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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

As pessoas serão responsáveis pelo que fazem?



Em 1924, dois adolescentes de Chicago, Richard Loeb e Nathan Leopold, raptaram e assassinaram um rapaz chamado Bobby Franks apenas para provar que conseguiam fazê-lo. O crime impressionou o público. Apesar da brutalidade do seu acto, Leopold e Loeb não pareciam especialmente perversos. Provinham de famílias ricas e eram ambos estudantes excelentes. Aos dezoito anos, Leopold era o licenciado mais jovem na história da Universidade de Chicago, e, aos dezanove anos, Loeb era a pessoa mais nova que se tinha licenciado na Universidade de Michigan. Leopold estava prestes a entrar na Escola de Direito de Harvard. Como era possível que tivessem cometido um assassinato absurdo?

O argumento determinista


Edward Hopper
(…) “Acredito no Livre Arbítrio. Não tenho outra escolha”.
Singer (Isaac Bashevis) sabia que este pequeno gracejo colocava uma questão filosófica séria. É difícil não pensar que temos livre arbítrio. Quando estamos a decidir o que fazer a escolha, a escolha parece inteiramente nossa. A sensação interior de liberdade é tão poderosa que podemos ser incapazes de abandonar a ideia de livre-arbítrio, por muito fortes que sejam as provas da sua inexistência.

O problema do livre arbítrio


Edward Hopper

O Problema do livre arbítrio - aqui



Supõe que estás na bicha de uma cantina e que, quando chegas às sobremesas, hesitas entre um pêssego e uma grande fatia de bolo de chocolate com uma cremosa cobertura de natas. O bolo tem bom aspecto, mas sabes que engorda. Ainda assim, tiras o bolo e come-lo com prazer. No dia seguinte vês-te ao espelho, ou pesas-te, e pensas: «Quem me dera não ter comido o bolo de chocolate. Podia ter comido antes o pêssego.»
«Podia ter comido antes o pêssego.» Que quer isto dizer? E será verdade?

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O dilema do prisioneiro


Van Gogh
No início da década de 1980, Robert Axelrod, sociólogo americano, fez uma descoberta notável acerca da natureza da cooperação. A verdadeira importância do resultado de Axelrod ainda não foi devidamente valorizada fora de um grupo restrito de especialistas. Encerra a potencialidade de alterar não apenas as nossas vidas pessoais, como também o mundo da política internacional.

Egoísmo psicológico



Magritte

O egoísmo psicológico é uma teoria da motivação que afirma que todos os nossos desejos últimos se referem a nós mesmos. Sempre que queremos bem aos outros (ou mal), temos esses desejos que se referem aos outros apenas instrumentalmente; preocupamo-nos com os outros apenas porque pensamos que o seu bem-estar influenciará o nosso próprio bem-estar. Como afirmei, o egoísmo é uma teoria descritiva, não é normativa. Procura caracterizar o que de facto motiva os seres humanos, mas nada diz sobre se essa motivação é certa ou errada.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Ação, intenção e deliberação


Balthus

Um erro comum que existe na teoria da ação é supor que todas as ações intencionais são o resultado de alguma espécie de deliberação, que são o produto de uma cadeia de raciocínio prático. Mas, obviamente, muitas coisas que fazemos não são assim. Simplesmente fazemos alguma coisa sem qualquer reflexão prévia.

Acontecimentos e ações


Edward Hopper
Suponhamos que apanhei o comboio e paguei o meu respectivo bilhete. Durante o  percurso vou distraído, pensando nas minhas coisas, sem me dar conta de que brinco  com o pedacito do cartão, enrolo-o e desenrolo-o, até que finalmente o atiro descuidadamente pela janela aberta. Nessa altura aparece-me o cobrador e pede-me o bilhete: desespero e provavelmente a multa. Posso apenas murmurar para me desculpar: " Atirei-o da janela...sem me aperceber." O revisor, que é também um pouco filósofo, comenta: "Bom, se não se apercebeu do que estava do que estava a fazer, não pode dizer que o tenha atirado pela janela. É como ele tivesse caído".

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Será a ética uma questão de convenções sociais?


Cena do Filme, O apedrejamento de Soraya M

A ideia de que a ética é apenas uma questão de convenções sociais atraiu sempre as pessoas educadas. Culturas diferentes têm códigos morais diferentes, diz-se, e pensar que há um padrão universal que se aplica em todas as épocas e lugares não passa de uma ingenuidade. É fácil encontrar exemplos. Nos países islâmicos, os homens podem ter mais do que uma mulher. Na Europa medieval, pensava-se que emprestar dinheiro a juros era pecado. Os povos nativos do Norte da Gronelândia por vezes abandonavam as pessoas velhas, deixando-as morrer ao frio. Ao pensar em exemplos como estes, os antropólogos concordam há muito com a afirmação de Heródoto:« O costume é o rei de todos nós.»

