quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Argumentos por analogia


Magritte

Os argumentos por analogia, em vez de multiplicarem exemplos para apoiarem uma generalização, argumentam a partir de um caso ou exemplo específico para provarem que outro caso, semelhante ao primeiro em muitos aspetos, é também semelhante num outro aspecto determinado.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O dilema do prisioneiro


Van Gogh
No início da década de 1980, Robert Axelrod, sociólogo americano, fez uma descoberta notável acerca da natureza da cooperação. A verdadeira importância do resultado de Axelrod ainda não foi devidamente valorizada fora de um grupo restrito de especialistas. Encerra a potencialidade de alterar não apenas as nossas vidas pessoais, como também o mundo da política internacional.

Egoísmo psicológico



Magritte

O egoísmo psicológico é uma teoria da motivação que afirma que todos os nossos desejos últimos se referem a nós mesmos. Sempre que queremos bem aos outros (ou mal), temos esses desejos que se referem aos outros apenas instrumentalmente; preocupamo-nos com os outros apenas porque pensamos que o seu bem-estar influenciará o nosso próprio bem-estar. Como afirmei, o egoísmo é uma teoria descritiva, não é normativa. Procura caracterizar o que de facto motiva os seres humanos, mas nada diz sobre se essa motivação é certa ou errada.

Generalizações e previsões



 Van Gogh



 "Todos os corvos que até hoje se observaram são negros
   Todos os corvos são negros"

A generalização é um tipo muito comum de inferência indutiva, que estabelece uma conclusão geral como, por exemplo, "os portugueses são machistas" a partir de casos menos gerais.

Lógica informal - argumentos informais






ARGUMENTOS INFORMAIS MAIS FREQUENTES - ESQUEMA

domingo, 2 de novembro de 2014

Dedução e indução



Edward Hooper





Para começar, é comum distinguir dois tipos diferentes de validade. Para compreender isto, considere-se as seguintes três inferências:
  1. Se o ladrão tivesse entrado pela janela da cozinha, haveria pegadas lá fora; mas não há pegadas lá fora; logo, o ladrão não entrou pela janela da cozinha.
  2. O João tem os dedos manchados de nicotina; logo, o João é um fumador.
  3. O João compra dois pacotes de cigarros por dia; logo, alguém deixou pegadas na parte de fora da janela da cozinha.

Meios de persuasão



A lógica clássica sugere que o bom argumento é sólido, ou seja, válido e com premissas verdadeiras. Embora esta concepção de bom argumento seja útil para modelar muitos tipos de argumentos, o apelo a premissas verdadeiras ajusta-se mal a muitos contextos informais, frequentemente caracterizados por crenças hipotéticas e incertas, por discordâncias profundas sobre o que é verdadeiro e o que é falso, por afirmações éticas e estéticas que não são facilmente categorizadas como verdadeiras ou falsas e por contextos variados nos quais hipóteses completamente diferentes podem ser aceitas ou rejeitadas.

Demonstração e argumentação





"É tão errado pedir demonstrações a um orador como aceitar argumentos meramente persuasivos a um matemático"
                                     Aristóteles

Uma procura épica da verdade






Logicomix: Uma procura épica da verdade é um interessante e divertido livro em banda desenhada que dá a conhecer a vida e a filosofia de Bertrand Russell,  a sua procura  da verdade e da fundamentação lógica de toda a matemática. 

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Usar argumentos como meio de investigação



Sherlock Holmes tem de explicar uma das suas conclusões mais importantes em a Aventura de Silver Blaze:

Estava um cão no estábulo e, apesar de alguém lá ter estado e ter levado para lá um cavalo, o cão não ladrou [...] É óbvio que o visitante era alguém que o cão conhecia bem [...]

Danse Macabre - Camille Saint-Saëns



O Halloween apenas como pretexto…

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Ação, intenção e deliberação


Balthus

Um erro comum que existe na teoria da ação é supor que todas as ações intencionais são o resultado de alguma espécie de deliberação, que são o produto de uma cadeia de raciocínio prático. Mas, obviamente, muitas coisas que fazemos não são assim. Simplesmente fazemos alguma coisa sem qualquer reflexão prévia.

