segunda-feira, 12 de maio de 2014

O juízo de gosto segundo Kant


Naufrágio, Turner

"Esta tempestade no mar é sublime", não é uma opinião pessoal.


O primeiro lugar-comum do gosto está contido na proposição com a qual cada pessoa sem gosto pensa precaver-se contra a censura: cada urna tem o seu próprio gosto. Isto equivale dizer que o princípio determinante deste juízo é simplesmente subjetivo (deleite ou dor) e que o juízo não tem nenhum direito ao necessário assentimento dos outros.
O segundo lugar-comum do gosto, que também é usado até por aqueles que concedem ao juízo de gosto o direito de expressar-se validamente por qualquer um, é: não se pode disputar sobre o gosto. O que equivale dizer que o princípio determinante de um juízo de gosto na verdade pode ser também objectivo, mas que ele não se deixa conduzir a conceitos determinados; por conseguinte, nada pode ser decidido sobre o próprio juízo através de provas, conquanto se possa perfeitamente e com direito discutir a esse respeito.
Pois discutir e disputar são na verdade idênticos no facto que procuram produzir a sua unanimidade através da oposição recíproca dos juízos, são porém diferentes no facto que o último espera produzir essa oposição segundo conceitos determinados, enquanto argumentos, por conseguinte admite conceitos objectivos como fundamentos do juízo. Onde isso porém não for considerado factível, aí tão pouco o disputar será ajuizado como factível. Vê-se facilmente que entre esses dois lugares-comuns falta uma proposição, que na verdade não esta proverbialmente em voga, mas todavia está contida no sentido de qualquer um, nomeadamente: pode-se discutir sobre o gosto (embora não disputar). Esta proposição contém, porém, o oposto da primeira. Pois sobre o que deva ser permitido discutir tem que haver esperança de chegar a um acordo entre as partes; por conseguinte tem que se poder contar com fundamentos do juízo que não tenham validade simplesmente privada e portanto não sejam simplesmente subjectivos; ao que se contrapõe precisamente aquela proposição fundamental: cada um tem o seu próprio gosto.
                                                                                                                                                                                                                                    Kant, Crítica da faculdade de Julgar



O Juízo estético em Kant    

Os juízos estéticos são subjetivos

Os juízos estéticos têm validade universal
           Subjetivo porque se refere ao sujeito que julga, depende dos sentimentos do sujeito e não das propriedades do objeto.

          O juízo de gosto é desinteressado e contemplativo (independente de motivações pessoais)

            Universalmente subjetivo pois deve ser válido para todos os sujeitos que julgam desinteressadamente.

           Há uma exigência de universalidade nos nossos juízos, pela existência ideal de um sentido de gosto comum a todos os seres humanos que permite avaliar os objetos estéticos da mesma forma.

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