segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Juízos de facto e juízos de valor


Menez


É uma pintura de Menez (1926-1995)

É uma pintura muito bela!

Eu considero esta pintura muito bela.

Devemos saber apreciar  obras de arte.

Eu gosto desta pintora.

A relação valorativa


Magritte
Avaliar é exatamente estabelecer diferenças entre umas coisas e outras, preferir isto àquilo e escolher o que tem de ser conservado porque tem mais interesse que o resto. O trabalho de avaliar é tarefa humana por excelência e a base de qualquer cultura humana. Na natureza reina a indiferença, na cultura, a diferenciação e os valores. Sendo assim, devemos perguntar-nos que critérios de avaliação podemos ter para fundamentar as nossas supostas obrigações relativamente aos elementos naturais, deixando claro à partida que sejam quais forem esses critérios, serão culturais e nunca propriamente naturais.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Contra-exemplos para a teoria CVJ



Três Contra-Exemplos à Teoria CVJ

Em 1963, o filósofo Edmund Gettier publicou dois contra-exemplos para a teoria CVJ. O que é um contra-exemplo? É um exemplo que contradiz o que diz uma teoria geral. Um contra-exemplo contra uma generalização mostra que a generalização é falsa. A teoria CVJ diz que todos os casos de crença verdadeira justificada são casos de conhecimento. Gettier pensa que estes dois exemplos mostram que um indivíduo pode ter uma crença verdadeira justificada mas não ter conhecimento. Se Gettier tiver razão, então as três condições indicadas pela teoria CVJ não são suficientes.

Crença verdadeira justificada


Magritte
Itens de escolha múltipla

Platão - A definição tripartida de conhecimento - aqui

Dois Requisitos para o Conhecimento: Crença e Verdade

Devemos fazer notar duas ideias que fazem parte do conceito de conhecimento. Primeiro, se S sabe que p (que uma proposição é verdadeira), então tem de acreditar que p. Segundo, se S sabe que p, então p tem de ser verdadeira. O conhecimento requer tanto a crença quanto a verdade. Comecemos pela segunda ideia. As pessoas às vezes dizem que sabem coisas que mais tarde se revelam falsas. Mas isto não é saber coisas que são falsas, é pensar que se sabem coisas que, de facto, são falsas.

O que é o conhecimento - Tipos de Conhecimento


Edgar Degas

No quotidiano falamos de conhecimento, de crenças que estão fortemente apoiadas por dados, e dizemos que elas têm justificação ou que estão bem fundamentadas. A epistemologia é a parte da filosofia que tenta entender estes conceitos. Os epistemólogos tentam avaliar a ideia, própria do senso comum, de que possuímos realmente conhecimento. Alguns filósofos tentaram apoiar com argumentos esta ideia do senso comum. Outros fizeram o contrário. Os filósofos que defendem que não temos conhecimento, ou que as nossas crenças não têm justificação racional, estão a defender uma versão de cepticismo filosófico.

Marianne Faithfull - blazing away


Sugestão musical para este domingo

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Bom Ano!




Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Ode to Joy



"O Freunde, nicht diese Töne" - IX. Symphony No. 9, Ludwig van Beethoven | Herbert von Karajan


ODE TO JOY (Friedrich Schiller)


BARITONE

Oh friends, not these tones!
Let us raise our voices in more
Pleasing and more joyful sounds!

BARITONE, QUARTET, AND CHORUS

Joy, beautiful spark of the gods,
Daughter of Elysium,
We enter fire imbibed,
Heavenly, thy sanctuary.

We murder to dissect


William Havell

The Tables Turned

Up! up! my Friend, and quit your books;
Or surely you'll grow double:
Up! up! my Friend, and clear your looks;
Why all this toil and trouble?

Tabacaria


Fernando de Azevedo

Tabacaria

Não sou nada. 
Nunca serei nada. 
Não posso querer ser nada. 
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

The Little Match Girl



MOST TERRIBLY COLD it was; it snowed, and was nearly quite dark, and evening—the last evening of the year. In this cold and darkness there went along the street a poor little girl, bareheaded, and with naked feet. When she left home she had slippers on, it is true; but what was the good of that? They were very large slippers, which her mother had hitherto worn; so large were they; and the poor little thing lost them as she scuffled away across the street, because of two carriages that rolled by dreadfully fast.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Abrir Janelas



Janelas para a Filosofia, de Aires Almeida e Desidério Murcho
Este livro constitui um novo e precioso contributo dos autores para a valorização da filosofia e do seu ensino nas escolas.