Acontecimentos e ações


Edward Hopper
Suponhamos que apanhei o comboio e paguei o meu respectivo bilhete. Durante o  percurso vou distraído, pensando nas minhas coisas, sem me dar conta de que brinco  com o pedacito do cartão, enrolo-o e desenrolo-o, até que finalmente o atiro descuidadamente pela janela aberta. Nessa altura aparece-me o cobrador e pede-me o bilhete: desespero e provavelmente a multa. Posso apenas murmurar para me desculpar: " Atirei-o da janela...sem me aperceber." O revisor, que é também um pouco filósofo, comenta: "Bom, se não se apercebeu do que estava do que estava a fazer, não pode dizer que o tenha atirado pela janela. É como ele tivesse caído".

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Conselhos para avaliar argumentos


Magritte

Os lógicos (…) distinguem a validade da solidez. Diz-se que um argumento é válido se a conclusão se segue das premissas. No entanto, para que seja sólido, um argumento tem de ser válido e as premissas têm de ser verdadeiras.
Importa fazer outra observação. O grau com que as premissas apoiam a conclusão pode variar. Por vezes as premissas não aprovam absolutamente que a conclusão seja verdadeira, mas proporcionam dados que tornam muito provável que a conclusão seja verdadeira.

Avaliar argumentos


Magritte

Formular e testar argumentos é importante em qualquer área, mas é especialmente decisivo quando lidamos com grandes decisões abstratas, já que não temos outra forma de as compreender. Uma teoria filosófica é apenas tão boa como os argumentos que a apoiam.
Alguns argumentos são sólidos, alguns não o são, e precisamos saber como os distinguir. Seria bom se houvesse uma maneira simples de o fazer. Infelizmente, não há. Os argumentos são muito diversos e podem estar errados de inúmeras formas. Porém, podemos atender a alguns princípios gerais.

domingo, 12 de outubro de 2014

A dimensão discursiva do trabalho filosófico



Os argumentos são essenciais, em primeiro lugar, porque são uma forma de tentar descobrir quais os melhores pontos de vista. Nem todos os pontos de vista são iguais. Algumas conclusões podem ser apoiadas com boas razões; outras, com razões menos boas. Mas muitas vezes não sabemos quais são as melhores conclusões. Precisamos de apresentar argumentos para apoiar diferentes conclusões, e depois avaliar tais argumentos para ver se são realmente bons.

sábado, 11 de outubro de 2014

O Sono da Razão Produz Monstros




Uma das séries de sátiras gravadas pelo pintor espanhol Goya tem por título “O Sono da Razão Produz Monstros”. Goya pensava que muitas das loucuras da humanidade resultavam do “sono da razão”. Há sempre pessoas prontas a dizer-nos o que queremos, a explicar-nos como nos vão dar essas coisas e a mostrar-nos no que devemos acreditar. As convicções são contagiosas, e é possível convencer as pessoas de praticamente tudo. Geralmente, estamos dispostos a pensar que os nossos hábitos, as nossas convicções, a nossa religião e os nossos políticos são melhores do que os deles, ou que os nossos direitos dados por Deus anulam os direitos deles, ou que os nossos interesses exigem ataques defensivos ou dissuasivos contra eles.

A lógica de Aristóteles


Uma forma de definir a lógica é dizer que é uma disciplina que distingue entre as boas e as más inferências. Aristóteles estuda todas as formas possíveis de inferência silogística e estabelece um conjunto de princípios que permitem distinguir os bons silogismos dos maus. 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Razões para estudar filosofia




Porquê estudar filosofia
Qual é afinal a importância de estudar filosofia? Começar a questionar as bases fundamentais da nossa vida pode até ser perigoso: podemos acabar por nos sentir incapazes de fazer o que quer que seja, paralisados por fazer demasiadas perguntas. Na verdade, a caricatura do filósofo é geralmente a de alguém que é brilhante a lidar com pensamentos altamente abstractos no conforto de um sofá, numa sala de Oxford ou Cambridge, mas incapaz de lidar com as coisas práticas da vida: alguém que consegue explicar as mais complicadas passagens da filosofia de Hegel, mas que não consegue cozer um ovo.

