Avaliar é exatamente estabelecer diferenças entre umas coisas e outras, preferir isto àquilo e escolher o que tem de ser conservado porque tem mais interesse que o resto. O trabalho de avaliar é tarefa humana por excelência e a base de qualquer cultura humana. Na natureza reina a indiferença, na cultura, a diferenciação e os valores. Sendo assim, devemos perguntar-nos que critérios de avaliação podemos ter para fundamentar as nossas supostas obrigações relativamente aos elementos naturais, deixando claro à partida que sejam quais forem esses critérios, serão culturais e nunca propriamente naturais.
Em 1963, o filósofo Edmund Gettier publicou dois contra-exemplos para a teoria CVJ. O que é um contra-exemplo? É um exemplo que contradiz o que diz uma teoria geral. Um contra-exemplo contra uma generalização mostra que a generalização é falsa. A teoria CVJ diz que todos os casos de crença verdadeira justificada são casos de conhecimento. Gettier pensa que estes dois exemplos mostram que um indivíduo pode ter uma crença verdadeira justificada mas não ter conhecimento. Se Gettier tiver razão, então as três condições indicadas pela teoria CVJ não são suficientes.
Platão - A definição tripartida de conhecimento - aqui
Dois Requisitos para o Conhecimento: Crença e Verdade
Devemos fazer notar duas ideias que fazem parte do conceito de conhecimento. Primeiro, se S sabe que p (que uma proposição é verdadeira), então tem de acreditar que p. Segundo, se S sabe que p, então p tem de ser verdadeira. O conhecimento requer tanto a crença quanto a verdade. Comecemos pela segunda ideia. As pessoas às vezes dizem que sabem coisas que mais tarde se revelam falsas. Mas isto não é saber coisas que são falsas, é pensar que se sabem coisas que, de facto, são falsas.
No quotidiano falamos de conhecimento, de crenças que estão fortemente apoiadas por dados, e dizemos que elas têm justificação ou que estão bem fundamentadas. A epistemologia é a parte da filosofia que tenta entender estes conceitos. Os epistemólogos tentam avaliar a ideia, própria do senso comum, de que possuímos realmente conhecimento. Alguns filósofos tentaram apoiar com argumentos esta ideia do senso comum. Outros fizeram o contrário. Os filósofos que defendem que não temos conhecimento, ou que as nossas crenças não têm justificação racional, estão a defender uma versão de cepticismo filosófico.
MOST TERRIBLY COLD it was; it snowed, and was
nearly quite dark, and evening—the last evening of the year. In this cold and
darkness there went along the street a poor little girl, bareheaded, and with naked
feet. When she left home she had slippers on, it is true; but what was the good
of that? They were very large slippers, which her mother had hitherto worn; so
large were they; and the poor little thing lost them as she scuffled away across
the street, because of two carriages that rolled by dreadfully fast.
‘All
right,' said the Cat; and this time it vanished quite slowly, beginning with
the end of the tail, and ending with the grin, which remained some time after
the rest of it had gone.
Janelas para a Filosofia, de Aires Almeida e Desidério Murcho Este
livro constitui um novo e precioso contributo dos autores para a valorização da
filosofia e do seu ensino nas escolas.
No Matrix, seres humanos
imobilizados estão empilhados em quilómetros de altura, dentro de cubículos e
ligados a um computador que cria nos seus cérebros uma simulação do mundo real.
Um júri composto por doze jurados reúne-se para decidir a sentença
no julgamento de um jovem de 18 anos acusado de matar o pai. As orientações do
juiz são as de que devem chegar a uma decisão unânime e de que o réu deve ser
considerado inocente no caso de existir uma dúvida legítima quanto à sua culpa.
O veredicto de «culpado» conduzirá obrigatoriamente a uma pena de morte.
Avaliar as pessoas como boas ou más. Poderemos continuar a considerar
as pessoas boas ou más se elas não tiverem livre-arbítrio? Pode
parecer surpreendente que diga isto, mas não vejo razão para pensar que não.
Mesmo que não tenham livre-arbítrio, as pessoas não deixarão de ter virtudes e
vícios. Continuarão a ser corajosas ou cobardes, benevolentes ou cruéis,
generosas ou gananciosas.
