domingo, 10 de março de 2019

Descartes e Hume






 Descartes e Hume consideram que:
  •  Não percecionamos diretamente os objetos físicos, apenas temos acesso às perceções ou ideias da nossa própria mente.
  • Acreditamos que as nossas percecões sensíveis são causadas pelos objetos físicos e que se assemelham a eles.
          Mas será que podemos justificar essa crença?


DESCARTES

A realidade do mundo físico

A prova da existência de Deus permite:

-         Afastar a hipótese do génio maligno
-         Confiar no critério de clareza e distinção das ideias
-         Procurar as ideias claras e distintas e progredir no conhecimento – a fonte fundamental de conhecimento é a razão e não a experiência
-         Ter a certeza que as nossas percepções sensíveis correspondem à existência de objetos físicos

  ARGUMENTO

·       Tenho uma inclinação muito forte para acreditar que as minhas percepções sensíveis são criadas por objetos físicos

·     Se eu estivesse enganado sobre esta  forte inclinação, Deus seria enganador

·    Mas Deus não é enganador

·    Logo, a minha inclinação para acreditar que  as minhas percepções sensíveis são criadas por objetos físicos é correta
                                                                   adaptação cogito
HUME

É uma questão de facto se as percepções dos sentidos são produzidas por objetos externos, a elas semelhantes: como irá decidir-se tal questão?
Pela experiência, certamente, como todas as outras questões de natureza similar. Mas, aqui, a experiência é e deve ser inteiramente muda. A mente nunca tem algo presente a si a não ser as perceções e, possivelmente, não pode obter qualquer experiência da sua conexão com os objetos. Por conseguinte, a suposição de uma tal conexão é desprovida de todo o fundamento no raciocínio.

                                                             
                            Hume, Investigação sobre o entendimento Humano


A realidade do mundo físico
Temos a crença num mundo exterior às nossas mentes que é a causa das nossas impressões

Acreditamos que as percepções sensíveis são causadas pelos objetos físicos
Não podemos confundir os objetos exteriores à nossa mente com as nossas percepções dos mesmos

O que está presente na nossa mente não são os objetos reais mas sim uma imagem ou representação – não estamos em contato direto com o mundo exterior.
A nossa experiência não pode estender-se para além das nossas impressões e estas não podem ser confundidas com os objetos em si mesmos

De acordo com a ideia de causalidade não podemos atribuir aos objetos a causa das nossas percepções porque não há observação de conjunção constante entre percepções e objetos físicos, uma vez que a conjunção constante verifica-se entre impressões ou percepções e não entre percepções e objetos físicos.

Não temos forma de saber que as nossas perceções são causadas são causadas por objetos físicos - esta crença não se pode justificar.

                                                                                        adaptação cogito

QUADRO COMPARATIVO - DESCARTES E HUME


ASPETOS DE COMPARAÇÃO
DESCARTES
HUME
A origem do conhecimento
Qual a fonte prioritária de conhecimento?
razão/ pensamento ou os sentidos?
O pensamento ou razão é a principal fonte de conhecimento.
 A principal fonte do conhecimento está nas impressões dos sentidos.
A origem das ideias
Temos ideias inatas (ex: Deus)
-        Não temos ideias inatas.
-        Todas as ideias têm origem nas impressões dos sentidos(até a ideia de Deus)
A natureza da mente
A mente é uma substância pensante, sem extensão, que suporta as nossas ideias.
A mente reduz-se a um agregado de   perceções.
Fundamento do conhecimento
O fundamento do conhecimento é racional (a priori)cogito e ideias claras e distintas.
-        O fundamento é empírico (a posteriori), encontra-se na vivacidade que os dados dos sentidos deixam na nossa mente.
-        Não temos conhecimento a priori sobre questões de facto.
Validade do conhecimento
A existência de Deus garante que as nossas faculdades, devidamente utilizadas, proporcionam o conhecimento.
O conhecimento obtido por dedução (a partir de premissas verdadeiras) é infalível, absolutamente certo.

O conhecimento que se obtém por indução não pode ser considerado absolutamente certo (problema da indução), mesmo que parta de premissas verdadeiras.
O que podemos saber?
Podemos saber que somos seres pensantes, que temos corpo, que Deus existe e que o mundo físico existe.
-        Só podemos saber o que tem origem nas impressões sensíveis.

-        Quando ultrapassamos o testemunho dos sentidos e da memória, apoiamo-nos em suposições que não podemos justificar.

-        Não podemos conhecer as relações de causa e efeito (não podemos justificar a crença na uniformidade da natureza)

-        Não sabemos que o mundo exterior existe.
A resposta aos céticos
Os céticos foram refutados (recorrendo à própria dúvida cética).
Temos que moderar as nossas pretensões ao conhecimento. (ceticismo moderado)

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