quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Os objetivos da argumentação



Os argumentos são essenciais - aqui

As regras para argumentar não são, pois, arbitrárias: elas têm um objetivo específico. Mas os estudantes (tal como outros escritores) nem sempre compreendem qual é o objectivo quando pela primeira vez lhes pedem para escrever um ensaio argumentativo — e se não se compreende o objetivo do que nos é pedido, é improvável que o façamos bem.
Muitos estudantes, quando lhes pedem que argumentem a favor dos seus pontos de vista acerca de um qualquer assunto, escrevem declarações intrincadas dos seus pontos de vista, mas não oferecem verdadeiramente nenhumas razões para pensar que os seus pontos de vista são correctos. Escrevem um ensaio, mas não escrevem um ensaio argumentativo.

Este erro é natural. Na escola secundária, a ênfase é colocada na aprendizagem de assuntos que são razoavelmente pouco ambíguos e incontroversos. Não é necessário argumentar que foi Vasco da Gama que descobriu o caminho marítimo para a Índia, ou que Eça de Queirós escreveu Os Maias. Estes são factos que o estudante se limita a dominar, e que os seus ensaios se limitam a relatar.

(…) Sim, é verdade que foi o Vasco da Gama que descobriu o caminho marítimo para a Índia, mas quais foram verdadeiramente as causas da política expansionista? Sim, é verdade que o Eça de Queirós escreveu Os Maias, mas qual é o significado do romance? Há razões e dados favoráveis a diferentes respostas. Aos estudantes destes cursos é pedido que aprendam a pensar por si próprios, que formem as suas próprias opiniões de forma responsável. A habilidade para defender as suas opiniões é um sinal dessa capacidade, e é por isso que os ensaios argumentativos são tão importantes.


(…) Para escrever um bom ensaio argumentativo o estudante tem de usar argumentos simultaneamente como um meio de investigação e como uma maneira de explicar e defender as suas conclusões. Para se preparar para escrever um ensaio, o estudante tem de explorar os argumentos que existem para os pontos de vista opostos; é necessário depois escrever o próprio ensaio como um argumento, defendendo as suas conclusões com argumentos e avaliando criticamente alguns dos argumentos dos pontos de vista opostos.

                                                     Anthony Weston, A Arte de Argumentar





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