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O libertismo de Sartre


Edward Hopper
É estranho que os filósofos tenham argumentado ao longo de milénios sobre o determinismo e o livre-arbítrio, citando exemplos a favor de uma tese ou de outra sem primeiro terem tentado explicitar a própria ideia de acção (…). Devemos notar em primeiro lugar que uma ação é em princípio intencional (…) Ora se assim é, devemos dizer que uma ação implica como sua condição necessária o reconhecimento de algo que se deseja (desideratum), ou seja, o reconhecimento de uma lacuna objetiva ou de uma negatividade, de algo que falta ou que ainda não existe. A intenção do imperador Constantino de construir uma cidade cristã que rivalizasse com Roma ocorreu-lhe ao reconhecer uma lacuna objectiva (…) faltava uma cidade cristã.

sábado, 30 de novembro de 2013

Fatalismo




Conheci um homem já idoso que tinha sido oficial na primeira guerra mundial. Disse-me que um dos seus problemas fora o de conseguir que os seus homens usassem capacete quando se encontravam em risco de receber fogo inimigo. O argumento dos soldados incluía a ideia de todas as balas terem «um número». Se uma bala tivesse o número de um soldado, não valia a pena tomar precauções, visto que iria matá-lo. Por outro lado, se nenhuma bala exibisse o seu número, o soldado estaria a salvo por mais um dia, tornando-se desnecessário usar um incómodo e desconfortável capacete.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Libertismo


Edward Hopper

O Libertismo é a perspetiva de que pelo menos algumas das nossas acções são livres porque, na verdade, não estão causalmente determinadas. Segundo esta teoria, as escolhas humanas não estão constrangidas da mesma forma que outros acontecimentos do mundo. Uma bola de bilhar, quando é atingida por outra bola de bilhar, tem de se mover numa certa direcção a uma certa velocidade. Não tem escolha. As leis causais determinam rigorosamente o que irá acontecer. Contudo, uma decisão humana não é assim.

Dilema do Determinisno



Dilema de Hume
Nome por vezes dado ao dilema segundo o qual ou as nossas ações são determinadas, caso em que não somos responsáveis por elas, ou então são o resultado de acontecimentos aleatórios, caso em que também não somos responsáveis por elas. 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O problema do compatibilismo


Matisse

Na opinião da maior parte dos filósofos de hoje, o compatibilismo tem as melhores hipóteses de salvar o livre-arbítrio e de proteger a noção de responsabilidade moral do ataque do determinismo. Contudo, o compatibilismo tem um problema grave. O compatibilismo afirma que somos livres se as ações decorrem do nosso caráter e dos nossos desejos não manipulados. O problema é que, em última análise, o nosso carácter e os nossos desejos são causados por forças que não controlamos. Este facto é suficiente para colocar em dúvida a nossa «liberdade».

Compatibilismo


Edward Hopper

O Compatibilismo é a ideia de que um ato pode ser simultaneamente livre e determinado. Isto pode parecer uma contradição, mas, segundo esta teoria, isso não é verdade. Contrariamente ao que possamos pensar, é possível aceitar que o comportamento humano está causalmente determinado e pensar corretamente em nós próprios como agentes livres.
Entre os filósofos, o Compatibilismo é de longe a teoria do livre-arbítrio mais popular. De uma forma ou de outra foi a teoria de Hobbes, Hume, Kant e Mill, e é defendida hoje pela maior parte dos autores que escrevem sobre o assunto. Isto costuma surpreender as pessoas que não estão familiarizadas com a literatura filosófica, dado que o livre-arbítrio e o Determinismo parecem obviamente incompatíveis. De que modo são supostamente consistentes entre si?

sábado, 23 de novembro de 2013

O homem é liberdade


Edward Hopper

O homem não é mais que o que se faz a si mesmo. Tal é o primeiro princípio do existencialismo. (…) O homem é no início um projeto que tem consciência de si mesmo e não um creme, um pedaço de lixo ou uma couve-flor; nada existe anteriormente a este projeto; nada há no céu; o homem é o que tiver projetado ser. (…) Mas se verdadeiramente a existência precede a essência, o homem é responsável por aquilo que é. Assim, o primeiro passo para o existencialismo é dar a cada homem a consciência do que é e atribuir-lhe a responsabilidade completa pela sua existência.

domingo, 17 de novembro de 2013

Será o determinismo compatível com a responsabilidade moral?



Determinismo radical -aqui
Determinismo moderado - aqui
Libertismo - aqui

Personagens: Lázaro: defensor do livre arbítrio; Daniel: defensor do determinismo; Carolina: defensora do compatibilismo.

LÁZARO: Aí vem a Carolina. Talvez ela nos possa dizer o que pensa sobre o assunto.
DANIEL: Olá, Carolina.
CAROLINA: Olá, Daniel. Olá, Lázaro.
LÁZARO: Eu e o Daniel estávamos a falar do julgamento por assassínio do Leopoldo e do Carlos.
CAROLINA: É esse o julgamento no qual Clarence Darrow tentou persuadir o juiz de que os réus não deveriam ser condenados à morte por terem assassinado um miúdo?

domingo, 10 de novembro de 2013

Livre-arbítrio e determinismo



Matisse

Problema do livre arbítrio - aqui


Supõe que estás na bicha de uma cantina e que, quando chegas às sobremesas, hesitas entre um pêssego e uma grande fatia de bolo de chocolate com uma cremosa cobertura de natas. O bolo tem bom aspecto, mas sabes que engorda. Ainda assim, tiras o bolo e come-lo com prazer. No dia seguinte vês-te ao espelho, ou pesas-te, e pensas: «Quem me dera não ter comido o bolo de chocolate. Podia ter comido antes o pêssego.»
«Podia ter comido antes o pêssego.» Que quer isto dizer? E será verdade?

sábado, 9 de novembro de 2013

O Argumento Determinista



Edward Hopper
(…) “Acredito no Livre Arbítrio. Não tenho outra escolha”.
Singer (Isaac Bashevis) sabia que este pequeno gracejo colocava uma questão filosófica séria. É difícil não pensar que temos livre arbítrio. Quando estamos a decidir o que fazer a escolha, a escolha parece inteiramente nossa. A sensação interior de liberdade é tão poderosa que podemos ser incapazes de abandonar a ideia de livre-arbítrio, por muito fortes que sejam as provas da sua inexistência.
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