sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Críticas ao Utilitarismo








               Texto: Objeções ao utilitarismo de Mill



 Dificuldades de cálculo

Apesar dos princípios utilitaristas parecerem apelativos, há muitas dificuldades que se levantam quando tentamos coloca-los em prática.
É extremamente difícil medir a felicidade de pessoas diferentes. Quem decidirá se o enorme prazer do sádico ultrapassa ou não o sofrimento da sua vítima? Ou como se compara o prazer que um entusiasta de futebol tem quando a sua equipa marca um golo brilhante com as deleitosas vibrações de um devoto da ópera que ouve uma ária favorita? E como se comparam estes tipos de prazer com sensações de caráter mais físico, tais como as que se obtêm com o sexo e a alimentação?

Casos problemáticos

Outra objeção ao utilitarismo defende que este pode justificar muitas ações que habitualmente são consideradas imorais. Por exemplo, se pudesse mostrar-se que enforcar publicamente um inocente teria o efeito benéfico direto de reduzir os crimes violentos, por atuar como um fator de dissuasão, causando assim, no cômputo geral, mais prazer que dor, então o utilitarista seria obrigado a dizer que enforcar o inocente era a coisa moralmente correta a fazer (...).

                                   Nigel Warburton, Elementos Básicos de Filosofia

                Questões:
                1. Quais as objeções ao utilitarismo que o texto refere?
             

                A objeção da máquina de experiências


Esta objeção foi formulada pelo filósofo Robert Nozick. Imagina que tens à tua disposição um computador capaz de te fornecer todas as experiências que mais desejas. Passarás a ser uma pessoa absolutamente feliz e não alguém que ora sente alegria e entusiasmo pela vida, ora tristeza e tédio. A tua felicidade não terá interrupções. Mas tens de escolher entre ligar-te à máquina de experiências ou prosseguir a vida que já tens. Lembra-te que, se o fizeres, poderás viver a ilusão de seres, por exemplo, um ídolo pop, um revolucionário que transforma o mundo num lugar perfeito ou até um jogador de futebol milionário, informado e com gosto. Qual é a tua escolha?
Se o utilitarismo de Mill for verdadeiro, a escolha certa é estabelecer a ligação à máquina. Mas muito provavelmente não vais ser capaz de esquecer o valor que tem o facto de viveres uma vida real e dar o salto para a doce ilusão. Parece claro que fazer certas coisas tem valor para além do sentimento de felicidade que produz em ti. Não queres perder a autonomia e a realidade de fazer as coisas. Isto é eticamente crucial e está acima da felicidade.
                                       Faustino Vaz, A máquina de experiências in crítica
               
                Questões:
                1. O que mostra a objeção da máquina de experiências?

                



1. 
Exigências excessivas

  • Toda a ética se resume à beneficência – devemos fazer tudo para promover a felicidade geral.
  • Viveríamos quase em função do interesse dos outros.
  • É aceitável dedicarmo-nos a atividades e projetos que não contribuem para o bem-estar geral (ir ao cinema, tirar um curso…).

Dificuldades de cálculo
  • É muito difícil medir a felicidade de pessoas diferentes.
  • Como se comparam prazeres como assistir a um jogo de futebol ou assistir a uma ópera num conjunto de pessoas diferentes?
Consequências moralmente indesejáveis
  • Mesmo agindo de modo a produzir mais prazer que dor geral, há atos que são sempre moralmente indesejáveis e nunca podem ser considerados moralmente corretos (matar um inocente).









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