O que é a filosofia?




A filosofia é o que acontece quando se começa a pensar pela própria cabeça.

Pode-se acrescentar um pouco mais. Assim que nos libertamos dos hábitos das crenças recebidas, as que por acaso se adquiriu mesmo acerca de questões básicas, e começamos realmente a pensar acerca daquilo em que devemos acreditar, à luz da razão (argumentos) e indícios, começámos a fazer filosofia.

O silogismo categórico







Um silogismo (ou melhor, um silogismo categórico) é a inferência de uma proposição a partir de duas premissas. Por exemplo: todos os cavalos têm cauda; todas as coisas que têm cauda são quadrúpedes; logo, todos os cavalos são quadrúpedes.

Forma lógica



A forma lógica de uma frase é a estrutura, partilhável com outras frases, responsável pelo seu papel nas inferências. Isto é, a sua forma lógica determina a maneira pela qual ela pode ser validamente deduzida a partir de outras frases, e a maneira pela qual outras frases podem ser deduzidas validamente de conjuntos de premissas que a incluam.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Luís de Freitas Branco - "Suite Alentejana No. 1"




Sugestão musical para este fim de semana

A atividade filosófica


Magritte

A filosofia é uma atividade: é uma forma de pensar acerca de certas questões. A sua característica mais marcante é o uso de argumentos lógicos. A atividade dos filósofos é, tipicamente, argumentativa: ou inventam argumentos, ou criticam os argumentos de outras pessoas ou fazem as duas coisas. Os filósofos também analisam e clarificam conceitos. (...)

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A profundidade das questões filosóficas




A filosofia é diferente da ciência e da matemática. Ao contrário da ciência, não assenta em experimentações nem na observação, mas apenas no pensamento. E ao contrário da matemática não tem métodos formais de prova. A filosofia faz-se colocando questões, argumentando, ensaiando ideias e pensando em argumentos possíveis contra elas, e procurando saber como funcionam realmente os nossos conceitos.

sábado, 27 de setembro de 2014

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Validade e verdade



Klee
As partes relevantes de um argumento são, em primeiro lugar as suas premissas. As premissas são o ponto de partida, ou o que se aceita ou presume, no que respeita ao argumento. Um argumento pode ter uma ou várias premissas. A partir das premissas, os argumentos derivam uma conclusão.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

A mulher que viveu duas vezes




Título: Vertigo – A Mulher que Viveu Duas Vezes

Realização – Alfred Hitchcok
Música – Bernard Herrmann
Interpretação: James Stuart, Kim Novak
Ano – 1958
País - EUA
Duração – 128 minutos

sábado, 20 de setembro de 2014

A importância da lógica



Hooper

A argumentação é um instrumento sem o qual não podemos compreender melhor o mundo nem intervir nele de modo a alcançar os nossos objetivos; não podemos sequer determinar com rigor quais serão os melhores objetivos a ter em mente. Os seres humanos estão sós perante o universo; têm de resolver os seus problemas, enfrentar dificuldades, traçar planos de ação, fazer escolhas. Para fazer todas estas coisas precisamos de argumentos. Será que a Terra está imóvel no centro do universo? Que argumentos há a favor dessa ideia?

Led Zeppelin - Stairway To Heaven




Sugestão musical para este fim de semana

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O que se segue do quê?


