domingo, 7 de outubro de 2018

O que é a Filosofia?



O que é a Filosofia? (Textos/Fichas) - AQUI

A filosofia é uma actividade crítica

A primeira coisa a fazer perante uma afirmação filosófica, como “Tudo é relativo”, é tentar saber exactamente o que estamos a dizer. “Tudo” refere-se a quê? E o que quer dizer “relativo”? No estudo da filosofia, este trabalho de interpretação é crucial. Temos de saber com precisão o que realmente está a ser afirmado para podermos discutir essa afirmação. É por isso que no capítulo 2 iremos distinguir frases de proposições, e iremos ver o que é a ambiguidade e outras armadilhas que não nos permitem interpretar correctamente as ideias dos filósofos.


Se me perguntares o que quer dizer “tudo” e “relativo” no contexto da minha afirmação, posso responder assim:

“Tudo” refere-se a todas as verdades. O que eu defendo é que todas as verdades são relativas. E “relativo” quer dizer que as verdades mudam, ou variam; não são coisas fixas.

Agora já compreendemos melhor o que quer dizer “Tudo é relativo”. Mas será então que, nesse sentido, é verdadeiro que “Tudo é relativo”? Que razões temos para aceitar esta ideia? Por que razão não será melhor aceitar a negação desta ideia? É porque por vezes queremos negar ideias que no capítulo 2 irás aprender a não errar ao negar certos tipos de afirmações.

Já estás a ver que não basta interpretar e compreender o que eu queria dizer com a afirmação “Tudo é relativo”. É preciso ter uma atitude crítica em relação ao que foi dito. Será que tenho razão? Porquê? Ou será que estou enganado? E porquê?

Quando fazemos estas perguntas, estamos a exigir argumentos. Será que os argumentos em que me baseio ao pensar que tudo é relativo são suficientemente fortes para apoiar esta ideia? Ou são apenas confusos e desinteressantes? A argumentação é o coração da filosofia e é por isso que a filosofia é uma atitude crítica. É por isso também que no capítulo 2 vamos aprender a distinguir os bons dos maus argumentos.

  • Precisamos de argumentos para mostrar que os problemas que estamos a estudar não são meras ilusões e confusões. Por exemplo, será que o problema do sentido da vida faz sentido? Porquê?
  • Precisamos de argumentos para avaliar as respostas que os filósofos e nós próprios damos aos problemas da filosofia. Por exemplo, será que a resposta que Platão dá ao problema da imortalidade da alma é boa?
  • E precisamos de saber avaliar argumentos porque os filósofos passam grande parte do seu tempo a apresentar argumentos a favor das suas ideias e contra as ideias que eles acham que estão erradas. Por exemplo, será que o argumento de Santo Anselmo a favor da existência de Deus é bom?
Porque a filosofia é uma actividade crítica, avalia cuidadosamente os nossos preconceitos mais básicos. Isto faz da filosofia uma actividade um pouco melindrosa. Em geral, temos tendência para nos agarrarmos acriticamente aos nossos preconceitos, porque eles condicionam a maneira como vemos o mundo e como vivemos a vida. A filosofia, pelo contrário, exige abertura de espírito e disponibilidade para pensar livremente.

                                      Continua em Desidério Murcho, O que é a Filosofia, Critica

A atividade filosófica Ppt

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