      Apresentação

        Excerto

domingo, 30 de novembro de 2014

Conhecimento ou ilusão?



Título Original: The Matrix

Direção: Andy Wachowski e Larry Wachowski

Ano de Lançamento (EUA): 1999

Tempo de Duração: 136 minutos

No Matrix, seres humanos imobilizados estão empilhados em quilómetros de altura, dentro de cubículos e ligados a um computador que cria nos seus cérebros uma simulação do mundo real.

12 Homens em Fúria



Realização: Sidney Lumet
Argumento: Reginald Rose
Produção: Henry Fonda e Reginald Rose
Ano: 1957
Duração: 92 minutos

Um júri composto por doze jurados reúne-se para decidir a sentença no julgamento de um jovem de 18 anos acusado de matar o pai. As orientações do juiz são as de que devem chegar a uma decisão unânime e de que o réu deve ser considerado inocente no caso de existir uma dúvida legítima quanto à sua culpa. O veredicto de «culpado» conduzirá obrigatoriamente a uma pena de morte.

sábado, 29 de novembro de 2014

The Beatles- Dear Prudence


Sugestão musical para este fim de semana

Poderemos considerar as pessoas boas ou más se não tiverem livre-arbítrio?


Magritte

Avaliar as pessoas como boas ou más. Poderemos continuar a considerar as pessoas boas ou más se elas não tiverem livre-arbítrio? Pode parecer surpreendente que diga isto, mas não vejo razão para pensar que não. Mesmo que não tenham livre-arbítrio, as pessoas não deixarão de ter virtudes e vícios. Continuarão a ser corajosas ou cobardes, benevolentes ou cruéis, generosas ou gananciosas.

Sonho ou realidade?




Título original: Inception
Realizador: Christopher Nolan
Argumento: Christopher Nolan
Ano: 2010
Duração: 148 minutos

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O libertismo de Sartre



É estranho que os filósofos tenham argumentado ao longo de milénios sobre o determinismo e o livre-arbítrio, citando exemplos a favor de uma tese ou de outra sem primeiro terem tentado explicitar a própria ideia de acção (…).

Fatalismo




Conheci um homem já idoso que tinha sido oficial na primeira guerra mundial. Disse-me que um dos seus problemas fora o de conseguir que os seus homens usassem capacete quando se encontravam em risco de receber fogo inimigo.

O dilema do determinismo


Magritte


Há um argumento, a que vou chamar Argumento Básico, que parece provar que não podemos ser verdadeiramente ou fundamentalmente responsáveis, moralmente, pelas nossas ações. Segundo este Argumento Básico, não importa se o determinismo é verdadeiro ou falso.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Será o determinismo compatível com a responsabilidade moral?




Personagens: Lázaro: defensor do livre arbítrio; Daniel: defensor do determinismo; Carolina: defensora do compatibilismo.

LÁZARO: Aí vem a Carolina. Talvez ela nos possa dizer o que pensa sobre o assunto.
DANIEL: Olá, Carolina.
CAROLINA: Olá, Daniel. Olá, Lázaro.

Libertismo


Edward Hopper

O Libertismo é a perspetiva de que pelo menos algumas das nossas ações são livres porque, na verdade, não estão causalmente determinadas. Segundo esta teoria, as escolhas humanas não estão constrangidas da mesma forma que outros acontecimentos do mundo.

sábado, 15 de novembro de 2014

O bom uso da retórica



Primeiro, tens de conhecer a verdade sobre tudo o que falas ou escreves; tens de aprender a definir cada coisa em si própria; e, uma vez definida, tens de saber como dividi-la em categorias até chegares a algo indivisível.

Retórica e persuasão



SÓCRATES: Afirmas que és capaz de ensinar a retórica a quem a quiser aprender contigo?
GÓRGIAS: Afirmo.
SÓCRATES: De tal modo que essa pessoa fique em condições de ganhar o assentimento de uma assembleia sobre qualquer assunto, sem a instruir recorrendo apenas à persuasão?