É estranho que
os filósofos tenham argumentado ao longo de milénios sobre o determinismo e o
livre-arbítrio, citando exemplos a favor de uma tese ou de outra sem primeiro
terem tentado explicitar a própria ideia de acção (…).
Conheci um
homem já idoso que tinha sido oficial na primeira guerra mundial. Disse-me que
um dos seus problemas fora o de conseguir que os seus homens usassem capacete
quando se encontravam em risco de receber fogo inimigo.
Há um argumento, a que vou chamar
Argumento Básico, que parece provar que não podemos ser verdadeiramente ou
fundamentalmente responsáveis, moralmente, pelas nossas ações. Segundo este
Argumento Básico, não importa se o determinismo é verdadeiro ou falso.
O Libertismo é a perspetiva de que pelo menos algumas das nossas ações são livres porque, na verdade, não estão causalmente determinadas. Segundo esta teoria, as escolhas humanas não estão constrangidas da mesma forma que outros acontecimentos do mundo.
Primeiro, tens de conhecer a
verdade sobre tudo o que falas ou escreves; tens de aprender a definir cada
coisa em si própria; e, uma vez definida, tens de saber como dividi-la em
categorias até chegares a algo indivisível.
SÓCRATES: Afirmas que és capaz de
ensinar a retórica a quem a quiser aprender contigo?
GÓRGIAS: Afirmo.
SÓCRATES: De tal modo que essa
pessoa fique em condições de ganhar o assentimento de uma assembleia sobre
qualquer assunto, sem a instruir recorrendo apenas à persuasão?
Muito do raciocínio prático é
dedicado a alterar os objetivos das pessoas. Procuramos colocar a situação a
uma luz diferente, de forma que as pessoas passem a partilhar os objetivos que
aprovamos ou que abandonem objetivos que desaprovamos.
Em 1924, dois adolescentes de Chicago, Richard Loeb e Nathan Leopold, raptaram e assassinaram um rapaz chamado Bobby Franks apenas para provar que conseguiam fazê-lo. O crime impressionou o público. Apesar da brutalidade do seu acto, Leopold e Loeb não pareciam especialmente perversos. Provinham de famílias ricas e eram ambos estudantes excelentes. Aos dezoito anos, Leopold era o licenciado mais jovem na história da Universidade de Chicago, e, aos dezanove anos, Loeb era a pessoa mais nova que se tinha licenciado na Universidade de Michigan. Leopold estava prestes a entrar na Escola de Direito de Harvard. Como era possível que tivessem cometido um assassinato absurdo?
(…) “Acredito no Livre Arbítrio. Não tenho outra escolha”.
Singer (Isaac Bashevis) sabia que este pequeno gracejo colocava uma questão filosófica séria. É difícil não pensar que temos livre arbítrio. Quando estamos a decidir o que fazer a escolha, a escolha parece inteiramente nossa. A sensação interior de liberdade é tão poderosa que podemos ser incapazes de abandonar a ideia de livre-arbítrio, por muito fortes que sejam as provas da sua inexistência.
Supõe que estás na bicha de uma cantina e que, quando chegas às sobremesas, hesitas entre um pêssego e uma grande fatia de bolo de chocolate com uma cremosa cobertura de natas. O bolo tem bom aspecto, mas sabes que engorda. Ainda assim, tiras o bolo e come-lo com prazer. No dia seguinte vês-te ao espelho, ou pesas-te, e pensas: «Quem me dera não ter comido o bolo de chocolate. Podia ter comido antes o pêssego.»
«Podia ter comido antes o pêssego.» Que quer isto dizer? E será verdade?
O objectivo de um argumento é
expor as razões (premissas) que sustentam uma conclusão. Um argumento é
falacioso quando parece que as razões apresentadas sustentam a conclusão, mas
na realidade não sustentam.
Reduzir as opções possíveis a
apenas duas, muitas vezes claramente opostas e injustas para a pessoa contra a
qual o dilema é colocado. Por exemplo: «É pegar ou largar». Um exemplo mais
subtil retirado do ensaio de um estudante: «Uma vez que o universo não pode ser
criado a partir do nada, teve de ser criado por uma força inteligente.» Será
que a criação por uma força inteligente é a única possibilidade?
(O argumento de autoridade é...) Um argumento baseado no testemunho de outras pessoas, em geral com uma forma lógica "X disse que P; logo, P", sendo X uma pessoa ou grupo de pessoas e P uma afirmação qualquer.