Magritte



A maioria das pessoas gosta de pensar que é lógica. Dizer a alguém "Não estás a ser lógico" é uma normalmente uma forma de crítica. Ser ilógico é ser confuso, desordenado, irracional. Mas o que é a lógica? (…) Todos nós raciocinamos. Tentamos descobrir como as coisas são raciocinando com base naquilo que já sabemos. Tentamos persuadir os outros de que algo é de determinada maneira dando-lhes razões. A lógica é o estudo do que conta como uma boa razão para o quê, e porquê. Temos no entanto de compreender esta afirmação de um certo modo. Aqui estão dois trechos de raciocínio — os lógicos chamam-lhes inferências:

1.  Roma é a capital da Itália, e este avião aterra em Roma; logo, o avião aterra na Itália.
2.   Moscovo é a capital dos EUA; logo, não podemos ir a Moscovo sem ir aos EUA.

As perguntas da filosofia



Magritte

Eis algumas perguntas que qualquer um de nós pode fazer sobre nós próprios. O que sou eu? O que é a consciência? Será que eu poderia sobreviver à morte do meu corpo? Será que posso ter a certeza de que as experiências e sensações das outras pessoas são como as minhas? Se eu não posso partilhar as experiências das outras pessoas, será que posso comunicar com elas? Será que agimos sempre em função do nosso interesse próprio? Será que sou apenas uma espécie de fantoche, programado para fazer as coisas que penso fazer em função do meu livre-arbítrio?

Atividades diagnósticas - 1



Escher

Supõe que trabalhas numa biblioteca, verificando os livros que as pessoas requisitam, e um amigo te pede para o deixares roubar uma obra de referência difícil de encontrar que quer possuir.
Podes hesitar em concordar por diversas razões. Podes recear que ele seja apanhado e que, assim, tanto ele como tu arranjem problemas. Ou podes querer que o livro fique na biblioteca para que tu próprio possas consultá-lo.

domingo, 14 de setembro de 2014

Novo ano letivo - 2014/ 2015




BOAS VINDAS!

Para todos os alunos que iniciam este ano a disciplina de filosofia 
(em especial para as turmas 10ºA e 10ºB)

BOM REGRESSO!

Para todos os alunos que continuam o seu percurso na disciplina de filosofia 
(em especial para as turmas 11º A e 11ºB)

BOM TRABALHO!

Para todos os alunos e professores 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A singularidade da música


Thomas Eakins

É evidente que a música dá às pessoas grande prazer e é também verdade que geralmente se considera que exprime algumas das mais profundas emoções humanas. Nenhum dos factos, contudo, explica apropriadamente o seu valor.

sábado, 9 de agosto de 2014

O que é o riso?


Johannes Moreelse, Demócrito (cerca de 1630)


Que significa o riso? O que há no fundo do risível? O que haverá de comum entre a careta de um palhaço, um jogo de palavras, um quiproquó de vaudeville, uma cena de fina comédia? Que destilação nos dará a essência, sempre a mesma, da qual tantos produtos diversos tiram o seu indiscreto aroma ou o seu delicado perfume?

A moda como pretexto


Fotógrafo de moda, Blow up

O dinamismo criativo do fotógrafo de moda nos anos sessenta é ilustrado  em David Bailey, o protagonista do filme de Michelangelo Antonioni, Blow up.

Fotografia subjetiva


Otto Steinert, Lights (1952)  

Trata-se de valorizar os desempenhos da visão fotográfica e de a diferenciar definitivamente do olhar humano. “A fotografia deu-nos pela primeira vez, a sensação da estrutura das coisas com uma intensidade que o olhar, limitado pela acomodação, ignorava inteiramente até então” (Otto Steinert)

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A influência recíproca da pintura e da fotografia


Angus Mac Bean

A perspetiva, o enquadramento, a desfocagem, o instantâneo, o efeito de profundidade de campo são outros tantos contributos da fotografia para a pintura Toulouse Lautrec, Degas, Seurat, para citar apenas estes, provam-no nas suas telas.

O picturalismo


Peter Henry Emerson

Tudo começou com Peter Henry Emerson, que, no decurso da segunda metade do século XIX, “se insurge contra a fotografia que reproduz com igual precisão tudo aquilo que aparece no campo da sua objetiva” (citado por Jean A. Keim, na sua Histoire de la Photographie).
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