quinta-feira, 26 de junho de 2014

Argumento a favor da obrigação de ajudar



É este o argumento em favor da obrigação de ajudar. De um modo mais formal, poderia ser formulado como se segue:

Primeira premissa: Se pudermos impedir que um mal aconteça sem sacrificarmos nada de importância moral, devemos fazê-lo;
Segunda premissa: A pobreza é um mal;
Terceira premissa: Há alguma pobreza absoluta que podemos impedir que aconteça sem sacarificar nada de importância moral comparável;
Conclusão: Temos o dever de impedir alguma pobreza absoluta.

A primeira premissa é a premissa moral substancial na qual assenta o argumento; e tentei provar que é aceite por pessoas que aceitam várias posições éticas.
É improvável que a segunda premissa seja contestada. A pobreza absoluta está, como disse McNamara, «abaixo de qualquer definição razoável de decência humana» e seria difícil encontrar uma perspetiva ética plausível que não a considerasse um mal.
A terceira premissa é mais controversa, apesar de estar cautelosamente formulada. Defende apenas que se pode impedir alguma pobreza absoluta sem o sacrifício de seja o que for de importância moral comparável. 


                                             Peter Singer, Ética Prática, pág. 252



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