segunda-feira, 18 de abril de 2016

A evolução da ciência segundo Kuhn



A INCOMENSURABILIDADE DOS PARADIGMAS - AQUI

O ENQUADRAMENTO MENTAL DO CIENTISTA - AQUI

A ciência normal, a atividade em que, inevitavelmente, a maioria dos cientistas consome quase todo o seu tempo, constitui-se na suposição de que a comunidade científica sabe como é o mundo. Grande parte do êxito da pesquisa deve-se ao facto da comunidade se encontrar disposta a defender essa suposição, mesmo que seja necessário pagar um preço elevado. A ciência normal, por exemplo, suprime frequentemente inovações fundamentais, devido a permanecerem demasiado subversivas relativamente às suas crenças habituais.


No entanto, (...) a própria natureza da investigação normal assegura que a inovação não seja ignorada durante muito tempo. Por vezes, um problema normal que deveria resolver-se por meio de regras e procedimentos conhecidos, opõe resistência aos esforços persistentes dos mais notáveis especialistas. Outras vezes, um instrumento concebido e construído para a investigação normal não dá os resultados esperados, revelando uma anomalia que, apesar dos esforços repetidos, não corresponde às esperanças profissionais.
A ciência normal perde-se muitas vezes nestes e noutros embaraços. E quando se acumulam, isto é, quando a comunidade de cientistas não pode passar por alto as anomalias que subvertem a tradição existente das práticas científicas, iniciam-se investigações extraordinárias que levam, por fim, à adoção de um conjunto de crenças, a uma nova base para a prática da ciência.
Os episódios extraordinários em que têm lugar essas mudanças de paradigmas, são denominadas neste ensaio por revoluções científicas.
                                                                      Kuhn, A Estrutura das Revoluções científicas

A HISTÓRIA DA CIÊNCIA COMO SUCESSÃO DE PARADIGMAS



Desenvolvimento da ciência

COMULATIVO 

As novas teorias melhoram, aperfeiçoam as anteriores.

O desenvolvimento da ciência durante o período de ciência normal é comulativo. 


 NÃO COMULATIVO

As novas teorias substituem completamente as anteriores.

As revoluções científicas que resultam da ciência extraordinária são episódios de desenvolvimento não comulativo.  












PARADIGMA

Conjunto de conceitos fundamentais e de procedimentos padronizados, aceites pela comunidade científica, que orientam e determinam a prática científica numa determinada época.

Elementos dos paradigmas:

Leis e pressupostos teóricos fundamentais
Regras para aplicar as leis à realidade
Regras para usar instrumentos científicos
Princípios metafísicos e filosóficos




CIÊNCIA NORMAL


Ciência que se faz no âmbito de um paradigma; a atividade de resolução de problemas dirigida pelas regras do paradigma.

Período de investigação cumulativa, de consenso da comunidade científica em relação ao paradigma vigente

COMUNIDADE CIENTÍFICA
Comunidade em que os cientistas se inserem para desenvolver o trabalho de investigação, de acordo com o paradigma vigente
ANOMALIAS

Enigmas que resistem à tentativa de solução
O acumular de anomalias persistentes leva os cientistas à perda de confiança no paradigma

CRISE

Período em que um número elevado de anomalias leva o paradigma vigente a entrar em rutura e a formar-se um novo paradigma.

A insatisfação e perda de confiança dos cientistas no paradigma vigente, provocado pela acumulação de anomalias persistentes conduz à crise científica

CIÊNCIA EXTRAORDINÁRIA

Atividade científica que entra em rutura com o paradigma vigente e se orienta por outro paradigma.

Os cientistas procuram soluções fora do paradigma vigente

Algumas soluções apresentam-se como alternativas para um novo paradigma 
REVOLUÇÃO CIENTÍFICA

Substituição de um paradigma por outro

Mudança radical na direção de uma disciplina científica - alteração das suas leis e teorias fundamentais e regras de investigação

Adoção de um paradigma novo por parte de toda a comunidade científica.

OS PARADIGMAS SÃO INCOMENSURÁVEIS, NÃO PODEM SER COMPARADOS
OBJETIVAMENTE DE MODO A DETERMINAR QUAL É O MELHOR





OS PARADIGMAS SÃO INCOMENSURÁVEIS


NÃO SE PODEM COMPARAR OBJETIVAMENTE

porque
 NÃO HÁ CRITÉRIOS INDEPENDENTES RECONHECIDOS PELOS DEFENSORES DOS DOIS PARADIGMAS
A Incomensurabilidade dos paradigmas põe em causa

A RACIONALIDADE DA ESCOLHA ENTRE TEORIAS CIENTÍFICAS

Não existem critérios independentes para avaliar teorias de paradigmas rivais


 A IDEIA DE PROGRESSO NA CIÊNCIA

Não é possível afirmar objetivamente que um paradigma está mais próximo da verdade. 
(adaptação Cogito)



A escolha das teorias
CRITÉRIOS OBJETIVOS PARTILHADOS PELOS CIENTISTAS

AO SEREM APLICADOS MOSTRAM-SE IMPRECISOS

Dependência do paradigma

Os cientistas que investigam com base em paradigmas diferentes podem divergir quanto aos

·         Problemas que é necessário resolver

·         Os instrumentos/observações para as observações experimentais


Fatores subjetivos

A aplicação dos critérios – a interpretação e a importância/prioridade que os cientistas dão aos critérios de escolha dependem de fatores subjetivos
·         Históricos
·         Pessoais e sociais

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