Retórica e manipulação





Muito do raciocínio prático é dedicado a alterar os objetivos das pessoas. Procuramos colocar a situação a uma luz diferente, de forma que as pessoas passem a partilhar os objetivos que aprovamos ou que abandonem objetivos que desaprovamos.

Os sofistas e o mau uso da retórica



Os sofistas propunham-se, mediante um pagamento, ganhar qualquer discussão, especialmente em tribunal, por quaisquer meios de que dispusessem.

Argumentação e retórica





ARGUMENTOS INFORMAIS MAIS FREQUENTES

LÓGICA INFORMAL - FICHAS DE TRABALHO

ARGUMENTAÇÃO E RETÓRICA - FICHA DE TRABALHO

O problema do livre-arbítrio



segunda-feira, 10 de novembro de 2014

As pessoas serão responsáveis pelo que fazem?



Em 1924, dois adolescentes de Chicago, Richard Loeb e Nathan Leopold, raptaram e assassinaram um rapaz chamado Bobby Franks apenas para provar que conseguiam fazê-lo. O crime impressionou o público. Apesar da brutalidade do seu acto, Leopold e Loeb não pareciam especialmente perversos. Provinham de famílias ricas e eram ambos estudantes excelentes. Aos dezoito anos, Leopold era o licenciado mais jovem na história da Universidade de Chicago, e, aos dezanove anos, Loeb era a pessoa mais nova que se tinha licenciado na Universidade de Michigan. Leopold estava prestes a entrar na Escola de Direito de Harvard. Como era possível que tivessem cometido um assassinato absurdo?

O argumento determinista


Edward Hopper
(…) “Acredito no Livre Arbítrio. Não tenho outra escolha”.
Singer (Isaac Bashevis) sabia que este pequeno gracejo colocava uma questão filosófica séria. É difícil não pensar que temos livre arbítrio. Quando estamos a decidir o que fazer a escolha, a escolha parece inteiramente nossa. A sensação interior de liberdade é tão poderosa que podemos ser incapazes de abandonar a ideia de livre-arbítrio, por muito fortes que sejam as provas da sua inexistência.

O problema do livre arbítrio


Edward Hopper

O Problema do livre arbítrio - aqui



Supõe que estás na bicha de uma cantina e que, quando chegas às sobremesas, hesitas entre um pêssego e uma grande fatia de bolo de chocolate com uma cremosa cobertura de natas. O bolo tem bom aspecto, mas sabes que engorda. Ainda assim, tiras o bolo e come-lo com prazer. No dia seguinte vês-te ao espelho, ou pesas-te, e pensas: «Quem me dera não ter comido o bolo de chocolate. Podia ter comido antes o pêssego.»
«Podia ter comido antes o pêssego.» Que quer isto dizer? E será verdade?

sábado, 8 de novembro de 2014

Pachelbel Canon in D Major



Sugestão musical para este fim de semana

Guia das falácias




O objectivo de um argumento é expor as razões (premissas) que sustentam uma conclusão. Um argumento é falacioso quando parece que as razões apresentadas sustentam a conclusão, mas na realidade não sustentam.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Boneco de Palha


Candido Portinari

Em vez de atacar um "homem autêntico", ataca um "boneco de palha"

Petição de princípio



Magritte

Petição de princípio (petitio principii): usar implicitamente a sua conclusão como premissa.
Deus existe porque é a Bíblia que o afirma e eu sei que isso é verdade porque foi  Deus, afinal, quem a escreveu!

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Falso dilema


Magritte

Reduzir as opções possíveis a apenas duas, muitas vezes claramente opostas e injustas para a pessoa contra a qual o dilema é colocado. Por exemplo: «É pegar ou largar». Um exemplo mais subtil retirado do ensaio de um estudante: «Uma vez que o universo não pode ser criado a partir do nada, teve de ser criado por uma força inteligente.» Será que a criação por uma força inteligente é a única possibilidade?

Argumentos de autoridade


Magritte

(O argumento de autoridade é...) Um argumento baseado no testemunho de outras pessoas, em geral com uma forma lógica "X disse que P; logo, P", sendo X uma pessoa ou grupo de pessoas e P uma afirmação qualquer.
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