Ações por dever e ações em conformidade com o dever





Kant distingue três tipos de ações:
(1)    Ações contrárias ao dever - ações que, em geral, desrespeitam absolutamente o que é moralmente correto (Ex: matar, roubar…).
(2)    Ações conformes ao dever - ações que, embora estejam de acordo com aquilo que devemos fazer, não são motivadas pelo querer cumprir o dever, mas sim por interesses ou inclinações (ajudar alguém para obter uma recompensa).
(3)     Ações realizadas por dever - ações que cumprem o dever por puro e simples respeito pelo dever – apenas para cumprir a obrigação moral (ajudar alguém porque é esse o seu dever).


       Texto: Ações por dever e ações em conformidade pelo dever


É na verdade conforme ao dever que o merceeiro não suba os preços ao comprador inexperiente, e, quando o movimento do negócio é grande, o comerciante esperto não faça semelhante coisa, mas mantenha um preço fixo geral para toda a gente, de forma que uma criança pode comprar em sua casa tão bem como qualquer outra pessoa.
É-se, pois, servido honradamente; mas isso ainda não é bastante para acreditar que o comerciante tenha assim procedido por dever e princípios de honradez; o seu interesse assim o exigia; mas não é de aceitar que ele, além disso, tenha tido uma inclinação imediata para os seus fregueses, de maneira a não fazer, por amor deles, preço mais vantajoso a um do que a outro. A ação não foi, portanto, praticada por dever (…), mas somente com intenção egoísta. 
Pelo contrário, conservar cada qual a sua vida é um dever, e é além disso uma coisa para que toda a gente tem inclinação imediata. Mas por isso mesmo é que o cuidado, por vezes ansioso, que a maioria dos homens lhe dedica não tem nenhum valor intrínseco e a máxima que o exprime nenhum conteúdo moral. Os homens conservam a sua vida, conforme ao dever, sem dúvida, mas não por dever. Em contraposição, quando as contrariedades e o desgosto sem esperança roubaram totalmente o gosto de viver; quando o infeliz, com fortaleza de alma, deseja a morte e conserva contudo a vida sem a amar, não por inclinação ou medo, mas por dever, então a sua máxima tem um conteúdo moral.”                                                                  
                                             Kant, Fundamentação da metafísica dos Costumes


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