domingo, 8 de fevereiro de 2015

Princípios secundários


Klee




       

              Texto: Princípios Secundários



Os defensores da utilidade são frequentemente chamados a responder a objeções como esta – que antes da ação, não há tempo para calcular e pesar os efeitos de qualquer linha de conduta na felicidade geral. Isto é exatamente como se alguém dissesse que é impossível guiar a nossa conduta pelo cristianismo, já que, sempre que tenha de se fazer alguma coisa, não há tempo para ler todo o antigo testamento.
A resposta a esta objeção é que tem havido muito tempo, nomeadamente todo o passado da espécie humana. Ao longo de todo este tempo, a humanidade tem vindo a descobrir tendências das ações através da experiência, dependendo dessa experiência toda a prudência, bem como toda a moralidade da vida. As pessoas falam como se o começo deste curso de experiência tivesse sido posto de parte até aqui, e como se, no momento em que um homem se sente tentado a intrometer-se na propriedade ou na vida de outro, tivesse de começar a considerar pela primeira vez se o assassínio ou o roubo são prejudiciais para a felicidade humana. (…) É estranho pensar que um primeiro princípio é inconsistente com a aplicação de princípios secundários. Informar um viajante sobre o lugar do seu destino último não é proibir o uso de pontos de referência e de sinais pelo caminho. A proposição de que a felicidade é o fim e o objetivo da moralidade não significa que não se possa construir qualquer estrada para atingir esse objetivo, ou que as pessoas que seguem para lá não devam ser aconselhadas a seguir uma direção em vez de outra. (…) seja qual for o princípio que adotemos como princípio fundamental da moralidade, precisamos de princípios subordinados através dos quais possamos aplicá-los; a impossibilidade de passarmos sem eles, sendo comum a todos os sistemas, não pode proporcionar qualquer argumento contra um em particular (…)
                                                                       Stuart Mill, Utilitarismo

                 Questões:
                  1.  A que objeção ao utilitarismo se refere o texto?
                  2.  O que são princípios secundários?





                  Teremos de pensar sempre no princípio da maior felicidade antes de agirmos?
                  
                   Seria insensato e pouco prático:
                        -  Temos tendência para dar mais importância à nossa própria felicidade.
                        -  É muito difícil prever todas as consequências dos nossos atos.
                  Como sabemos, então, quando resulta da ação a maior felicidade geral?



Princípios secundários:
  • São princípios que, segundo o que a experiência tem mostrado, conduzem geralmente a boas consequências.
  • São bastante fáceis de aplicar.

Ex. Não devemos maltratar inocentes.





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