira certeza inabalável



Cogito

Penso, logo existo

PRINCÍPIO DE CONHECIMENTO

·         Crença autojustificada
·         Verdade da razão (e não dos sentidos)


CRITÉRIO DE VERDADE

·         Permite definir o critério de verdade
-        o que faz Descartes ter a certeza de que o cogito é uma verdade?
-        percebe/entende o cogito com
com clareza e distinção

·         é  verdade tudo o que percebemos com clareza e distinção




A importância do cogito no sistema cartesiano

-         O Cogito, Penso, logo existo, é a primeira certeza, o princípio do conhecimento.

·         É uma crença autojustificada
·         É uma verdade da razão e não dos sentidos
-         Descartes procura nessa certeza o critério de verdade – o que o faz ter a certeza de que o cogito é uma verdade?
-     Descartes verifica que percebe/ entende o cogito com clareza e distinção e assim extrai o critério de verdade: é verdade tudo o que percebemos com clareza e distinção.

-         As ideias claras e distintas são intelectuais, são percebidas/ entendidas por intuição racional.

Questões de revisão:

1. Explique como chega Descartes à sua primeira certeza - o cogito.
2- Mostre como é importante o cogito para o sistema cartesiano.

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